terça-feira, 11 de junho de 2013

Um Amor do Passado: Capítulo 16

Capítulo 16


Cansei de ficar de molho
Você me desobedeceu???




Já fazia duas semanas que eu estava deitada naquela cama. Duas semanas sem nada pra fazer além de dormir, tomar beberagem com gosto de vômito, comer e... Ah, sim, dormir de novo. Meu marido tinha dado uma ordem direta, nada de levantar da cama a não ser para fazer as necessidades e tomar banho. Só. Nada mais que isso. Ele passava o dia inteiro cuidando dos seus afazeres de lorde e Suria cuidava de minha parte já que eu estava temporariamente impossibilitada de fazer. Angélica sempre vinha me visitar e contava o que estava acontecendo no castelo, ela era meus olhos fora do quarto.
No dia seguinte ao ataque, minha mais nova amiga tinha me trazido uma notícia no mínimo inquietante. Inquietante não, horrível, devastadora, insuportável de se quer cogitar que estava acontecendo. Cordélia a priminha e ex noiva de MEU MARIDO estava de volta. Das terras dos MacLeomhan até o castelo dos Louddon na Inglaterra era uma jornada de uma semana.
Cordélia tinha ido embora no dia do meu casamento, como ela soube que eu a esposa do lorde e sua RIVAL tinha sofrido um atentado? Das duas uma: Ou tinha alguém muito interessado em ver as brigas que se desenrolariam quando nós duas estivéssemos no mesmo ambiente, ou... Eu não tinha outra teoria, quer dizer eu até tinha, para chegar uma missiva na Inglaterra um mensageiro teria que esfolar o cavalo para chegar em no máximo quatro dias, sem desmontar, sem dormir nada. Cordélia levaria no mínimo dois dias para preparar sua bagagem e mais uma semana para chegar aqui, no caso ela teria chegado no começo dessa semana, não no dia seguinte ao seu ataque, ela não tinha criado asas e também não tinha bola de cristal para prever o que me iria acontecer, apesar de ser uma bruxa em todos os sentidos eu não acreditava que ela fosse capaz disso. Então... Só me restava uma resposta. Ela estava aqui no dia em que eu fui atacada, escondida em algum lugar nesse enorme castelo o que era muito fácil, pois o lugar parecia um labirinto. Precisava falar com Alec mais duvidava que ele fosse me escutar, ela era sua prima. Sua prima querida de acordo com o pai dela. Eu soltei um bufo de indignação, gostaria de ter câmeras escondidas no castelo. Nessas horas eu sentia uma falta tremenda do meu século.

{***}

 Alec largou a pena em cima da mesa não ligando quando a tinta espirrou nos papeis a frente, fechou com um baque surdo o livro de contas massageando os lados da cabeça, as colunas de números turvavam sua visão, ele se ergueu e se encaminho para o seus aposentos, com certeza Becca teria algo para suas dores de cabeça e mesmo sem poder se levantar ela iria conseguir algo.


{***}


Não tinha nada pra fazer no quarto, mais especificamente naquela cama. Eu estava entediada larguei meu caderno de desenhos e afofei os travesseiros me ajeitando melhor contra eles o que me consolava eram duas coisas: Primeiro, Alec tinha colocado Suria e Morag pra correr do nosso quarto. Ele tinha dito que era suficiente apto para cuidar de mim o que eu agradeci grandemente, elas estavam me sufocando. Segundo, o fato dele só dormir sem roupas me proporcionava uma satisfação enorme, estava de jejum então me encostar em seu peito desnudo e... Em certos lugares também me deixava feliz, ainda mais com a certeza que ele me dava de que também sentia saudades.

As vezes eu me queixava, não estava de resguardo, por Deus! Foi só algumas flechadas, não tinha tido um filho. Mas meu querido e preocupado marido me repreendia dizendo sempre as mesmas coisas “Você está doente, Becca, não podemos fazer isso, não agora, espere mais uns dias sim?” Eu suspirava e balançava a cabeça em concordância. Bom, pelo menos ele não saia da cama e corria pros braços de nenhuma outra mulher, eu sou ciumenta. E muito. E hoje não seria diferente, não poderia ser de qualquer maneira. Cordélia estava no castelo, isso queria dizer que ela tropeçaria com meu marido a qualquer minuto do dia e eu não estaria lá para cuidar do que é meu. Eu não tenho medo dele me trair, não, ele me é fiel, mas eu sou ciumenta com qualquer mulher que chegue perto dele. Qualquer uma que aparente ser uma ameaça ao meu casamento. Eu sei como as coisas dessa época são e como as esposas tinham que fazer vista grossa para as amantes do marido que se pavoneavam a sua frente. Comigo não violão. Uhum. De jeito nenhum. Não casei para levar chifres. De forma alguma.


