sexta-feira, 19 de abril de 2013

Um Amor do Passado: Capítulo 10





CAPÍTULO 10 






O dia foi corrido para Alec. Teve que ver a contabilidade, percorrer o campo de treinamento, para olhar o que estava danificado e assim saber quanto ia custar os concertos. Foi à vila e passou 3 horas conversando com as pessoas e resolvendo pequenas contendas. Mary, a esposa do ferreiro, tinha dado à luz. A criança estava muito mal e precisava urgentemente de socorro. Ele mandou buscar Morag, a curandeira do clã. Ela tinha sido amiga de sua mãe. 














Alec lembrou, com saudades, daqueles tempos em que, pequeno, era cuidado por ela. Muitos dos outros clãs a tinham como bruxa pelos seus métodos não convencionais de curas e, pensando bem, os métodos dela se assemelhavam e muito aos de Becca. Negou com a cabeça, não poderia ter duas mulheres do futuro em sua vida. Era demais para ele. Pensou sorrindo. 














Ela era originalmente do clã Campbel, mas se casou com Hamish, um Irlandês exilado, que salvou a vida de seu pai e, desde esse dia, tinha sido aceito no clã como um MacLeomhan e honrou o clã até a morte. Alec salvou Morag uma vez, quando atearam fogo na sua cabana. Sua filha estava dormindo dentro, junto com ela. Tinha os cabelos tão negros como as asas de um corvo e os olhos dos mais belos tons de violeta, por isso a taxavam de bruxa. Sua filha Alícia tinha vinte anos, mas sempre era comparada a uma jovenzinha de dezesseis, por causa do seu tamanho. Tinha os cabelos e os olhos como os de sua mãe. As duas moravam na última cabana da vila. Gostavam de isolamento. Prefeririam morar na floresta, mas ele não ia mais arriscar que fossem mortas por homens de mente pequena. 














Na hora do almoço, ele voltou para o castelo, ansiando mais que nunca estar nos braços de sua Sibh (fada) de cabelos cor de mogno. Entrou no pátio interno e avistou Rhona conversando com seu tio. A mulher chorava e apontava para o castelo. Seu tio suspirava e tentava acalmá-la. Todos em Creag Mhor sabiam que Rhona era amante de Enrique e recebia visitas de Alec de vez em quando em sua cabana. O que estava deixando seu sangue fervendo era o fato de ela ter lhe desobedecido. Lembrava muito bem de tê-la mandado embora e, o fato de que ainda estava aqui, conversando com seu tio, em pleno ar livre, sendo sujeita aos olhos de sua esposa, lhe deixava tremendamente raivoso. 














Desceu do cavalo com muito cuidado, pois sentia que as ataduras tinham se afrouxado e lhe doía as costelas. Andou com passos largos em direção ao casal que estava entretido. Enrique tinha colocado Rhona em seu colo e tinha uma mão dentro do sutiã do vestido. À vista de todos! 














- Eu mandei-lhe embora ontem, não foi Rhona? 










- Milorde. - ela fez uma reverência, lhe sorrindo coquetemente. 








- Edward, o que houve? Que cara é essa? Sua mulher não lhe agradou ontem? 











- Primeiro, minha cara é uma só. Segundo, minha intimidade não é da conta de ninguém, nem mesmo da tua, meu tio. E terceiro, o que ela está fazendo aqui, se eu a mandei embora ontem? 









- Eu mandei chamá-la, sobrinho. Ela é minha. 














Rhona sorriu, mas ficou séria imediatamente quando viu o semblante obscuro do lorde. 














- Não a quero na minha casa nunca mais. Se quiseres fornicar tio, não posso fazer nada, a vida é tua, apesar de que o senhor tem uma esposa em casa bem disposta, pelo que tu mesmo me contas. Leve-a para alguma moita ou vá para a cabana dela. Não quero que minha esposa tenha que ser forçada a conviver com sua amante. 














- Ela era tua amante também, não era Alec? Eu sei que deitavas com ela quando eu estava ausente? 














