Capítulo 04
As rodas do lamborghini murcielago deslizavam pelo asfalto molhado, enquanto os relâmpagos cortavam os céus e uma chuva grossa, com ventos fortes, açoitava Seattle. No interior do carro, Bella estava sentada, sua cabeça voltada para ele, que dirigia concentrado na estrada. O que ela agradeceu muitíssimo. Ele lhe olhou rapidamente e ela lhe sorriu. Ele pegou sua mão, entrelaçando seus dedos. Estava quente dentro do veículo e Bella se aconchegou melhor no casaco dele, que estava jogado no banco de trás, antes dela reivindicá-lo para si.
_Tem frio neném?
_Não, está ótimo, se esquentar mais fica desconfortável.
_Calor e conforto nunca são demais Bella, eu sei.
_Você não gosta de frio. – Não foi uma pergunta.
_Não. Não gosto do frio, nem da neve, nem de chuva.
_Onde você passa seus natais e feriados?
_ Viajando a trabalho, para algum lugar bem quente.
_É, você não é adepto do aconchego em uma noite fria em frente à lareira, uma taça de vinho, um amorzinho...
Ela falou encarando-o e ele riu, sem lhe olhar. Pegou suas mãos juntas e levou aos lábios, beijando os nós dos dedos demoradamente.
_Sou totalmente adepto a tudo isso.
_Hum...
Ela resmungou, fechando os olhos e se concentrando nas carícias que ele estava fazendo em seus dedos.
Chegaram a um enorme e luxuoso prédio, aonde ele conduziu o carro para a garagem, estacionou e um homem enorme veio abrir a porta dele. Em seguida, Edward estava ao seu lado, abrindo sua porta. Ele a escoltou até um elevador escondido em um canto. Ela nem o teria notado se não fosse a luz que brilhou entre as portas, antes dele se abrir. Edward tinha um diminuto controle na mão. Eles entraram em silêncio. Bella viu ele fazer algumas ligações e tentou não prestar atenção ao que falava, mas ouviu as palavras “seda”, “Champanhe”, “morangos” e “não incomode”. Ela sentiu seus dedos dos pés enrolarem dentro dos sapatos. A noite prometia!
A cobertura era linda. Ele a apresentou a cada canto do enorme lugar. Se via Seattle inteira daqui de cima, totalmente iluminada e tomada pela chuva, que batia nas paredes de vidro da sala. Quase todas as paredes do apartamento eram de vidro. Bella se sentia como um rato em uma grande caixa de vidro de um laboratório. Ela o observou ir até o bar, descartando a camisa pelo caminho. Seus músculos ondulavam a cada passo e ela salivou com a imagem. O viu tirar as botas e o imitou, descartando os sapatos. Ele continuou de costas para ela, pensativo e silencioso, mai Bella já estava se acostumando com esse rasgo de sua personalidade. Ele estava preocupado. Provavelmente com ela e por ela. Se dispôs a ir até ele, o abraçando pela cintura. Sentiu ele lhe puxar as mãos para cima e beijar seus dedos, chupando dois rapidamente. Virou-se para ela, sorrindo.
_Quer tomar um banho?
_Sim, eu gostaria.
_Meu quarto é por aqui. Quando tiver terminado, estarei no meu escritório, que é nessa sala aqui.
Ele apontou para uma porta que eles acabaram de passar ao lado. Bella assentiu e continuou andando. Ele a levou por um longo corredor, decorado luxuosamente. Tudo ao redor dele era luxuoso, totalmente fora do seu mundo simples. Aqui, o dinheiro era esbanjado como se fosse mero papel velho descartado, diferente do seu estilo de vida, em que cada centavo era importante, economizado para futuras despesas e para comida. Ela não sabia de onde Edward tinha saído, de que “Berço” tinha vindo, mas parecia que tudo à sua volta não o fazia feliz. Por mais que estivesse cercado com o que há de bom e melhor no mundo... Continuava frio e vazio.
