quinta-feira, 11 de abril de 2013

Um Amor do Passado: Capítulo 9





CAPÍTULO 09 











Nota: Novamente, os asteriscos separam o POV da Bella do do narrador.















Primeiro dia de casados. 








Meus medos... 






Sua força me faz forte. 






































Ainda faltava um par de horas para amanhecer, quando eu despertei deitada sobre algo duro, mas, ao mesmo tempo, tão macio. Estendi meus dedos e alisei a superfície a qual estava debruçada, sentindo a textura do linho, da pele e o calor sob meus dedos. Imagens da noite anterior invadiram minha mente, fazendo-me suspirar de prazer e contentamento. 
















- Pensei que tivesse sido um sonho.- Murmurei ainda sonolenta. 














- Não foi um sonho, mo duinne, foi real e será real por toda a nossa vida. 














Eu me ergui e apoiei os cotovelos sobre o seu peito, na altura da clavícula, livrando, com muito cuidado, as costelas fraturadas na parte mais abaixo. Ele me deu um sorriso, seguido de um beijo casto nos lábios. 














_Estou satisfeito de ter me casado contigo, Sassenache. 














Sorri feliz por suas palavras, sabendo que arrancar uma confissão de amor eterno dele seria impossível. Deitei-me de bruços na cama, abraçando o meu travesseiro macio de penas, impressionada de que tivesse essa textura e esse cheiro. Eu sempre achei que nessa época o conforto fosse zero. Como estava enganada, pensei feliz. Fechei meus olhos suspirando de contentamento e senti-o se mexer ao meu lado. O lençol foi tirado de cima de mim e seus dedos calosos, mas extremamente suaves, alisaram minhas costas, correndo a ponta de um pelo comprimento de minha cicatriz, muito longa e tortuosa. Automaticamente, me encolhi. Era uma reação comum sempre que alguém via e tocava. Sempre queriam tocar. 














_Se estivesse em meu poder punir quem te fez isso, a leannan, eu o enforcaria com minhas próprias mãos. 














Alec falou com tanta intensidade, que eu me virei para lhe olhar, um pouco assustada. Ele me olhava com os olhos frios e determinados. Sim, ele mataria Trevor se tivesse a chance. Agradeci a Deus que eles estivessem separados por um espaço de seiscentos anos. Não era apaixonada por Trevor pelo que ele me fez, mas não queria que Alec sujasse as mãos com o homem. Deus daria a paga a ele no devido tempo. Como diz na palavra Dele: A vingança pertence a mim, diz o SENHOR. Sorri e me ergui, dando um beijo nele, para lhe tirar os pensamentos assassinos e tentei um assunto neutro e um que estava morrendo de vontade de fazer. Enrolei-me no lençol e lhe sorri mas ainda, a excitação começando a me embargar. 














- Bem, vamos nos levantar, meu coração, temos muitas coisas a fazer e que requerem nossa atenção. 














Falei e o meu tom de voz demonstrava o quanto estava ansiosa e feliz. Ele praguejou baixinho e eu o olhei preocupada. 














_O que houve, doem as costelas? - preocupei-me por que ontem a noite ele fez muito esforço.














- Não. 














- Não quer se levantar? - eu falei com um sorriso brincando nos lábios, lembrando dos momentos passados. 














- Não foi isso que eu disse. EU, vou me levantar e vestir-me, VOCÊ vai ficar na cama e descansar o resto do dia. 














- Mas eu não estou cansada, meu amor. 














- Eu não quero você fora desse quarto, Rebecca! 














O sorriso que eu vinha ostentando se apagou imediatamente. 














- Eu não vou ficar presa aqui, Alec. 














Ele não respondeu e, pela sua cara, não mudaria de opinião. Suspirei, tentando manter a calma e fazê-lo entender meu lado. 














- Meu querido, não posso ficar presa no quarto o resto do dia. Sou a lady desse castelo e esperam de mim que assuma as minhas obrigações e... 














- Não e não há qualquer outra coisa que fale que vá me fazer mudar de opinião, Rebecca. Você vai ficar nesse quarto, bem quietinha, esperando-me e não pisará fora dessa porta. Entendeu-me? 






