- Sim, eu era. - Rhona respondeu, petulante. 














Alec seguiu falando como se ela não estivesse ali. 














- Não, não era. O fato de visitar sua cabana e deitar com ela ou com as outras, não lhes fazem minhas amantes. São prostitutas e não as quero perto da minha esposa. 














- Alec, você sabe que eu gosto de conforto, como posso me deitar com ela no mato ou em sua cabana? 














Enrique falou rindo. 














- O senhor forçaria a presença dela à tia Catherine, tio? 














- Claro que não, ficastes louco? 














- Então o senhor pode entender minhas ordens, não? 














- Sim, eu entendo. 














- Vai me largar Enrique? - Rhona perguntou, num tom de ultraje 














- Não, claro que não moça. O que eu vou fazer é mandar colocar uma cama bem confortável para nós dois em tua cabana. - Ele lhe deu um beijo na boca e se levantou. 














- Vá para casa querida, que ainda hoje lhe mandarei uma belíssima cama, com um colchão de penas. 














Rhona sorriu e se virou pra ir embora, ganhando uma tapa no traseiro de Enrique. 














Alec ficou observando a mulher desaparecer no alto da colina. Como algum dia tinha achado Rhona bela, era um mistério que ele não estava interessado em desvendar. Sem tirar os olhos dela, começou a conversar com o seu tio. 














- Porque trai minha tia? 














Enrique suspirou. Não gostava de ser interrogado sobre o que fazia com a sua vida. 














- Eu passo muito tempo longe de casa Alec e sou um homem vigoroso. 














- Meu pai também o era e, mesmo quando estávamos em guerra e ele passava um até dois meses longe da minha mãe, não procurava alívio nos braços de nenhuma outra mulher. 














- Às vezes o casamento fica monótono, meu sobrinho. E é sempre bom variar. Você vai perceber com o tempo, assim que precisar de uma válvula de escape. 






















- Eu já tenho uma, tio e se chama Rebecca MacLeomhan. 






















Ele olhou para o homem ao seu lado, que comtemplava o caminho que Rhona tinha tomado. Negou com a cabeça. 






















_Não a quero em meu lar. Se estiver tão disposto a envergonhar minha tia, andando de braços dados com uma puta, não o faças em minha presença ou em presença de minha esposa. 


















****** 


















Becca olhava com satisfação o salão. Estava lindo. O chão, antes limpo, agora reluzia por terem esfregado as pedras com tanto ímpeto. As mesas, ordenadas em duas fileiras longas, deixavam, no meio do aposento, um corredor que dava direto a plataforma onde as mesas tinham sido cobertas com toalhas de linho vermelho e as cadeiras, principalmente a do lorde, reluzia por ter sido polida. Tudo estava perfeito. Na cozinha terminava a preparação do almoço. Tinha modificado só alguns pratos, deixando-os mais apetitosos. A torta de carne, por exemplo, estava mais suculenta e bem mais temperada, uma receita que tinha desenvolvido junto com sua mãe e, com certeza, arrancaria suspiros de todos. Os biscoitos também sofreram uma mudança brusca no seu preparo. Maúde, a cozinheira, experimentou, um pouco desconfiada, mas quando a massa amanteigada derreteu em sua boca ela aplaudiu com entusiasmo e começou a preparar mais. 






















*************** 














_Acha que o Alec ficará contente com a arrumação? 






















Perguntei a Suria que, parada ao meu lado, comia alguns biscoitos quentes. Sorriu-me e assentiu. 






















_Sim milady, milorde ficará orgulhoso. 














_À tarde iremos para a lavanderia. Vamos à leiteria agora, quero ver a qualidade da nata. Tenho em mente uma receita de bolo e também de biscoitos deliciosos. Quero um biscoito, ainda tem contigo? Estou faminta e falta um par de horas para o almoço. 














_Para o quê? - Suria me olhou com cenho franzido, sem entender minhas palavras. 














_Para a refeição do meio dia. Ainda tem biscoito? 














