quinta-feira, 25 de abril de 2013

Segredos de Amor: Capítulo 13


CAPÍTULO 13 


Edward rolou na cama. Não conseguia dormir, a insônia era sua companheira constante quando estava longe dela....Não podia voltar para casa, não podia sair da base. Trinta dias que não a via, era de mais a saudade. Ele sentia falta do seu corpo pequeno pregado ao seu, sentia falta do seu sorriso, do seu cheiro, sonhava com ela. Os sonhos eram variados, sonhava com ela grávida, às vezes no sonho ela dizia que nunca mais queria vê-lo, outros ela dizia que nunca deixaria de amá-lo, outros ela estava rindo abraçada com Caius, outros ela estava dentro de uma poça do seu próprio sangue, o olhando com seus olhos sem vida. Ele geralmente acordava suando e gritando nessa hora. 



Ele se ergueu e pegou seu celular, olhou para, ele descartando-o no mesmo instante. Não tinha coragem de ligar para ela, nem que fosse para pedir seu celular de volta. Ele descobriu que o aparelho que ele usava no trabalho, o que ele fazia contato com seus homens, estava com ela. Provavelmente ela tinha pego sem querer no dia da briga, no dia em que ele ferrou com tudo, no dia em que fez a maior merda da sua vida. Seu celular estava com ela e ele estava com o dela. Ele sabia que ela tinha voltado a fazer faxinas, seus antigos clientes tinham entrado em contato, só que como ele estava com o celular dela, ele dizia bem simpático que daria o recado. Como eles pararam de ligar, Edward deduziu que eles descobriram que ele não estava passando porcaria de recado nenhum para ela. 



Era uma merda ficar sem falar com ela. Ele ficava no escuro, totalmente. Mas estava envergonhado o suficiente para se negar a um confronto direto e, que mordessem seu traseiro, estava enciumado também. Mike fodido Newton tinha ligado para ela, agradecendo pelo jantar. Ela tinha saído para jantar com ele!!! Edward sentiu ganas de matá-lo e se pudesse teria colocado sua mão dentro do aparelho e teria apertado seu fodido pescoço! Ele estava irritado também por ela ser teimosa. Há cinco dias ele tinha mandado o dinheiro das despesas e ela tinha mandado de volta, dizendo que não precisava do seu dinheiro. Ela estava com raiva dele, ele merecia muito bem isso, mas, se negar a aceitar o dinheiro para as despesas da casa deles era demais. Ele não queria que ela trabalhasse para pagar as contas, ele era o homem da casa e era responsabilidade dele arcar com os custos, merda! Rafaela tinha vindo ontem pessoalmente entregá-lo. Não disse nada, nem como ela estava, nem nada. Ela viu Garrett quando ia saindo da sala, ele tentou segurá-la pelo braço, mas o olhar que ela mandou para ele foi o suficiente para ele deixá-la em paz. Seu amigo era outro que estava sofrendo horrores com a separação, ele vivia por ela, respirava ela, nas palavras dele: “ele se tornou um morto vivo sem seu raio de sol.” Em outras circunstâncias, Edward teria gargalhado da cara dele, mas agora ele não podia, estava mais fodido de saudades do que ele. Garrett, pelo menos, via Rafaela de vez em quando, sempre que ela vinha na base para fazer alguma coisa para Bella. Ela vinha trazer sua roupa limpa e passada, algumas vezes Bella mandava o bolo de chocolate com morangos e algumas madalenas caseiras que ele adorava. Às vezes, Rafa trazia comidas caseiras que ele armazenava no freezer que tinha em seu quarto e as esquentava no micro-ondas. Mas Rafa não dizia nada, ele também não perguntava, quer dizer, ele perguntou uma vez, mas, quando ela disse que ele tinha perdido todo o direito sobre Bella, ele ficou calado. Pelo menos ela ainda cuidava dele, a preocupação dela significava alguma coisa, não? 

Ele estava atarefado também. Caius estava com os celulares de Emmett e Jacob e neles tinha todos os números dos seus homens. Os celulares tinham uma tecnologia que transferia toda e qualquer ligação para a Base, assim como um GPS de localização precisa, que os encontrava em trinta segundos, o que era maravilhoso para as operações. Você poderia escapar por trinta segundos antes de ser localizado e resgatado, sua equipe era danada de boa. 