Respirei fundo, no intento de me acalmar. Uma coisa que eu sabia sobre Alec era o fato dele ser mais teimoso como uma mula! Falei devagar, medindo minhas palavras para fazer ele compreender meu lado. 






















- Eu aceitei o seu pedido de casamento, mesmo querendo tempo para que nos conhecêssemos melhor. Você me prometeu que me trataria com condescendência, que eu poderia lhe ajudar nas tarefas do castelo. 














- Mudei de opinião. 














- Não, não mudou não senhor!- falei, começando a perder a calma. _Sua palavra não muda, Alec, nunca volta atrás. E você não começará agora. 














Ele suspirou irritado e me olhou com o cenho franzido. 














- Será que você não pode simplesmente me obedecer?!! 














- Se suas ordens fizerem sentido, a resposta é sim! 






















Falei, perdendo toda a paciência com esse ser que estava bem na minha frente, vestindo nada menos do que um lençol de linho que cobria apenas seus quadris... "FOCO BECCA, PELO AMOR DE DEUS, ISSO AQUI É UM PRENÚCIO DE UMA GUERRA, MULHER!" – Pensei, irritada comigo mesma. 






















- Minha ordem faz sentido!!! 














- Jesus Cristo! - bati meus punhos fechados na cama, já cansada de tudo isso. _ Por que você quer que eu fique presa no quarto? Tem medo de quê, pelo amor de Deus? Eu não vou embora! Nem fugir! Pare com esse medo sem fundamento, homem de Deus! 














- Será que você não entende, maldita seja! Essa época não é a sua! Nada aqui é como no seu tempo! Não tenho como comprar as coisas que existem lá para fazer o castelo mais seguro para você! Não temos essa tal de luz elétrica da qual me falou. Aqui é tudo a base de velas e tochas. Maldição mulher, você poderia cair da escada e quebrar o seu teimoso PESCOÇO!!! 














Quando ele terminou de falar, estava ofegante e seu olhar refletia o medo e a impotência que sentia. 














“Jesus, ele me ama. Tem medo de me perder.” 














Pensei com ternura e, mentalmente, dei pulinhos de felicidade. Fiquei olhando meu adorado marido me afastar, se erguer e sentar na cama com as costas apoiadas na cabeceira, cruzando os braços sobre o peito. 














Sentei-me mais ereta e o lençol caiu ao redor dos meus quadris, deixando meus seios descobertos. Eu não poderia me importar menos com isso. 














Aproximei-se devagarzinho, parando à sua frente. Observei Alec me olhar de cima a baixo e enrijecer a coluna, automaticamente. 














Ele não tirava os olhos de meu corpo. 














“Ok. Já tenho sua total atenção”. Pensei com um sorriso confiante 














- Mo Duilich Duine (meu triste marido) - Alisei seu rosto e ele fechou os olhos. _ Eu não quero que você mude nada aqui para fazer o castelo mais seguro para mim. Sua presença é suficiente para me deixar segura. Não preciso de nada do futuro, Alec. Eu não trocaria uma tocha daqui por toda a energia elétrica do mundo todo. 














Ele suspirou e pegou minha mão, desenhando figuras imaginárias com a ponta do dedo na minha palma. 














- Não percebe mo gradh?(meu amor?)- continuei a falar, pegando em seu queixo, o fazendo olhar pra mim _ Se eu não quisesse ficar, teria ido embora naquela manhã que fugimos do castelo Dunhar. Orei a Deus para que me concedesse a oportunidade de ficar e ser feliz com você e ele me concedeu isso, nos concedeu esse milagre. Eu te amo Alec, daria minha vida por você. Será que não entende? É aqui o meu lugar. É aqui que eu desejo estar. 














Quando terminei de falar, meus olhos estavam brilhantes com as lágrimas contidas. Alec me olhou com seus intensos olhos verde-esmeralda. Eu vi refletido neles sentimentos que fizeram com que meu coração disparasse e minha boca ficasse seca. 