A mulher abriu um sorrisão, me entregando os dois que sobraram e me seguiu, limpando as mãos na saia. 






















A leiteria tinha sido escavada diretamente na pedra, no ângulo de descida, ficando parcialmente enterrada no chão. Desse modo se manteria bem fria, para conservar o leite, a manteiga, a nata e os queijos que eram armazenados ali também. Havia quatro janelas na parte mais alta, acima de nossas cabeças, como uma espécie de claraboia para fornecer iluminação e, como tudo em Creag Mhor, a leiteria era imensa. Uma porta firme era a única via de acesso ao prédio e, para alcançar dentro, tínhamos que descer uma pequena escada de pedra, tudo claramente limpo e organizado. Conversei com o velho Augie, o responsável pela ordenha das vacas e das cabras e acertei com ele a quantidade de trinta litros. Queria fazer um doce. O que me surpreendeu era ter encontrado artigos que não deveriam existir na Escócia, não em algum tempo à frente pelo menos. Suria me explicou que um navio vinha uma vez por ano para cá e eles faziam grandes trocas de mantimentos. Vários clãs se reunião para lhes comprar os artigos e os MacLeomahn, sendo os mais ricos das Highlands, tinham a preferência. 














Assim que saímos do prédio, uma mulher magra com cabelos lisos negros, que chegavam à cintura, se aproximou de nós, me agarrando a mão. Pediu que Suria traduzisse o que ia falar, mas eu lhe respondi em gaélico que entendia perfeitamente o idioma. A mulher olhou-me agradecida e pediu para falar em privado. Suria nos conduziu ao solar que pertencia à mamãe, o qual eu ainda não tinha entrado. Fiquei encantada com o que vi. Não era só um solar, tratava-se de um herbário com claraboias, que se abria para as plantas, que residiam em vasos de barro, receber ar e sol. Imediatamente comecei a tecer planos para aquele lugar, seria ali que eu iria criar meu ambulatório. 














Estava tão perdida em meus planos, que me assustei ao ouvir um choro copioso. Virei-me ao som da voz suave de Suria, tentando acalmar os soluços da moça. Sentei-me em uma cadeira, que estava perto da lareira e Suria conduziu a moça para um banquinho. Em seguida, me disse que iria buscar uma caneca de cerveja, mas, vendo o seu estado emocional, pedi que trouxesse um copo de vinho esquentado. Quando o vinho chegou, a moça tomou alguns goles e relaxou. 














- Bem querida, qual seu nome? 














- Angelita, milady. 














- E porque choras tanto assim? Qual o problema que te aflige? 














Angelita ficou calada por um tempo, o qual eu segurei sua mão, dando conforto. Depois de uns minutos que levou para se acalmar, reuniu a coragem necessária para falar e despejou tudo de uma só vez. 














- Eu sou do clã Westercott e Bryan MacLeomhan estava me cortejando durante dois meses... Aí ele me pediu uma prova do meu amor por ele e eu dei a prova e... 














Acabou se descontrolando novamente, mas eu entendi o que queria me dizer. 














- E você se entregou para ele. 














A moça acenou positivamente com a cabeça, sem ter coragem de encarar a ninguém. 










- E...? - a encorajei a continuar. 














- E agora ele diz que não quer casar comigo e eu... Eu... 














- Ai meu Deus. - Suria sussurrou com os olhos arregalados. 














Eu segurei mais forte em sua mão e alisei os nós dos dedos com carinho. 














- Você está grávida. 














- Sim. – Admitiu, ainda de olhos baixos. 














- E ele sabe? 














- Disse que o filho não é dele. 














- Quantos anos você tem, meu amor? 














Falei em um tom carinhoso, lembrando-me da forma de como mamãe me falava quando estava nervosa ou com problemas. 






















- Tenho quinze. 














- E ele? 














- Dezoito. 














- Onde ele se encontra nesse momento, querida? 














- No estábulo. É ele quem toma conta de lá com o pai, mas está treinando para ser soldado. O lorde paga cada soldado e ainda dá uma choupana para morar quando o soldado é casado. 