Caius andou ligando para seus homens, os ameaçando. Por dez dias a base se tornou um agradável condomínio, seus homens trouxeram suas famílias para cá. Edward não podia dizer não, estavam assustados como o inferno e temiam por suas famílias, nem tanto por suas vidas, mas as de suas famílias eram outra coisa. Ele designou homens para vigiarem as famílias e se revezavam na base. Ninguém ficava sozinho, Caius gostava de brincar de gato e rato. Ele estava esperando que o safado entrasse em contato com ele, já que seu número era o primeiro da lista, mas, até agora nada. 

Edward estava se enervando já. O que deixava ele mais tranquilo era saber que Emmett e Jacob estavam bem. Emmett ainda ficaria no hospital da base e, enquanto ele tivesse uma gota de sangue, eles o drenariam para fazer exames e ver se estava tudo bem, ele foi drogado e era uma nova fórmula que os homens de Caius estavam testando. Eles torturaram seu cunhado por cinco dias. Jacob achou que Emmett estava escondido, investigando algo, se sentia culpado pelo que o Emm passou, mas Emmett disse que ele tirasse isso da cabeça, que não era sua culpa. Mas era difícil de isso acontecer, uma vez que Jacob era a proteção de Emmett lá e ele falhou, no conceito fodido dele é claro, porque no conceito de Edward e de todos ele não tinha como saber merda nenhuma. 



Edward pegou a foto dela em cima de sua mesa, uma das quatro que estavam lá. Em uma foto ela estava deitada na rede dormindo, na outra ela estava na piscina lhe sorrindo, enquanto tomava sol, nos raros dias de sol em Forks, no outro porta retrato ela estava na cozinha fazendo pizza, estava com a cara suja de farinha e estava linda, ele tirou a foto, a outra era deles dois, no alpendre da frente de sua casa, ele estava sentado entre suas pernas e Ângela tinha tirado a foto, ela e Jack tinham ido almoçar lá. Ela tinha encostado a cabeça em seu ombro e tinha enrolado os braços em torno do seu pescoço. Ele estava com um sorriso tão bobo na cara, que não sabia como nas bochechas não tinha dado câimbras. 

Ele discou o número da casa deles, era meia noite. Depois de um mês, ele resolveu ligar para ela. Medroso! Ele se xingou. Ela não atendeu, ele ligou mais dez vezes e deixava tocar até a ligação cair. Porquê ela não atendia? De repente, seu coração deu um pulo no peito. Ele olhou para o celular dela na sua mão. O dele estava com ela, Caius poderia ter ligado para ele e ela atendeu e ele a pegou! Edward correu para o dormitório e se vestiu às presas. Que se fodessem suas obrigações, ela era mais importante! Saiu do seu quarto e se dirigiu ao heliporto. 



_Edward!!! – Garrett correu para ele e ele trincou os dentes de raiva. 



_O quê?!!! – ele perguntou irritado. 



_Aonde vai? Não pode sair da base, precisamos de você aqui! – ele falou irritado também. 



_E eu preciso ver minha mulher, estamos já há um mês sem nos vermos, preciso saber como ela está. – ele disse e se virou para entrar no helicóptero. Garrett lhe agarrou o braço. Ele se virou, quase rosnando para seu amigo. 



_Traga ela aqui para base, poderemos protegê-la melhor se tivermos ela sob nossas vistas. 



_Você não vai meter suas mãos sobre ela Garrett, ela não sabe de nada, ela era mantida no escuro o tempo todo lá. 



_Rafaela disse que ela trouxe algumas coisas com ela, me entregue e deixe o resto comigo. 



_Se você for meu amigo de verdade, então vai deixar que eu resolva esse problema. Você me deve isso, eu salvei sua pele quando pegaram a Rafa e eu te dei cobertura, lembra-se? 



_Edward, olhe... 



_Você me deve isso. 



Ele disse e entrou no helicóptero. Garrett ficou olhando ele alçar voo, se virou e entrou na base com os passos apressados, precisava fazer algo, urgente. 


******************

Edward não dormiu. Ele chegou a Seattle às três da manhã e pegou seu carro, que sempre ficava no estacionamento pago do aeroporto, e dirigiu feito um maluco pelas estradas, agradecendo mentalmente por elas estarem vazias. Seria capaz de passar por cima de qualquer carro que lhe impedisse de ir a duzentos por hora como estava indo. Chegou em Forks duas horas depois, em uma viagem de quatro horas ele economizou metade do tempo. Parou seu carro na sua porta, às cinco em ponto. Usou sua chave e abriu a porta sem fazer barulho, acendeu as luzes e se deparou com seus móveis cobertos por lençóis brancos. “Mas que merda era essa?” 