“Ele pode teimar em dizer que não me ama, mas seus olhos não mentem.” 














Alec me segurou pela cintura e colou sua boca na minha. O beijo era cheio de urgência, o que deixou minhas pernas moles e trementes. Se estivesse em pé, com certeza teria caído, com a cara no chão. 














- Perdoe-me Becca. Não a trancarei aqui. Eu não posso fazer isso com você. 














- Você me mataria. - Falei em um sussurro, acariciando seus cabelos rebeldes, que ele tinha cortado direito assim que chegamos aqui. 














*********** 














Alec a apertou mais forte contra si, cheirando a deliciosa fragrância tão peculiar dela. Becca cheirava a frésias e outra coisa que ele não sabia o que era, mais era muito bom. 














*************** 














-Jamais faria nada para te machucar voluntariamente, carinho. Eu... Eu só tenho um medo sem sentido, não quero que nada te faça mal, que nada te machuque. Eu morreria se alguma coisa acontecesse com você, tenho vontade de te guardar em uma redoma de vidro e proteger-te de tudo, te pôr longe de tudo, em um lugar onde apenas eu possa ter acesso. 














Eu sorri, lhe alisando os cabelos. Nunca tinha imaginado que Alec MacLeomhan (filho do leão), também conhecido como Macdubh (filho do negro), fosse um homem tão sensível. E eu estava amando esse lado dele. 














_Você me ama. - sussurrei em seu ouvido, causando um arrepio de cócegas. 














- Não, não amo. - Ele falou com teimosia, me arrancando um sorriso - Tenho-te muito carinho. O amor não tem lugar no coração de um guerreiro Becca, já te disse isso. O amor debilita o homem e eu não posso ficar debilitado, preciso de toda a minha força para proteger meu clã. 














- Eu entendo querido. Que seja carinho então o que você sente por mim. Agradeço o seu carinho. 














Sorri e esfreguei meu rosto contra o dele. Nem a sua negação iria tirar meu maravilhoso bom humor, não mesmo. 






















Ele nos puxou para deitar novamente. Me acomodei entre as cobertas. Estava frio e a lareira já tinha se apagado. Ele apoiou a cabeça na mão direita, enquanto que com a esquerda me fazia carinho nos cabelos, descendo para o pescoço, alisando um determinado local. 














- Eu te marquei.- ele sussurrou, sorrindo contente com isso. 














Sorri de volta. 














- Eu também te marquei, meu querido. Suas costas estão arranhadas. 






















************ 














Alec deu de ombros e sorriu. Ele sentia os arranhões na sua pele. Ela tinha as unhas compridas. Puxou-a para cima de si e alisou os cabelos longos dela, amando o modo como caíam em volta deles, como uma cortina. 














************ 














- Becca? 














- Sim? 














- Tenho um pedido a fazer. 














- Qual é? 














- Nunca corte seu cabelo, nem deixe suas unhas pequenas demais. Eu gosto desse comprimento que ambos têm agora. 














Assenti, sorrindo. 














- Seu desejo é uma ordem, meu lorde. 














Ele me beijou e eu correspondi, por que não conseguia ficar longe. 














- Estou muito feliz. 














- Eu também. E estou faminta. Muito faminta! 














- Ora, mas que mulher mais luxuriosa é essa que eu tenho! - Alec falou com os olhos arregalados e eu caí na risada com a brincadeira. 














- Não é esse tipo de fome, Alec. Eu vou desfalecer se não comer algo. Urgente! 














- Pode desfalecer à vontade milady, desde que seja nos meus braços. - ele falou e me abraçou, me impedindo de sair da cama. 














- Alec, é sério. Estou com fome! - choraminguei. 














Ele não me deu ouvidos e, para provar que eu estava falando a verdade, meu estômago deu um grunhido forte, arrancando uma risada dele. 














- Tens razão. Venha milady, vamos nos vestir e comer alguma coisa. Tenho medo que esse monstro que você traz aí dentro saia e me devore. 