{***}

Becca estava na cama desenhando, Alec ficou olhando-a da porta, ela nem se quer tinha ouvido quando ele entrou, estava profundamente concentrada em seus desenhos, ele tinha dado uma caderno de capa de couro macio a ela, Ele sabia que ela gostava de escrever e desenhar, e era o que estava fazendo nesse momento. Desenhando adaptações das coisas do século dela para usar no século dele. Por exemplo: Eles levavam um mês para fazer uma peça de corda boa. E seis meses para fazer uma peça de tartam. Becca estava inventando um jogo de rodas, manivelas e correias para ligar os teares uns nos outros e assim fazerem o trabalho mais rápido, estava desenhando um tear com uma lançadeira presa num cordão que não caia do tear caso passasse direto. O tear do clã era totalmente diferente do dela e sua esposa tinha que criar adaptações para fazer funcionar do jeito que ela queria. Também desenhou um aparelho que prende e torce a fibra e transforma em corda muito mais rápido, se eles levavam um mês para fazer somente uma peça de vinte metros de corda, com sua invenção levariam uma semana no máximo para fazer uma peça de trinta metros e a corda seria bem mais resistente e não seria tão cansativo de fazer  o trabalho. Sua esposa também tinha desenhado como ficaria o pomar assim que ela melhorasse e pudesse sair da cama para poder se dedicar a plantar as sementes que ela tinha trazido consigo. Becca trouxe consigo praticamente todo o século dela dentro da sua bolsa e da sua cabeça. Alec achou melhor não interromper sua mulher e saiu de vagar sem fazer barulho e foi a procura de Morag essa hora era estaria na aldeia, ela teria algum poção que curasse sua dor de cabeça.

{***}

Eu resolvi pegar o caderno novamente e voltar a desenhar alguma coisa retomei o desenho de algumas caixas para a apicultura. Era melhor e mais seguro do que tirar os favos de mel direto da colmeia. Os MacLeomhan não levariam mais tantas ferroadas e as casinhas das abelhas estariam sempre intactas, em contra partida, sempre teriam mel em abundância para fazer os bolos e o idromel que vinha da Inglaterra e que eu sabia fazer muito bem por sinal, mamãe tinha me ensinado.

Eu estava tão absorta nos meus desenhos e rabiscos que quando escutei uma batida na porta, sem levantar os olhos do papel mandei que entrasse, achei que era Angélica ou outra moça das cozinhas com alguns doces para mim. Péssima ideia pensei quando senti um cheiro enjoativo bem ao meu lado na cama. Respirou fundo e me arrependi na hora. Cogitei parar de respirar, era melhor do que morrer com esse fedor. Será que a mulher não percebia que isso que ela chamava de ultima moda na França era considerado no meu tempo como perfume de urina de gambá em excesso?  Jesus, eu queria me erguer da cama e correr o mais longe possível dessa pessoa inconveniente e fedorenta.

_O que você quer Cordélia?

Falei fechando o caderno e erguendo a cabeça só par dar de cara com uns olhos negros de ódio bem em cima da minha cara. Não vou negar me senti incomodada com o escrutínio que sofria por parte de minha rival.

_O que queres Cordélia? - Repeti a pergunta novamente e recebi um sorriso sarcástico como resposta.
_Ele é meu, sua vadia. E você não vai tirá-lo de mim.

Eu a observou de cima a baixo demorando um pouco em sua mão que estava enfaixada e em um hematoma no seu ombro.

_Machucou-se Cordélia?
_Acidente de caça. A presa me atacou quando eu ia abatê-la. Na próxima não vai me escapar. Isso eu lhe garanto.