Subiu as escadas e sua cama, assim como a cômoda e os outros móveis, também estavam cobertos com lençóis. Ele olhou dentro do closet e, tirando a bolsa preta que continha o dinheiro e os documentos que ela tinha trazido da Rússia, nada mais dela estava lá. Ele engoliu com dificuldade. Foi no banheiro e olhou nos armários, nada de secador, nem chapinha, nem absorventes, nem elásticos para os cabelos, nem escovas cor de rosa, nada de creme hidratante, nada do shampoo de morangos que ele amava, nada da cera que ela usava para se depilar e que ele fazia caretas sempre que escutava o som dos pêlos saindo de um puxão das pernas dela, como ela aguentava era um mistério. 


Ele saiu de lá e foi para a cozinha, suas pernas pesando uma tonelada. Estava tudo coberto e perfeitamente organizado. Abriu a geladeira e estava vazia. Os armários continham só as coisas que não eram perecíveis ou que se venceriam daqui a dois anos, no máximo. Foi na lavanderia e tudo estava organizado. Seu escritório estava igual ao resto da casa, organizado coberto por lençóis e vazio. Ele sentou na sua cadeira e ficou lá, com o olhar no vazio e o coração trovejando no peito. Não precisava ser um gênio para saber que ela o tinha abandonado e ele não poderia culpar ninguém a não ser ele mesmo. Reviveu todos os momentos que passou ao lado dela aqui nessa casa, ele era feliz e não sabia. Ficou sentado até olhar no relógio e ver que eram oito horas em ponto. Sua mãe lhe alertou, suas irmãs lhe alertaram, Ang lhe alertou, até Emmett, Jacob e James lhe alertaram sobre a merda que ele estava fazendo, mas ele não deu ouvidos. Todos já estavam sabendo de tudo, ninguém a culpou, até mesmo Rosalie, que ele achava que ficaria uma fera com ela, não ficou, ela entendeu e falava com ela sempre que a via, o que era raro, já que ela mal saia da base e do lado de Emmett. Ângela dizia que sempre conversava com Bella e ela nunca tocava no seu nome, era como se quisesse esquecê-lo. 



_Você não vai me deixar, dona Isabella! 


Ele murmurou e se ergueu, saindo de casa e entrando em seu carro, arrancando de lá cantando pneu. Em três minutos, ele jogava seu carro em cima da calçada dela e saia muito puto da vida com ela e com ele mesmo para lembrar de cumprimentar seus vizinhos. Uma velhinha que morava ao lado acenou para ele e ele lhe dirigiu um olhar tão irritado, que a pobrezinha correu pra dentro, trancando a porta com todas as fechaduras que existia. Ele meteu a mão no bolso da calça e puxou as chaves da casa dela, empurrou dentro da fechadura e girou. Quando foi abrir, notou que ela tinha colocado a trava do lado de fora. Ele estourou, literalmente, a merda do dispositivo e entrou, batendo a porta com toda a força do mundo. Subiu as escadas de três em três degraus, abriu a portinhola e percorreu o lugar com seus olhos. Não a viu e se dirigiu para o quarto, a cama estava arrumada e ela não estava lá, mais suas fodidas coisas sim. 


Ele voltou e sentou no sofá. Ficou balançando a perna, um tique que tinha sempre que ficava nervoso. Ela não estava em casa. Ele pensou na trava que tinha estourado, “se ela estivesse em casa não teria fechado a trava do lado de fora, mané.” Ele pensou irritado consigo mesmo. Uma hora depois, ele ouviu o barulho da porta. Ele não tinha fechado à chave. Ele ouviu os passos dela subindo as escadas e a voz de um homem invadiu o silêncio do apartamento. Ele trincou os dentes e se ergueu no momento em que ela entrava na sala. Ela o olhou de cima a baixo e se virou, indo até a cozinha, sem fazer conta de sua presença. Estava linda com seu cabelo marrom avermelhado abaixo dos ombros, ele gostou. Ela estava vestida com um vestido de mangas fofas de decote reto, era azul e calçava sandálias de salto plataforma, estava linda. E ele ficou excitado. 



_Aonde eu coloco as compras, Bella? – o homem falou alegremente e Edward reconheceu a voz. Ficou vermelho de raiva e uma veia no seu pescoço começou a pulsar com ferocidade. 



_Na cozinha Erik. 



O homem entrou e, quando o viu, parou no ato e o olhou como que o desafiando ou questionando sua estada lá. “Vá a merda imbecil, essa é a casa da minha namorada!!!” Edward pensou irritado. 



_Pode entrar Erik e não se preocupe com o Edward na sala, ele já está de saída. 