Seu celular tocou e ela observou ele segurá-lo, antes de puxá-la para seus braços.
_Tome seu banho, tenha seu tempo de paz, antes que eu invada o banheiro e tenha você presa contra a parede e meu corpo.
Ela engoliu seco, por que as palavras dele eram promessas que seriam cumpridas. Pensou em fechar a porta à chave, mas uma olhada em seu rosto soube que ele tinha adivinhado seus pensamentos.
_Não tranque a porta, seria um desperdício de uma ótima madeira se eu tivesse que quebrá-la para ter meu caminho até você.
Saiu, deixando-a parada no meio do quarto. Levou o celular ao ouvido, enquanto fechava a porta.
_Onde eu estou me metendo, pelo amor de Deus... – Bella sussurrou, antes de se despir e ir para o banho quente.
{***}
Edward refletia sozinho, no silêncio de seu escritório. Tinha visto e revisto o vídeo que seus homens tinham mandado para ele há meia hora. A casa dela tinha sido invadida. Ele segurava, junto à testa, o celular. Seu punho, bem fechado, estava de encontro a sua boca. Estava de cabeça baixa, concentrado. Seu inimigo tinha começado a agir, tinha dado sua primeira tacada. Ele tinha muitos inimigos. O seu mundo era assim. Quando você fazia muito sucesso, você era um alvo e tudo ao seu redor virava isca para pegar você. Por isso que ele não tinha um relacionamento sério, por isso suas companheiras não tinham importância para ele, apenas uma válvula de escape e nada mais. Por isso, ele vigiava sua família com mãos de ferro. Tinha dado certo todos esses anos. Mas aí veio ela.
Isabella.
Isabella que tinha entrado em sua vida, como um furacão.
Isabella que tinha mexido com seus sentidos e o feito rever seus conceitos sobre manter alguém tão próximo, ao invés de no comprimento de um braço.
Isabella, com sua risada cristalina e autêntica. que expulsava o frio do seu interior. Não aquelas risadas forçadas, que o fazia rosnar em frustração, pois sabia que nada do que dissesse era recebido de boa fé. Apenas seu dinheiro era bem quisto e bem vindo. Ele estava acostumado, quando criança a fazer parte de um mundo frio e sem emoção maior do que o medo de morrer de fome ou frio ou ser estuprado por homens que não queriam saber se era menino ou menina. Ele lutou muito para que isso nunca acontecesse com ele. Quando adulto, descobriu que a riqueza e o poder vinham acompanhados com inveja e outras merdas.
Quando Carlisle o encontrou e o cuidou junto com Esme ele se sentiu... Humano, ao menos um pouco. Quando entrou para os Marines, ele achou que tinha encontrado seu lugar no mundo. Quando saiu dos Seal e fez sua fortuna com sua empresa de segurança, disse a si mesmo que agora sim estava realizado e feliz. Mas, à medida que seus dias passavam, ele ia vendo que nada estava bom, seu trabalho, sua família. Sua vida era cinza, morta, pontuada aqui e ali de momentos coloridos. No mais, era tudo cinza e sombrio. Ainda era aquele garoto de rua amedrontado e morto de fome, que vasculhava em lixeiras seu próximo alimento, que brigava com cachorros por restos de comida.
Ele olhou ao redor. Tudo à sua volta denotava o poder do qual usufruía, tudo à sua volta era uma clara e deliberada demonstração de poder e superioridade. Ele podia ter esse nível de conforto e de luxo. Ele era o homem do momento... Então, olhando ao seu redor agora, por que sentia que tudo isso não valia de nada sem o sorriso dela à sua frente para lhe esquentar a alma? Suspirou e se ergueu, indo procurá-la. Necessitava senti-la mais uma vez e outra vez, até que se saciasse dela, até que tomasse tudo o que ela tinha para oferecer... E entregar a ela tudo o que ele tinha também. Sua obsessão. Ele a tinha transformado em sua obsessão.