Ele se levantou da cama e sorriu, esquivando-se de um travesseiro que joguei em sua cabeça. Algum tempo mais tarde, descemos em direção ao salão de mãos dadas. Sorriamos e cochichávamos como se fossemos cúmplices de alguma coisa muito importante. 














************* 














Alec levou Becca ao salão, só para se ver tentado a dar meia volta e arrastá-la para o quarto novamente. 














Sua esposa era muito desejosa para o seu próprio bem e ele previa que seus dias seriam uma constante luta para livrar sua mulher dos olhares lascivos dos homens. Não os do seu clã, pois tinha certeza de que eram fiéis a ele e respeitavam-no, mas os outros clãs... Teria que viver afastando-os com um pau ou, no melhor dos casos, com a espada, o que era bem mais estimulante. 














- Amor, está bem? As costelas doem? 














- Não doem, por que pergunta? 














- Está fazendo caretas e franzindo o cenho de maneira bem aterradora. E está pondo medo nas moças que estão trabalhando. Melhore essa cara, sim? 














Alec sorriu e desfez o semblante mal humorado. 














Quando se aproximaram do tablado, Cameron veio ao encontro deles, arrebatando-lhe a esposa e dando-lhe um abraço de urso. Suspendeu-a no ar e lhe rodou. Isso enfureceu muitíssimo a Alec. 














- Cameron, solte-a! Está sem fôlego, imbecil. Ponha ela no chão, já! 






















Becca estava ficando roxa. Cameron era incrivelmente forte. Quando Alec lhe ordenou que a colocasse no chão, ela quase chorou de alívio. 






















- Bom dia para você também, Cameron. Da próxima vez que me abraçar, por favor, faça com menos força, sim? 














- Não haverá próxima vez. - Alec falou com a voz gélida - Não toque na minha esposa sem meu consentimento novamente, ouviu? 














- Sim irmãozinho. 














Cameron falou rindo e Alec suspirou. Tinha certeza que não cumpriria essa ordem. Pelo menos, ele não estava com o semblante sério como na noite passada. Alec conduziu Becca à sua cadeira e, depois que ela estava bem cômoda, sentou-se ao seu lado. Ambos sendo flanqueados por seus irmãos. 






















***************** 






















A sensação de ver-me mimada por três guerreiros fortes e temíveis, que assustavam a qualquer um, era maravilhosa. Phelan serviu-me mingau de aveia e eu sorri, agradecendo. Cameron colocou um prato com bolinhos recém saídos do forno na minha frente e eu o recompensei com um sorriso, que foi imediatamente retribuído. Seus irmãos estavam cuidando de mim e não era forçosamente, o que eu agradeci. Não queria atenção se fosse por imposição de Alec. Eu olhei para ele e o vi sorrir. Estava feliz e isso me deixou feliz também. Tinha me dito que havia contado a eles como eu consegui tirá-lo de lá. É claro que evitou a parte de eu ser do futuro. E eles estavam profundamente agradecidos a sua cunhada por devolver seu irmão são e salvo para eles. 














Quando pedi um pedaço de pão, três mãos se projetaram para a bandeja ao mesmo tempo, chocaram-se os dedos e soltaram imprecações, arrancando-me uma gargalhada que trouxe sorrisos aos lábios dos três senhores sentados ao meu lado e seus soldados. 














- Alec, Galván precisa reunir-se contigo com urgência. Tem muita coisa no castelo que requer tua atenção. 














- Sim, assim que terminarmos o desjejum irei encontrar-me com ele. 














- Enquanto isso, eu vou procurar Suria para me pôr a par do manejo do castelo. Deseja alguma coisa especial para o almoço, marido? 














- Becca... - Cameron começou, bem tranqüilo e cauteloso.-... Não achas melhor, hum... Ficar de repouso? Só por hoje, é claro. - Apressou-se em corrigir - Parece-me bem cansada. 














- Não estou cansada, Cameron. 














- Eu observei que estava por demais esgotada, precisava estabelecer as forças, porém é mais teimosa que uma mula. - Alec falou desgostoso, enquanto mordia um Bannock, tirando uma grande dentada. 