_Uma merda que eu estou! – ele gritou e Erik andou calmamente para a cozinha e colocou as sacolas na mesa. 



_Mais alguma coisa, Bella? – ele falou sorridente e Edward trincou os dentes de raiva, estava para saltar em cima desse infeliz. 



_Deixe isso aí e suma daqui! – Edward gritou e Erik deu um pulo de susto. O olhou e olhou para Bella, ela assentiu e ele se foi. O silêncio reinou no recinto pelos próximos dez segundos, antes dele estourar por estar sendo ignorado por ela. 

_O que ele estava fazendo aqui? – ele atirou para ela, que parou de guardar uma caixa de leite. Ela falou sem olhar para ele. 



_Estava me ajudando com as compras, são pesadas e minha caminhonete quebrou novamente. 



_Por que não está usando o SUV? E porque raios está aqui? E porque maldição voltou a trabalhar, se já tínhamos acertado que você não trabalharia mais! – ele terminou de falar gritando. Estava aliviado dela estar aqui na sua frente e não nas mãos de Caius, mas estava tremendo de raiva por ela ter o abandonado, ele não merecia isso! 



_Primeiro: não temos mais nada um com o outro, segundo: preciso de dinheiro para me manter, terceiro: não posso pegar o SUV, porque não me pertence, é seu e não meu, quarto: quem te deu o direito de invadir minha casa? 



_Primeiro- ele disse, indo na direção dela – Nada acabou entre nós, segundo: eu te mandei o dinheiro das despesas e você o devolveu, o porquê eu não sei, mas você vai me explicar, dona Isabella. Ah vai! Terceiro: o carro é tanto meu quanto seu, não me venha com essa, quarto: se não tivesse fugido de mim e se metido aqui, se tivesse ficado na nossa casa, onde é o seu lugar, eu não teria arrebentado essa merda de tranca e não estaria aqui, discutindo com você. 



Ele falou calmo. Calmo demais, na opinião dela. Bella se virou calmamente, o olhou e sentiu seu coração aquecer. Ele a queria, tinham brigado, ela tinha escondido coisas dele e ele tinha ficado furioso. Mas, ele tinha se ido por um mês inteiro e ela não se achava no direito de ficar na casa dele, não se sentia no direito de continuar na sua vida. Ela não o merecia. Mas ele estava aqui e agora irritado por ela ter deixado sua casa. Ele a queria... 




_Edward, olhe... 

_Não, me escute, sim? Por favor, eu vou ser rápido. 



Ele falou nervoso e ela estranhou. Ele passou a mão pelos cabelos, os assanhando, um forte indício de que de fato ele estava muito nervoso. 



_Eu quero que saiba que eu me arrependo das coisas que eu atirei para você, está bem? Eu fiquei magoado e me senti traído, eu pensei sinceramente que você só estava comigo para salvar seu mar... Aquele infeliz. Eu me arrependo das coisas que eu disse, de fato eu fui um imbecil e, se você nunca mais quiser olhar na minha cara, eu vou entender. Eu te amo e nunca duvidei do seu amor por mim, eu estava fora de mim naquele dia, mas depois que você me contou tudo, eu entendi o porquê de ter me escondido seu passado, mas... Neném por que fugiu de mim? Eu fui pegar a bolsa e quando voltei você já tinha ido, eu fiquei arrasado e mais enraivecido ainda, eu atirei minha frustração em cima de quem estivesse perto, eu briguei com a Rafa e ela me abriu os olhos, com murros e tudo.- Ele sorriu nervoso. Ela retribuiu o sorriso. 



_Eu te devo desculpas também, Ed. Eu não devia ter te escondido meu passado, eu quis te manter no escuro por que eu tinha medo do Caius te fazer mal, eu não suportaria isso. Espero que possa me perdoar algum dia. 



Ela disse isso e se virou para o balcão, pegando algumas latas e guardando no armário. Sentiu ele se aproximar dela e lhe enlaçar sua cintura, lhe tirando a lata da mão e colocando em cima do balcão. 



_Amo você neném, vamos passar uma borracha em tudo? Fingir que o último mês não aconteceu, que não ficamos separados, que eu não me comportei como um cretino filho da mãe e que eu não a magoei ao ponto de você fugir de mim? Você não sabe a agonia que me deu quando eu cheguei em nossa casa e não te encontrei. 



_Me perdoe também. – ela falou com a voz embargada pelo choro. 

_Já perdoei. 