Ele a encontrou sentada no sofá do quarto. Vestia apenas a camisola que ele tinha providenciado para ela, seus cabelos molhados, pingando na seda, deixando ver os seios turgidos. Mas quando ele foi para ela e ela ergueu os olhos, ele estancou no lugar. Por apenas alguns segundos, ele não pôde se mexer. O que viu em seus olhos o quebrou por dentro. Era dor, pura e crua! Uma grande perda se via refletida em seus olhos chocolates.
Bella estava sentada no sofá, suas mãos penduradas em seus joelhos. Estava estática. Sua casa... Sua querida casinha, revirada, seus pertences quebrados... Ela ouviu seus passos pelo apartamento, entrando no quarto e se detendo na porta, em seguida andando para ela. Ela ergueu os olhos para vê-lo e ele parou em seco, antes de correr para ela. A abraçou e colocou-a em seu colo, ela não pode fazer nada mais do que se recostar nele... E chorar...
_Neném, o que houve? Olhe para mim querida.
Ela o olhou. E ele viu a angústia, o medo e a impotência estampada em seus olhos.
_Neném o que houve? Fale para mim. – ele sussurrava, com ombro em seus cabelos, alisando suas costas, enquanto ela deitava a cabeça em seu ombro.
_Minha casa... – ela o sentiu ficar rígido. Então ele já sabia também? _Me diga o que houve com minha casa.
_Quem te contou isso?
_Jéssica me ligou agora, ela disse que invadiram minha casa e quebraram tudo, eu não sei... Não tenho nada de valor, eu...
_Chiii... Estou aqui, nada vai atingir você neném. Eu cuidarei de tudo.
_Você sabe quem fez isso com minha casa e o porquê?
Ele não respondeu e Bella soube que ele sabia, mas escondia dela deliberadamente. Ergueu-se de seu colo, se afastando quando ele tentou lhe segurar de volta.
_Quero toda a verdade sangrenta – Ela disse de forma dura, sem deixar margem para que ele negasse. Se fosse entrar de cabeça nisso que estava acontecendo entre eles, ela queria a verdade. Sem isso não teriam nada, não baseariam o que tinham em mentiras. Mentiras estavam fora do jogo.
_Agora eu não posso falar neném, tenho que cuidar de algumas coisas...
_É minha casa! É tudo o que tenho e foi praticamente destruída! Me fale, droga! O que raios está acontecendo aqui! Onde eu estou me metendo?
_Fique calma e deixe que eu cuide disso para você.
Ele se aproximou dela, mas ela deu alguns passos para trás, negando deixar que ele a consolasse.
_Não me toque! Me diga o que está acontecendo! Eu tenho o direito de saber, eu quero saber ou eu vou pessoalmente lá e descubro a verdade que você está deliberadamente escondendo de mim!
_Você vai deixar esse assunto para mim! - ele mordeu fora. E ela negou com a cabeça, se afastando e catando suas roupas, vestindo-as apressadamente. Ele a pegou por trás, a imobilizando. Bella chutou e lutou, mordeu suas mãos, mas ele não a soltou.
_Fique calma, está tudo lá! Acalme-se, histeria agora não vai adiantar nada.
Ela começou a chorar baixinho, soluços rasgando de dentro dela, o matando aos poucos pois era culpa dele. Ele a abraçou mais apertado, tentando tirar sua dor.
_Você vai deixar que eu cuide de tudo, por que você sabe que eu nunca faria nada para lhe magoar ou lhe machucar neném. Eu prometo isso.
Bella não pode fazer mais nada que concordar. Em partes, pelo menos.
_Quero voltar para minha casa, Edward. Preciso.
_Não.
_Mas eu preciso ir para lá, é tudo o que eu tenho.
_Eu disse não! Eu estou tomando conta das coisas aqui e que me mordam o rabo se eu deixo você entrar lá e ser morta!