- Ele foi o seu primeiro e diz que o filho não é dele? De quantos meses está, meu bem? 














- Três, milady. 














- De modos que eu devo crer que ele passou esses meses com você. 














- Sim. 














- Quando se recusou a casar? 














- Já faz um mês. Ele... Está apaixonado por... Por... 






















E ela não terminou de falar, pois desabou em lágrimas. Pedi que Suria ficasse com ela e fui à cozinha para preparar um chá com folhas de cidreira e erva doce. Acalmaria a moça e a mim também, antes de ir atrás desse irresponsável e lhe trouxesse pelas orelhas para que Thomas realizasse o casamento. Angelita não ia ter esse filho sozinha de jeito nenhum. 














Meia hora depois, voltei com três canecas de chá. Entreguei uma a Suria, outra a Angelita e segurei a minha com firmeza entre meus dedos, tomando um longo gole de chá adoçado com mel. A duas fizeram caretas para a bebida, mas lhes lancei um olhar que não admitia recusa e elas beberam. De fato, Suria teve que ir à cozinha e trazer uma jarra cheia, pois estava delicioso. Quando Angelita estava mais tranquila, retomei as perguntas. 






















- Querida, por quem ele disse que está apaixonado? 






















Angelita ficou calada e mais lágrimas começaram a se derramar por seu rosto. 














_Por quem, meu bem? Fala-me. 






















- Por Rhona. 














Ela sussurrou e mais lagrimas se derramaram pelo seu rosto. Senti que saiam fogo pelos meus olhos. 














- RHONA?! 














Angelita e Suria deram um pulo devido ao susto que tiveram. Respirei fundo para me acalmar. Deus, como eu poderia ficar calma com essa notícia? Como eu poderia, Senhor, não me revoltar com isso? Mesmo que nos mande sermos mansos, meu lado carnal queria dar uma surra em Rhona por toda a dor que estava causando a Angelita. Respirei em grandes e demorados sorvos. Quando me senti mais controlada, voltei a falar. 














- Calma querida, eu vou relatar tudo ao Lorde e ele tomará as medidas cabíveis. Nenhum MacLeomhan engravida uma moça e a deixa para ser mãe solteira. Isso eu garanto. Vá para casa e... 














- Eu não posso voltar pra casa. 














- Seus pais te expulsaram? - Suria falou e segurou em sua outra mão. 














- Meu pai, ele é ferreiro e tem a mão bem pesada, então, quando soube que eu estava grávida, ele... 














- Não termine a frase, eu já sei o resto. 














Tomei mais uma profunda respiração para me acalmar totalmente. 














- Sabe trabalhar em alguma coisa, meu bem? Sabe costurar? 














- Sei sim, minha mãe diz que tenho boa mão para a agulha. 














- Perfeito. Estou precisando de moças que me ajudem com a costura. Pode ficar aqui e me ajudar? 














- Sim milady! Com prazer. - ela falou, sorrindo pela primeira vez desde que a vi, tinha um sorriso lindo. 














- Que bom. Suria - Me virei para falar com a minha ama e a vi sorrindo, lágrimas lhe banhavam os olhos. 














_Sim senhora? 














_ Por favor, leva Angelita para se lavar e arranje um vestido novo para ela. Depois a leve para o salão. Assim que Lorde MacLeomhan chegar, serviremos a refeição e... 














- REBECCA!!! 














- Ok. Se apresse Suria, que meu marido chegou, e pelo grito, está com fome. 














Elas saíram sorrindo do solar. Suria e Angelita foram à minha frente. Se dirigiram à cozinha, enquanto eu fui para o meu quarto, para mudar de roupa. 














Assim que me arrumei o melhor que eu podia com um de meus vestidos que tinha trazido do meu tempo, segui ao encontro do meu marido, que estava no meio do salão, observando tudo com um olhar crítico na cara. Estava zangado. 