Ele a virou para ele e tomou seus lábios com desespero. Lhe ergueu e a sentou na pia, entrou no meio de suas pernas, subindo o vestido, deixando ele enrugado nos seus quadris. Ele abriu o zíper na lateral da peça e desceu, deixando seus seios à mostra, seu seios lindos e suculentos ao alcance dos seus lábios, seus dentes e mãos. Ele os chupou, como quem chupa uma fruta madura. Sem pressa nenhuma, ele construiu seu prazer, dando e recebendo gemidos de entrega, total entrega. Estavam desnudando suas almas e seus corações um para o outro, novamente, como sempre faziam. 



_Preciso de você... Sempre. – ele disse ao seu ouvido e sentiu como ela tremia e sua pele arrepiava. 



Edward levou a ambos para o quarto, deitando com ela e, sem pressa nenhuma eles se amaram. Aos poucos, o descontrole foi tomando cada um em uma espiral crescente de prazer tão intenso que, quando alcançaram o clímax, ambos gritaram em abandono e se perderam um dentro do outro, como não podia deixar de ser, como sempre foi desde a primeira vez, atestando que pertenciam um ao outro e que nada nem ninguém os separaria. 

**************

Bella acordou e se ergueu, saindo de seus poderosos braços, que se aferravam ao seu corpo como se ela fosse um bote salva vidas. Ela se esgueirou calmamente e silenciosamente da cama, vestiu a camisa dele, aspirando seu cheiro. Ela o olhou dormindo de barriga para baixo, com a cara enterrada no travesseiro, enquanto abraçava o seu. Ela sorriu. Trinta dias era muito tempo, eram ambos teimosos e medrosos, ele não a tinha procurado porque era orgulho e a vergonha lhe impedia. Ela, por sua vez, estava apavorada de um novo confronto, com medo da reação dele caso a visse na sua frente. Até onde ela sabia, ele a culpava pelo que aconteceu com Emmett e Jacob e ela não queria ver aquele olhar no rosto dele novamente, uma vez foi o bastante. Mas mesmo separados, ela nunca deixou de cuidar dele, o amava, se preocupava com ele, quem lavaria as roupas ou cozinharia para ele? A comida da base era horrível, ele mesmo disse e, desde que ela começou a alimentá-lo, ele tinha ganhado peso e mais músculo, estava enorme e ela estava orgulhosa disso. 

Ela foi para a cozinha ver o que poderia fazer para o almoço, mas uma olhada pela janela fez com que mudasse de idéia. Iria fazer o jantar, pois ficaram na cama o dia todo. Olhou na geladeira e nas sacolas, procurando os ingredientes para fazer um risoto simples. Riu com a lembrança do seu coração disparado quando chegou em casa e viu o carro dele parado de qualquer jeito na sua calçada. Ela agradeceu enormemente a Erik quando ele passou perto dela e achou que ela estava precisando de ajuda com as sacolas, ela tinha acabado de tirá-las da caminhonete. Ela riu mais ainda quando lembrou do susto que o pobre tomou quando Edward gritou com ele, ela se segurou para não rir da forma que Edward olhava com o cenho franzido, estava enciumado e ela ficou feliz com isso. 



A chuva caia fina e constante, Bella estava colocando a mesa, quando o sentiu atrás de si. Ele era silencioso, mas ela o sentia muito bem. Eram duas partes de um todo, ambos se completavam simultaneamente. 

_Vamos comer fora, não quero você se matando no fogão. – ele disse, lhe abraçando e colocando a cabeça em seu ombro. 



Ela sentiu a ausência de roupas, ele estava totalmente nu e sua ereção lhe fazia sentir arrepios. E com certeza não era de frio. 



_Já acabei, estou só arrumando a mesa, vá tomar banho, estou morta de fome. 

_Vem comigo? – ele chamou, lhe beijando o pescoço e se apossando do seio direito. 



Ela tirou sua mão com muito custo, estava muito bom... 



_Não, se eu for com você não sairemos de lá nem tão cedo e eu estou realmente faminta. 

_Está bem. – ele suspirou dramaticamente e lhe deu um apertão na cintura, antes de soltá-la e ir para o banheiro. 



Bella riu e voltou a arrumar a mesa. A campainha tocou e ela foi olhar da janela com um sorriso na cara, sorriso esse que se apagou instantaneamente quando ela viu quem era. Edward teria um ataque. E o pobre homem uma morte prematura. 



_Pois não? – ela falou da janela, se debruçando para olhar para baixo. 

_Bella! Eu posso entrar? – Mike falou todo sorridente. 