Ela ficou calada, vendo ambos pelo imenso espelho que servia de cabeceira para a cama gigante dele, o medo e a raiva brilhar em seus olhos verdes. Respirou fundo.
_É tudo o que tenho... E tudo o que eu peço para você.
_Não.
_Limpe a área então, cuide para que minha casa esteja segura. Eu deixo você fazer as melhorias que quer fazer desde o segundo que pisou os pés lá. eu apenas quero voltar para minha casa. Eu não quero ficar aqui.
Ela gemeu de dor e ele fechou os olhos em agonia.
Ele se viu impotente diante de seu pedido suplicado. Ela não queria morar com ele, ela queria seu canto seguro. Ele entendia isso. Raios! Ele sabia o que era isso melhor do que qualquer um, só que era difícil como o inferno deixá-la partir. Ele a soltou devagar e se virou, saindo do quarto. Esfregou as mãos em seu rosto com força, forçando sua mente a trabalhar, forçando sua expressão a se acalmar.
Ele foi para o escritório e ela o seguiu, ainda com as roupas nas mãos. Ele ligou para seus homens, pedindo relatório. Emmett e Jacob estavam lá, o que o deixou bem mais calmo. Ângela estava lá também, dentro do SUV, muito bem guardada, por que Jacob morreria se algo acontecesse com sua mulher. Ela estava o mantendo a par de tudo. Falou com ela por alguns minutos e, em seguida, desligou. Se virou para Bella e ela estava encostada na parede, com os olhos inchados e lágrimas descendo por suas bochechas.
_Eu quero ir para minha casa. – Ela sussurrou.
_De acordo, mas, vai ficar aqui até que tudo esteja pronto. Sem questionamentos, sem desobedecer Bella.
_Por quê?
_Porque preciso me certificar se está tudo em ordem e organizar suas coisas. Será por pouco tempo. Aí você pode ir para sua casa.
_Tenho escolha?
_Tem. Suas escolhas são sim e sim.
Ela suspirou, acenando com a cabeça.
_Sim.
_Boa garota.
Ele falou, o alívio tomando seu corpo em uma lavagem cálida e refrescante por saber que a teria ao seu lado por um tempo, mesmo que fosse curto esse tempo.
Os cinco dias que se seguiram não foram os mais tranquilos para os dois. Bella estava muito ansiosa para ficar quieta e muito irritada, porque ele a deixava no escuro. Ele era como Rick, sempre a subestimando, achando que ela não daria conta e isso a deixava subindo pelas paredes. Quando acordava, ele já tinha saído; quando ia dormir, ele ainda não tinha chegado. Sempre o sentia no meio da noite a abraçando, cuidando-a, amando-a mesmo em seu sono. Estava vivendo em uma bolha de stress e hoje tinha sido a gota d’água. Pela primeira vez em cincos dias, ele tinha chegado cedo em casa. Estavam jantando, quando ela perguntou se o perímetro estava limpo para que ela voltasse para casa. Ele resmungou, dizendo que ela estava em casa. Ela disse que não. Ele disse que aqui era melhor do que sua casa velha. Ela jogou vinho em sua cara e se ergueu da mesa, se afastando com raiva dele, pegou sua bolsa e tentou sair do apartamento. Ele a segurou com raiva e a empurrou na parede, a segurando com força uma mão nos quadris e a outra em seus cabelos, puxando-a para ele, para que o olhasse nos olhos. Ela viu o desejo cru refletido nas íris verdes.
_Não faça mais isso. – ele atacou seus lábios com força, a persuadindo a se abrir para ele, a se entregar a ele. Sem reservas, sem medos.
_Não fazer o que?
_Fugir de mim.
_Não tentaria se você me dissesse o que está acontecendo.
_Não quero que se preocupe.
_Eu quero me preocupar, não pode me guardar em um aredoma.
_Inferno que posso e sim e é o que farei. – ele grunhiu, a olhando com intensidade.