“Ah, mas se ele vier reclamar do salão, dou-lhe com a concha da panela na cabeça.” Pensei, me recriminando no mesmo instante que os pensamentos deslizaram. Eu ainda tinha muito que aprender sobre os homens desse século, antes de expor minhas acusações para cima dele. Eu não estava em sua cabeça e não sabia o que ele estava pensando. Ter uma mulher mandando e mudando tudo ao seu redor, depois de tantos anos sem castelã, era um pouco traumático. Dei de ombros. Talvez ele sempre tivesse essa expressão zangada na frente dos outros. Vai-se saber. 






















***************** 


















Alec entrou no salão e estacou. 














Ela tinha mudado tudo e ficou... Como poderia explicar? Ficou perfeito. Becca tinha imprimido sua marca no salão, desde as toalhas das mesas, até na cadeira do lorde, que de longe brilhava como se fosse feita de ouro. Só tinha um problema no quadro a sua frente... Ela não estava em lugar algum e isso o inquietou. 






















- REBECCA!!! 














- Calma milorde, milady deve estar por aí, organizando o castelo. Ele é grande, concorda? - Falou Galván, às suas costas. 














- Não me interessa o tamanho de meu lar, Galván. O que quero saber é por que eu chego à minha casa e minha esposa não vem me receber?! 














_Ela está com minha Suria, devem estar de futrico, todas as mulheres adoram futrico, milorde.














- REBECCA MACLEOMHAN!!! - Gritou novamente, ainda mais irritado. 














- Estou aqui querido. 






















Ela desceu as escadas, correndo e ele ficou lívido. Quando se aproximou o bastante, ele a agarrou e lhe rodeou a cintura com as mãos, colocando a cabeça dela no seu peito, segurando-a forte no lugar. 






















- Poderia cair da escada. Nunca mais corra, ouviu? Poderia quebrar o pescoço... - Resmungava com o rosto enterrado em seu cabelo. 






























Ele estava lhe reclamando como se fosse uma criança de cinco anos e tivesse posto fogo no tapete. Revirou os olhos. 


















- Alec, por que gritou? 














- Não te ouvi prometer-me não correr mais na escada. - Pressionou e Becca suspirou. 














- Eu prometo. 














- Eu prometo o quê?... 






















Ela se afastou dele e ergueu a mão direita, colocando a esquerda no coração 






















- Prometo e juro solenemente que eu, Rebecca Jouanie Callahan MacLeomhan, não vou mais correr na escada. 














- E que vai obedecer a seu esposo. - Completou Alec astutamente. 














- E que vou obedecer meu esposo... Sempre que eu puder. 














Dessa vez, quem agiu com mais astúcia foi ela mesma, Alec teve que admitir à contra gosto. 






















************ 














Ele olhou-me com a cara fechada. E eu não pude fazer mais nada que sorrir. Rodeando-lhe a cintura com os braços, fiquei na ponta dos pés e lhe dei um beijo no queixo. 






















- Porque estava gritando? - Perguntei lhe alisando a camisa. 














- Não estava gritando, estava lhe chamado. - Corrigiu-me. 














- Sim de acordo, porque estava me chamando aos gritos? 














- Cheguei e tu não estavas aqui para receber-me. Fiquei irritado. De agora em diante, quero-te aqui no salão para me receber sempre que chegar a casa. 






















Sorri feliz com a necessidade dele por mim. Fiquei na ponta dos pés novamente para lhe falar na cara, mas só por que ele abaixou a cabeça. 






















- Sim, de acordo meu querido. De agora em diante sempre estarei aqui para lhe dar as boas vindas ao lar. - Não resisti e lhe beijei a covinha que tinha no queixo. 














- Assim está melhor. Porque está beijando meu queixo? 














- Perguntou-me, intrigado com aquele gesto. _ Sem dúvida que seria muito mais prazenteiro na boca. 














- Beijo-te no queixo só porque não alcanço tua boca e por que gosto de tua covinha. 














_Não tenho covinha sassenach, bebês tem covinhas, guerreiros tem marcas de guerra. 














_Isso - dei-lhe outro beijo. _é uma covinha e muito bonita, milorde. 






