Será que ele esqueceu de que tinha quase quebrado o seu braço e que, por conta disso, Edward quase arrancou o dele? 

_Acho melhor não, Mike. 

_Eu só quero agradecer pelo jantar. 

_De nada, sua mãe está melhor? Ela gostou da sopa? 

_Claro, ela amou, aliás, ela ama tudo o que você faz. Posso entrar? 

_Olha Mike, eu acho melhor não. O Edward está aqui e ele não vai gostar nada de te ver. Você se lembra da última vez, não é? – Bella falou para ver se ele se tocava. 

_Olhe, me desculpe por ter feito aquilo com você, eu estava bêbado e... Bom, me desculpe. – ele falou meio que tropeçando nas palavras e cambaleando um pouco. 

_Desculpas aceitas, agora, por favor, vai para casa, você andou bebendo de novo. 

_Só umas cervejas... 

_Vai Mike e... 



A porta de sua casa se abriu e ela olhou, com os olhos arregalados, Edward sair de lá e calmamente se dirigir para o Mike. Ele estava só de toalha. Bella correu escada abaixo, bem na hora em que Edward segurava a gola da camisa do pobre homem. 


_O que eu te disse sobre chegar perto da minha mulher novamente? 

_Eu... 

_Exatamente! Tenho que lhe mostrar que ela não está disponível? – ele praticamente rosnou as palavras com a cara grudada na de Mike. O pobre homem ficou branco. 

_Edward, por favor, solte-o, ele está bêbado. Não vê que não diz coisa com coisa? – Bella falou, tentando tirar as mãos do seu namorado do pescoço de Mike. 



Edward o soltou calmamente, ele saiu de lá andando tranquilamente. Não estava bêbado, ele mentiu para ela. 



_Vamos entrar, está frio e você está só de toalha. – ela falou abraçada a ele. 

_E você está só com a minha blusa, neném. Venha, não quero ninguém secando o que é meu. 



Eles entraram abraçados e foram para a mesa, jantaram e em seguida fizeram o programa favorito. Assistiram a Discovery deitados no sofá. 



_Amor, tenho que voltar amanhã cedo para a base. Faça uma mala pequena, você vem comigo.- ele disse, lhe beijando os cabelos. 

_Porquê? – ela falou, se erguendo e indo para o quarto. Ele desligou a televisão e a seguiu, apagando as luzes. 

_Por que é mais seguro, lá eu posso ficar de olho em você.- ele falou, enquanto tirava a toalha e ficava só de cueca boxes. 

_Não é ciúmes, não né? – ela falou sorrindo e ele a acompanhou. 

_Não. É cuidado mesmo. O Caius, ele... Ele está com os celulares do Emm e do Jack, ele está ligando e ameaçando meus homens e o meu celular de contato ficou com você. Você atendeu alguma ligação dele nesses trinta dias?- ele falou, enquanto afastava os lençóis e afofava os travesseiros. 



Ela o olhou e, seriamente, se virou e pegou na sua gaveta da cômoda o aparelho preto, o entregou e se virou para o guarda roupa, pegou uma camisola branca, que chegava um pouco abaixo da bunda, tirou a camisa e vestiu a peça transparente. Sentou na penteadeira e escovou os cabelos. Ele estava sentado na cama, encostado na cabeceira de braços encruzados a observando. Quando ela veio ao seu encontro, ele abriu os braços e ela se jogou neles. Se beijaram e ela se aconchegou em seus braços fortes e quentes, apoiando a cabeça em seu peito e lhe rodeando a cintura. 



_Ele tem me ligado nos últimos quinze dias. – ela disse e lhe beijou o peito bem em cima do mamilo que enrijeceu automaticamente.- Ele ficou surpreso quando eu atendi na primeira vez, ele achou que era você, ele juntou dois e dois e deduziu que dava vinte e dois. 

_Não entendi. – ele falou, lhe beijando os cabelos e amando o cheiro de morangos que desprendiam deles. Estava morrendo de saudades desse cheiro. 



_Ele acha que eu estava todo esse tempo sob a guarda de vocês, que no dia em que eu fugi foram vocês que me levaram. Era sua equipe lá? 

_Sim. O Demetri, ele era um policial do DEA disfarçado, estava sob minhas ordens, mas ele se afeiçoou muito a você. 

_Ele me ajudou muito Ed. Sem ele, eu não teria sobrevivido, ele morreu tentando me salvar. Ele levou o tiro no meu lugar, ele... 

_Shiiiii... Não chore amor e se eu disser que ele está bem vivo e que pergunta por você dia e noite? 