Fuzilei-o com o meu melhor olhar de "fique fora disso" e ele me retribuiu com o seu famoso olhar, "está me irritando". Mamãe tinha me dito isso, ele sempre dava esse olhar quando desobedecido. O ignorei e coloquei meu melhor sorriso, enquanto olhava para meu cunhado. 














- Eu estou bem, fiquem tranqüilos. 














- Mas... 














- E se eu me cansar vou direto para a cama e descanso o resto do dia, está bem? 














- Promete? - Alec perguntou, duvidoso. 














- Prometo sim, meu querido. 














Ele não acreditou em mim, eu percebi, mas deixou passar. Eu tinha uma nítida impressão que eu teria uma sombra em meus calcanhares durante todo o dia. 






















Assim que terminamos o desjejum, nos separamos para cumprir nossas tarefas e obrigações. Alec não estava feliz em me deixar sozinha. Nas sábias palavras dele "Só Deus sabia o que poderia acontecer comigo sem ele por perto para proteger-me." 














A primeira obrigação que me autoimpôs foi ir conhecer a cozinha. Então, marchei em sua direção e também à procura de Suria, que me ajudaria e me ensinaria o manejo do castelo. Apesar de saber como fazê-lo, por mamãe ter me falado e me mostrado, mais ou menos, enquanto limpávamos nossa casa, uma coisa era saber quase na teoria, outra bem diferente, era a prática e Creag Mhor, sem sombra de dúvidas, era muito maior do que nossa casa em Londres. 






















Caminhei para fora do salão, passando pela imensa porta de madeira e ferro e me dirigi para lá, dando uma volta longa e exaustiva. Cheguei ao imenso cômodo que ficava atrás do castelo, suando bicas e morta de sede. Existia um longo corredor coberto com várias janelas pequenas para entrar ar e luz, sem precisar de tochas no período da manhã. Era, na verdade, um pequeno túnel - sim, esse era o nome ideal para lhe chamar -, que ligava a cozinha ao salão, já que se a enorme estrutura tivesse a porta ligada diretamente dentro, nos sufocaríamos com a fumaça dos fogões. Apesar de termos lareiras que tinham chaminés, essas não eram o suficiente para expulsar toda a fumaça, ficando assim uma boa parte no salão e nos quartos. Eu tinha alguns esboços de chaminés de ferro que poderíamos adaptar para o castelo. Falaria com Alec assim que possível. 














O fato de não ter usado o corredor foi simplesmente por eu querer andar e conhecer cada cantinho do meu lar. 














Era lindo, tudo era lindo. 














Cumprimentei todos os que passavam por mim, velhos, homens, mulheres e crianças, com um sorriso tão grande, que me doeriam as bochechas no fim do dia, mas eu não podia evitar, era um sonho tornado realidade. 






















A cozinha estava bem organizada. Tinha uma mulher gorda de bochechas rosadas na frente de um dos fogões, mexendo um caldeirão gigante. Moças estavam em todos os cantos, descascando, cortando, lavando legumes e vegetais, sovavam massas para o pão. Tinha uma lareira enorme no lado direito, e estava totalmente ocupada por um cervo bem grande. O cheiro era delicioso. Suria entrou pela porta do corredor e sorriu ao avistar-me. Dirigiu-se para mim, fazendo uma pequena reverência. 














- Bom dia milady, dormiu bem? 














Eu ia responder, quando o comentário de uma ruiva, que apareceu na porta ao meu lado e passou direto por mim, quase me derrubando no processo, me calou. E suas palavras continham veneno puro. 














- Ela estava com Alec, Suria, é impossível que tenha dormido algum segundo da noite. Pode crer, eu sei. 














- Rhona, o que está fazendo aqui? 














- Milorde Enrique me chamou para atendê-lo. 














Percebi que tipo de mulher Rhona era. Uma prostituta e tinha sido amante de Alec pelas palavras usadas e seu tom desdenhoso dirigido a mim. Inflamou-me o sangue saber que ela tinha estado entre os lençóis da cama em que eu tinha passado a noite. MINHA PRIMEIRA NOITE! 