Ele grunhiu e me suspendeu nos braços, beijou-me até me deixar com as pernas bambas. Escutei risinhos e tossidas discretas à nossa volta e me lembrei de que não estávamos sozinhos no salão. Corei igual a uma beterraba. Soltei-me dele com muito custo e dei um passo para trás, tentando manter o recato, o que, é claro, ele não gostou. 






























- Venha para mesa meu senhor, todos estão com fome. 






















Alec estendeu a mão para mim e me puxou de volta para seus braços. Levou os lábios ao meu ouvido e sussurrou, me causando quase um ataque cardíaco. 






















- Eu também tenho fome querida, só que é de outra coisa. 














- Comporte-se Alec, não estamos sozinhos. – sibilei, tentando me soltar. 














- Podemos ir para o quarto se quiseres. 






















Ele falou com picardia, me soltando e deixando-se ser levado para a plataforma. Amava como ele se comportava junto a mim, sem se importar com o que os outros dissessem. 






















- Mais tarde. Venha, quero que você aproveite a refeição. 






























****** 






















Alec estava deitado com sua esposa embaixo de uma grande árvore que foi plantada por seu avô, no dia em que seu pai nasceu. Ao lado estavam a sua e as dos seus irmãos. Só pedia a Deus que pudesse plantar muitas e muitas árvores aqui no jardim. Começou a imaginar como seriam seus filhos e filhas, claro. Queria ter muitos. Não via a hora de ter vários pezinhos ansiosos, correndo pelo castelo. Becca tinha mudado seu jeito de ver a vida. Antes tinha certeza que morreria solteiro. Diabos! Há alguns dias atrás, tinha certeza de que morreria naquela cela imunda do MacInnes. Se ela não tivesse aparecido, não estaria aqui, não teria se casado e não estaria fazendo planos para o futuro. Se ela não o tivesse tirado de lá, há essa hora ele estaria comendo capim pela raiz. Becca o mudou e essa mudança era permanente. 






















- Gostou da refeição, milorde? 






















Ele fez uma careta para o nome do qual o tinha chamado. Não se importava que ela usasse seu título na presença dos outros, pois era esperado que uma esposa se comportasse dessa forma, mas, não queria que ela o usasse quando se dirigisse a ele estando sozinhos. Becca percebeu que ele não gostou dela tê-lo chamado de milorde. Mudou a frase, o que o agradou.






















- Gostou da refeição, mon coer? 














Ele sorriu e lhe puxou para um beijo. 














_ Gosto quando falas Francês, mo duinne. E estava deliciosa querida. O que fizestes na carne que estava diferente, mas crocante por fora e macia por dentro? 














- Segredo de cozinheira. 














_Não gosto que tenhas segredos de mim. - falou sério e Becca sorriu. 














- Oras Alec, são só algumas coisinhas que aprendi em um curso de culinária que eu fiz. 














Ah, as coisas do século dela. Alec se virou para perguntar mais sobre o futuro, mas mudou totalmente de planos, quando se deparou com um par de seios em cima da sua cara, cobertos apenas por um tecido que era fácil demais de tirar do caminho. Sua esposa tinha se debruçado sobre ele para poder pegar um pedaço do bolo de limão que ela tinha feito e que não tiveram tempo para comer. 














Sorrindo, se ergueu de cócoras e a puxou, derrubando-a no cobertor, tomando cuidado para que ela não se machucasse. Em seguida, a beijou, calando seus protestos, devido ao susto que tinha lhe dado. Ao sentir as pequeninas mãos em seus cabelos, o puxando mais para si, soube que teriam uma tarde maravilhosa no jardim, debaixo de uma árvore enorme que os escondiam do mundo.

4 comentários:

  1. Menina será que é possível nos apaixonamos mais ainda por está linda história de amor? Perfeito amor.

    Beijos.
    Nilcia.

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  2. aii que eu me acabo com o temperamento do Alec rsrs eles sao tao lindo, tao fofos, to apaixonaa por esses dois rsrs, capitulo pfto

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