Ela se ergueu e o fitou de olhos arregalados. 



_É brincadeira? Por que se for é uma coisa muito cruel o que está fazendo comigo, Edward Cullen! 



Ele riu e tentou puxá-la para seus braços, mas ela se afastou, se recusando a deixá-lo lhe amar sem receber sua reposta antes. Ele suspirou e a olhou. 



_Ele está vivo Bells, conseguimos tirá-lo de lá a tempo, ele estava em coma, acordou o mês passado, tem falado muitas coisas, mas... Não lembra nem da metade, amnésia depois de estar tantos anos dormindo é comum, mas é tão frustrante estar tão perto e ver tudo escapar por entre seus dedos que... 



Ele suspirou e ela engatinhou para o seu colo, ficando sentada com as pernas rodeando seu quadril. Os seus bracinhos estavam em torno do seu pescoço e ele amou essa sensação, um mês longe disso era demais. 



_Será que não tem nada nas coisas que eu trouxe que sirva para prender Caius? 

_Não sei amor, tenho que dar uma olhada. Eu preciso voltar para a base e eu necessito de você lá comigo, não vou conseguir me concentrar em nada sabendo que você está aqui, sozinha, eu... 

_Não estou sozinha Ed, eu vou todas as tardes para a casa dos seus pais e só volto à noite, algumas vezes, quando Carlisle está de plantão, eu durmo lá com Esme. Tem homens seus lá vigiando a casa, eu pensei que tinham te dito, eles me vêem todo dia. 

_Não me disseram nada. – ele falou sério e ficando irritado. 



_ Vai ver eles achavam que porque nós brigamos, você não queria saber de mim, mas eles me protegiam também sabe, eles me levavam para as faxinas e me buscavam, James é muito doce e muito legal, ele e Laurent são gente boa. Eles brigaram comigo nas primeiras vezes em que saí para trabalhar, alegando que você ficaria furioso. 

_Eles não mentiram, nem exageraram, neném. 

_Eu dizia que você não se importaria, porque você tinha terminado comigo, então eles não tinham por que contar para você e que também parassem de andar atrás de mim. É logico que não me deram ouvidos. Você soube, não é mesmo? 



Ela disse emburrada e ele sorriu, lhe apertando mais. 



_Seus clientes ligavam para o seu celular que estava comigo, eles achavam que eu estava dando os recados para você. 

_Eu achei que o Laurent tinha pego o meu célular, já que eu não o encontrei em canto algum e eu também o vi vasculhando o apartamento. 

_O Laurent fez uma varredura aqui? 

_Foi. 

_Certo... 

_Meus clientes vieram me procurar e eu voltei a fazer faxina. Precisava de dinheiro. 

_Não precisava porcaria nenhuma, Isabella! Eu mandei o dinheiro. E você devolveu. – ele falou e Bella percebeu que ele estava realmente zangado agora. 

_Amor, nós tínhamos terminado, por que eu iria continuar recebendo dinheiro seu? 

_E quem disse a você que tínhamos terminado? – ele falou a segurando pelos ombros e a erguendo. 

_Nós brigamos e... 

_Isso mesmo, nós brigamos, todo casal briga, é comum. Mas eu não terminei com você. Nunca poderia fazer isso Bella. Neném, você é minha razão de viver, deixar você seria o mesmo que arrancar meu coração. Eu preferiria isso a ficar sem você. A morte é aceitável, viver sem você não. 



_Oh Ed... 



Ela lhe beijou, se pregando a ele e ele deixou que ela ficasse no comando, por enquanto. Quando ela começou a se esfregar nele, ele não pôde mais se controlar e, a segurando forte, deitou com ela por cima e lhe ajudou e se livrar da camisola e tirou a cueca às presas. Ele entrou devagar e se movimentou calmamente, queria que esse momento durasse o máximo possível, ele gostava que ela ficasse por cima, por que ele amava observar as sensações que passavam por seu lindo rosto, ele a amava e nunca mais deixaria que seu temperamento ou mentiras e segredos os afastassem. Ele se asseguraria de mantê-la sempre ao seu lado. Ele observou, fascinado, quando ela alcançou o prazer, lhe prendendo dentro dela como um todo, seu casulo de prazer lhe apertando, lhe drenando e ele não pôde mais se negar a dar a ela o que ela tanto queria, ele se derramou dentro dela, sua semente bateu fundo nela e ele pediu a Deus que ela tivesse esquecido de tomar os comprimidos nesse último mês. 