Ela ficou parada, olhando para ele, sem fôlego. Tentou se soltar, mas ele apertou seu agarre em seu corpo. Negou com a cabeça, lhe mandando um aviso que não ousasse se afastar dele nesse momento.
_Deixe-me ir, quero sair daqui, estou sufocando dentro desse apartamento. Não sou como suas mulheres que gostam de viver em uma coleira.
_Não tenho outras mulheres, inferno! Apenas você, será que não vê?
_O que eu vejo é que o seu mundo é muito diferente do meu. Eu sou simples, nasci simples. Minha vida sempre foi difícil sim, nunca tive seus luxos, não nasci em berço de ouro como você, nunca tive nada de graça, nunca tive sequer uma bicicleta quando criança.
_E você acha que eu tive? – ele perguntou sério, com os dentes trincados.
_Provavelmente seu pai lhe comprou a fábrica inteira só para lhe satisfazer.
_Você acha que sabe tudo de mim, não é?
_Eu sei que pessoas como você são secas por dentro.
Bella estava tentando, com todas as forças, lhe machucar, lhe dizendo todas essas palavras para que ele a soltasse e a deixasse em paz. Queria sair de perto dele, porque o amava e esse amor estava lhe fazendo mal. Apesar de que não saberia o que fazer quando ele a deixasse em paz de vez. Ele tinha se tornado muito especial para ela em tão pouco tempo que assustava. Droga, mas isso era aterrorizante!
Edward a deixou deslizar por seu corpo e se afastou dela, dando alguns passos para trás, mas sem desviar os olhos. Abriu a camisa e apontou para uma pequena cicatriz torta ao lado do pescoço.
_Briga de rua, por um pedaço de pão que uma mulher me deu. Um dos meus companheiros achava que eu, por ser pequeno e franzino, não merecia comer e me atacou com um caco de vidro. Estávamos há dias sem comer nada. Foi a última vez que me juntei a algum grupo.
Ele apontou para as costelas, onde tinha um marca de mordida. Era de cachorro. Ela mesma tinha uma quando o animal do vizinho a atacou, quando tinha cinco anos.
_Estava frio e eu estava com fome, achei em uma lata de lixo de um restaurante algumas sobras. Pena que o dono tinha um cachorro que vigiava para não deixar ninguém tocar lá.
Ela engoliu em seco, quando as palavras dele foram entrando em seu cérebro. Ele vivia nas ruas?
Ele lhe mostrou uma marca de faca nas costas.
_Um homem das docas, que tinha voltado do mar depois da pesca, achou que seria muito interessante tomar a força uma criança. Ele não se importou se eu era menino ou menina, ele queria se aliviar.
_Oh meu Deus... Onde você estava... Ele ...
_Eu dormia atrás de alguns barris e não, ele não conseguiu, mais eu ganhei essa cicatriz. Eu não nasci em berço de ouro Bella, eu nem sequer sei quem são meus pais. Eu fui um garoto de rua desde que me lembro.
Ele se afastou para o bar, mas não tocou em garrafa nenhuma. Ao invés disso, ele se virou para a parede de vidro, seu físico delineado pelos raios da lua e pelo brilho fraco de um abajur. Ele encostou a cabeça no vidro, pensativo. Era como se estivesse mergulhando em suas lembranças, se afundando no passado, sem saber se poderia voltar depois.
_Eu conheci um casal uma vez, eles cuidavam de mim de vez em quando, quando eu aparecia por lá. Eles não tinham muito, eram pobres, mas sempre cuidavam de mim com o que podiam.
_Quantos anos você tinha?
_Dez anos.
_Sua vida...
_Não foi fácil, bebê. Eu passei fome, levei surras, estive mais tempo doente do que quase toda a população de Seattle. Eu era um menino fraco, como todos os que moram na rua tentando sobreviver a cada dia. Às vezes roubando, às vezes fazendo coisas, que você acharia asqueroso e repugnante, para sobreviver mais um dia.
_Você se prostituiu?