- Suria, por favor, gostaria que você me mostrasse o funcionamento do castelo. 














Falei de modo calmo, sem deixar transparecer minha raiva e desgosto por ter mulheres como Rhona circulando no castelo, como se o mesmo fosse uma extensão do seu bordel. Eu não tinha preconceito sobre sua profissão, várias mulheres entravam nessa vida por não ter escolha. Era o ciúme falando alto em mim. Mulher nenhuma iria querer que as antigas amantes do marido ficassem desfilando na sua cara e eu não tinha sangue de barata. 














- Claro milady, será uma honra para mim. 














- Alec vai permitir que você faça tarefas sujas? Ele nunca permitiu que eu fizesse nada enquanto estava aqui à sua disposição. 














Virei-me, encarando a mulher um pouco mais alta que eu, devo acrescentar. 














- Caso não saiba, eu sou a Lady daqui e todo trabalho é honesto, não tem nada de sujo Rhona. Mas, como você pode saber disso, não é mesmo? Ganha a vida em cima da desgraça e sofrimento das mulheres casadas, que tem seus maridos arrancados de seus braços para estar no meio de suas pernas... Se há algum trabalho sujo aqui, Rhona, lhe garanto que não é o meu, nem o dessas mulheres, não concorda? 


























Me virei para partir, mas lembrei-me de uma coisa a mais. Voltei e a olhei de cima a baixo, avaliando bem a fulana. 






















- Ah! Se quiser por um pé no castelo novamente, lhe aconselho a pegar uma vassoura e começar a trabalhar. Suas funções aqui foram modificadas. 














- Você não é o lorde daqui. 












Ela falou, com desdém. Não me alterei, eu sabia quem venceria essa disputa. 
















- Não, não sou. Sou a MULHER dele. E adivinhe qual das duas ele vai fazer os gostos? 














- Ele era meu antes de ser seu! 














- Falou bem, ERA, não é mais. Um conselho. Se quiser continuar com sua ferramenta de trabalho intacta, fique bem longe do meu marido. 














- Está ameaçando-me? 














Cheguei bem perto dela e falei, olhando nos seus olhos de gato estreitos e irritados. Tive que me esticar um pouco, porque ela realmente era mais alta que eu. 














- Não, Rhona. Não é uma ameaça. É uma promessa. 














Minha voz saiu tão calma, tão séria, que a mulher deu um passo para trás e ficou calada. Aliás, não só ela, mas a cozinha inteira. 














- Venha Suria, eu preciso da sua ajuda com algumas modificações que quero fazer. 














Retirei-me da cozinha com Suria nos meus calcanhares, deixando para trás uma Rhona raivosa e assustada ao mesmo tempo. 






















************** 






















Uma sombra as observou, enquanto se afastavam. Tinha ódio nos olhos. Agarrou o cabo da espada, torcendo-o, imaginando que era o pescoço daquela cadela inglesa que tinha arruinado seus planos. Sorriu com frieza. 














“Não faz mal milady, desfrute seus dias de glória enquanto pode. Já estou preparando uma surprezinha para você. Verei você morta. Seu desgraçado marido e seus irmãos miseráveis seguirão o mesmo caminho até a sepultura. Não ficará muito tempo sozinha no inferno.” 














Com um sorriso de escárnio, ocultou-se nas sombras. 








“A brincadeira estava a ponto de começar”.

4 comentários:

  1. Esse capítulo foi demais! Becca agiu muito bem em tudo.

    Beijos Nilcia.

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  2. A pagina ta em branco....não consigo ler nenhuma palavra do capítulo 8 e do 9 só duas frases aparecem. poderia me enviar por email.. saradayla@gmail.com Já é o segundo capítulo que isso acontece e até agora não me responderam. Adoro o blog, mas isso me deixa chateada.

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  3. irruuuuuuuuuuuuuuul Becca deu um sacode na bisca eita que essa vacaranha da rhona nao se emenda ne? fala serio ''ele é meu'' tadinha sonha kirida! u.u amei o cap

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