******* 


Tinha um barulho infernal no quarto e Edward rosnou para o som, mas o infeliz continuava. Ele abriu os olhos e olhou para o despertador. Uma da manhã. Ele procurou o celular. Agora que estava desperto, ele conseguiu identificar o som do seu aparelho. Ele atendeu, prometendo que estrangularia quem quer que fosse por se atrever a atrapalhar sua noite de sono decente, a primeira em trinta dias. 



_Alô. – ele falou irritado. 

_Você não é minha mulher. – Edward reconheceu a voz no mesma hora. 

_Caius. 

_Edward, eu posso perguntar o porquê de estar falando com você e não com minha esposa? – ele falou educadamente. Edward quis esmagar a cara desse safado. 

_Ela está dormindo. – Edward falou no mesmo tom e fez questão de não por a mão na boca para esconder o bocejo. 

_E você sabe disso porquê? 



Ele falou e Edward sentiu que ele estava tentando se controlar. Ele aproveitou a abertura. Foi para a sala e pegou o seu notebook e acessou a base, mandando os dados para o seu computador lá. 



_Porque eu também estava dormindo?- Ele falou como se fosse uma pergunta. 

_No quarto ao lado, eu suponho. 

_Supõe errado. Eu estou dormindo no mesmo quarto dela, na mesma cama e, muitas noites, eu durmo dentro dela. Ela é minha, Caius, você perdeu. 

_Ela é casada, sabia? – ele falou, trincando os dentes e Edward riu, ele gargalhou para falar a verdade. 

_Você me disso isso, assim que eu atendi o telefone. 

_Ela é minha propriedade... 

_Isabella Cullen não é propriedade de ninguém.- Edward falou o cortando. 

_Ela é Isabella Volture, seu... 

_O que foi Caius? O arsenal de palavrões e ameaças se acabou? Ou você só os usa quando é com mulheres? Eu sou demais para você? – Edward falou, debochando dele enquanto seus dedos corriam soltos pelo teclado. 

_Eu vou matá-lo, seu bastardo de merda, e vou pegá-la de volta, ela me pertence e ninguém vai tirá-la de mim!!! 

_Você é confiante, gosto disso. – Edward colocou o celular no viva voz para que tivesse as duas mãos disponíveis para mexer nos botões. 

_Ela é minha!!!- ele gritou do outro lado da linha e Edward ouviu algo se partindo e o grito de uma mulher ao fundo, ele trincou os dentes de raiva. Queria dar um tiro na cara desse desgraçado. 

_Ela nunca foi sua, sempre foi minha, eu a busquei aí a três anos atrás, ela está comigo desde esse dia.- Edward mentiu na cara dura, seu aparelho soou um aviso de procura e ele sorriu, o observando trabalhar. 

_Ela estava com você todo esse tempo? Por que ela não me disse isso quando eu perguntei? 

_Porque ela não quis? Ela está bem, está viva, está linda. E é minha. E o melhor de tudo... Eu vou encontrar você e acabar com a sua raça. – Edward falou sério, colocando ênfase em cada sílaba pronunciada. 

_Se esquece que tem que me encontrar primeiro. Me diga Edward, seus amigos estão bem? Os dedos de Emmett estão aqui comigo, se ele os quiser de volta... 



_Eu vou arrancar os seus, seu filho da puta!!! VOCÊ NUNCA VAI CHEGAR PERTO DELA! ANTES EU ARRANCO SUA CABEÇA, SEU FILHO DA MÃE!!! 

_Bravas palavras, mas não se esqueça que a última mulher com quem você se envolveu acabou com uma bala encravada na testa, cuidado para que Isabella não tenha o mesmo fim que a Débora. Ela era tão linda... 

_Você testa sua sorte Caius. – Edward falou calmo. Por dentro estava descontrolado. 

_Não, você testa a sua e convida a morte para sua porta. Isabella é minha mulher e eu vou buscá-la. Nenhuma cidade é tão pequena que não possa ser achada através dos meios corretos, não acha? 

_Se você quiser acabar em pedaços, se aproxime de minha mulher. – Edward disse de olho na tela do computador, o safado estava se mexendo, o rastreador não conseguia uma posição segura. Merda! 

_ELA É MINHA MULHER, NÃO SUA!!! - ele respirou fundo e voltou a falar calmo -Não importa se você está fodendo ela pelos últimos três anos, ela será minha e eu darei o castigo que ela merece por me abandonar e me trair. 


Ele desligou o telefone e Edward desligou o celular. O computador apontava um ponto no mapa de onde tinha partido a ligação de Caius e ele não gostou do que viu. Não mesmo.

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