_Não, mas não é incomum que isso aconteça. Mas eu tinha sexo. Com regularidade. – ele a olhou e sorriu de lado. Ela retribuiu, se aproximando dele devagar. Ele se virou para a janela outra vez. _ Às vezes fazíamos isso para ter um pouco de carinho, afeto. Eu nunca forcei alguma menina, eu as protegia. Tinha um bordel que eu ia às vezes. Sempre tinha algum trabalho, sendo lavando os copos ou colocando o lixo para fora e algumas das mulheres de lá me... Você sabe, era frio nas ruas, ninguém, em sã consciência, desperdiçaria uma cama quente.
_Quantos anos você tinha?
_Quatorze.
_Uma criança.
_Eu deixei de ser criança muito cedo, bebê. As ruas nos fazem crescer muito rapidamente.
Ele falou, olhando em sua direção por pouco tempo. Depois voltou para sua posição, cruzando os braços no peito, como se com esse gesto espantasse o frio.
_Carlisle me encontrou, meio morto, atrás de sua casa. O inverno desse ano tinha sido demais, a neve caia muito intensamente. Eu não tinha encontrado vaga nos abrigos, tinha levado uma surra de uns caras, filhinhos de papai, que achavam engraçado praticar tiro ao alvo com um garoto de rua.
Ele mostrou a marca do tiro, bem abaixo do peito, no lado direito. Ela tremeu, se abraçando. O olhou de longe, lágrimas picando suas pálpebras. Era como se tivesse ácido em seus olhos. Ela chorava por ele e por tudo o que tinha vivido quando criança. Deus! E ela aqui reclamando de não ter ganho uma bicicleta quando tinha nove anos. Edward nem sequer tinha perspectiva de acordar vivo aos noves anos!
_Carlisle e Esme cuidaram de mim. Eles não podiam ter filhos, me adotaram, me amaram, me deram educação. Mas eu nunca pude retribuir o afeto deles, sempre desconfiado de que algo ruim iria acontecer, de que, a qualquer momento, tudo o que eu tinha iria ser arrancado de mim como sempre foi. Achavam que eu me concertaria com o tempo, mas, eu não tenho concerto, Bella. Estou quebrado. A minha vida inteira. Não tem concerto para mim.
_Ed...
_As pessoas que me ajudaram... O casal que cuidava de mim às vezes, eu procurei por eles. Eu preciso que você entenda que eu não os abandonei eu revirei meio mundo tentando encontrá-los. Eu tinha os meios, agora era dos Marines...
_Você era Seal?
_Capitão.
_Legal, eu sempre tive uma queda por homens de farda.
Ela brincou com ele, tentando amenizar o ambiente, enquanto suas lágrimas caiam sem parar. Ela tentava manter o sorriso e o ar de picardia para ele.
_É bom saber disso, talvez eu vista minha farda para você.
_Eu adoraria.
_Eu não os encontrei... Eu soube, mais tarde, que tinham morrido. Eu já tinha saído dos Marines, já tinha montado minha própria empresa de segurança.
Ele foi para ela e se jogou no chão aos seus pés, abraçando-a pela cintura fortemente.
_Eu quero que você diga que acredita em mim, eu não os abandonei, eu voltei por eles, mas chegaram neles antes de mim. Bebê, eu nunca faria nada para te magoar propositalmente.
_Eu sei...
Ela sussurrou, alisando os cabelos dele, sem entender o porquê de suas palavras, o porquê que ele queria que ela acreditasse nele sobre o casal.
_Eu acredito em você, Edie. Eu acredito em você.
E era verdade, ela sabia que ele nunca a machucaria, que ele não foi o responsável pela morte de Rick. Acidentes aconteciam, tragédias aconteciam com um monte de pessoas e ela não estava isenta disso.
_Perdão por ter dito aquelas coisas pra você, Edward, eu não queria ter te magoado...
_Queria sim, você foi direto no osso por que queria que a ferida fosse profunda. Eu entendo você bebê. Eu, mais que ninguém, entendo. Eu te mantive trancada e no escuro. Só queria te proteger.
_Eu sei.
Ela se abaixou para ficar no nível dele e segurou seu rosto, trancando o olhar com o dele.
_Eu não vou mais questionar suas atitudes. Eu sei que você quer me manter segura, mas eu quero, quando tudo estiver arrumado, voltar para minha casa. Eu não vou te expulsar de lá, nem de minha vida outra vez.
Ele a olhou por um longo tempo. Apenas com os olhos postos nela, dizia tudo o que ele estava sentindo. E,la o puxou para si e o abraçou. Ele se soltou e lhe beijou delicadamente como nunca antes tinham se beijado. Era diferente esse beijo e alcançou os cantos mais profundos do seu coração. Ele a soltou devagar, lhe acarinhando os cabelos.
_Você é minha obsessão, meu fetiche, minha confusão. Você, neném, é a única que eu quero a noite ao meu lado. E, ao acordar de manhã, é o seu cheiro o único que quero sentir. É a minha grande questão e a minha conclusão. Você é tudo para mim, meu mundo é você e isso está me arrebentando.
{***}
Mais tarde, naquela noite, quando estavam deitados na cama e ela dormia placidamente e segura em seus braços, ele refletia sobre suas descobertas.
Seu mundo tinha caído sobre o dela, como um martelo, brutal e com tal força que tinha transformado em pequenos fragmentos de dor e desespero tudo ao seu redor. Agora, vendo-a aqui, deitada em sua cama, dormindo em seus braços, tão tranquila, ele se perguntava se estava agindo da forma certa. Era egoísta a tal ponto de querer essa mulher na sua vida, não importasse o preço que teria que pagar, sua vida era nada sem ela por perto. A desejava, a queria, a... Amava... A realidade desse sentimento lhe acertou como uma bola de aço, o impacto como um tiro de canhão em seu juízo. Ele a amava. Ele, Edward Cullen, o homem frio e sem coração, sem alma, ele tinha descoberto o amor e era tão assustador ou mais até do que qualquer coisa que tenha enfrentado. Seus inimigos, ele poderia destruí-los, mantê-la segura em seus domínios. Mas, e sobre esse amor que tomava forma e proporções tão gigantescas em seu peito, que o assustava até a morte? Quem o protegeria de um inimigo assim?
_Eu amo você, Edward...
Ela sussurrou em seu sono e ele a abraçou apertado, consciente de que ela estava alheia ao mundo externo e entregue ao mundo dos sonhos.
_Também amo você, neném. Mais do que tudo. Também amo você.
N/B: OMGGG; OMGGGG; OMGGGG, Maravilhoso!!!!
Capítulo maravilhoso, mas eu quero chutar o traseiro da Bella e pegar o meu Edward no colo Milly.
ResponderExcluirBeijos minha linda.
Ass: Nilcia.
Você não é a única minha amiga. rsrsss
ExcluirBeijos e que bom que gostou. :)
Que lindo, ele finalmente assumiu que a ama e ela tb, mesmo que inconcientemente. muito lindo mesmo. Beijos
ResponderExcluirObrigada por ler flor. Sim foi muito lindo :)
ExcluirOMGGGGGGGGG!!!!!!
ResponderExcluirQue lindooooooo.... Não esperava que ele percebesse e assumisse que a amava tão cedo... Mas, adoreiiiii
Oi flor Kelly!! :)
ExcluirOMG!!! você gostou? Que bom!!! :)
Fico feliz com isso.
:)
ok,já estava ficando estressada com a bella,adorei.
ResponderExcluirAmei demais mais essa fic..bjos.
ResponderExcluirNossa adorei !!!!! Agora Bella sabe que ele nunca foi um filhinho de papai mimado .... ele quase falou dos pais dela .... como será a reação dela quando souber que provavelmente seus pais morreram por serem importantes para ele ? Ai Ai ai ....
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