Soltando essas palavras em cima de mim Cordélia endireitou a postura e saiu do quarto em um revoar de tecido de muito mau gosto. Previ que meus dias seriam um verdadeiro inferno enquanto ela estivesse aqui.
E não me enganei.
À noite, enquanto me arrumava para descer ao salão e jantar, por que já que estava muitíssimo bem e ninguém me manteria presa no quarto contra minha vontade. Meu querido Alec até que tentou, mas eu lhe disse que se ele repetisse a palavra repouso mais uma vez eu não responderia pelos meus atos. Ele se calou prontamente.

Me esmerei na arrumação, coloquei um vestido vermelho sangue ao estilo dos do meu século. Todas as minhas roupas apenas com algumas exceções eram do meu século. Alec preferia assim, ele achava mais bonito os meus modelos e também palavras dele facilitava muito quando queria me encostar em alguma parede ou árvore ou mesmo na mesa da saleta que na verdade era um escritório. Eu ri quando me lembrei de ontem à noite quando ele demorou mais do que o normal se recolher ao nosso quarto e eu no meu medo de quê Cordélia pudesse tê-lo pego em um corredor escuro qualquer desci para procurá-lo desobedecendo todas as leis impostas pelo meu querido marido e senhor. O salão estava em silêncio profundo então segui para o escritório encontrando - o sentado na cadeira atrás da mesa gigante e absorto em estudar alguns papeis. Lembro-me que me aproximei devagar fechando a porta as minhas costas e passando o fecho, ele ergueu a cabeça e me questionou com o olhar. Não disse nada, ele também não. Sinceramente, naquela hora, não queria conversar ou explicar meu ato de insubordinação, queria apenas matar a saudade de dias e dias sem poder tocá-lo como eu desejava. Sorri para o vazio lembrando que me aproximei calmamente medindo meus passos temerosa de que ele me mandasse voltar para a cama e parei de frente pra ele a mesa entre nós, nessa noite eu tinha posto um vestido azul, meus cabelos soltos jogados em cima do meu ombro direito deixando um lado do pescoço a mostra. O vestido era fechado a trás com fitas e dava o laço em baixo, era bem justo no busto, cintura, quadril, ele ia se enlanguescendo até o chão, no colo, na manga e na barra do vestido tinha uma fita de ceda negra dando um acabamento lindo na peça. Eu gostava dele era... Interessante. Quando eu andava todo o vestido balançava ao movimento do meu quadril e meu marido não tirava os olhos. Sorri com a lembrança de suas palavras, apesar de que seus olhos dissessem algo muito diferente.

_Não devias está na cama mo Grah? - Ele tinha falado com a voz enrouquecida, seus olhos não desviavam de mim um segundo sequer. Lhe sorri.

_Estava cansada de ficar na cama. Estou bem melhor e não quero mais ficar lá. Não sozinha. – Eu tinha lhe dito.

_Eu estava tentado dar-te tempo carinho. – Ele tinha me respondido.

_Tempo pra que?

_Para descansar. Estás fraca.

_Não estou mais doente nem cansada e tampouco estou fraca. Tinha falado enquanto me aproximava mais ficando ao seu lado, meus dedos roçaram os seus quando ergueu sua mão em minha direção. Fiquei comtemplando sua palma da mão tão forte capas de sustentar uma espada tão pesada, capas de matar, mas ao mesmo tempo tão cuidadosa ao lhe dar comigo. Suspirei alisando os calos nos dedos, dedos fortes, dedos que me cuidavam de um Jeito que ele e apenas ele sabia. Ergui meus olhos lhe mirando e o deixando ver meu desejo refletido em minhas íris.

_Faça amor comigo Alec. Por favor, é só o que eu peço.

Tinha sussurrado elevando minha mão para descansar em sua bochecha.

_Não quero machuca-la, perdeste tanto sangue e...- ele tentou argumentar, eu sabia que ele faria isso.

_Alec, isso foi a duas semanas. Já tenho sangue suficiente para doar para vinte pessoas. - Falei e sorri não consegui me manter séria, achei lindo a preocupação dele, mas não queria mais adiar esse momento nem um segundo mais.

Fui arrancada de meus pensamentos quando bateram em minha porta chamando-me.



Desci ao salão, acompanhada de Kieran, não queria por nada nesse mundo dar de cara com Cordélia. A rainha da beleza mais conhecida por mim como sonsa, dissimulada e minha quase assassina estaria lá sentada no estrado e com certeza estaria linda. Bom, eu não estaria linda. Estaria deslumbrante com meu vestido vermelho sangue de decote generoso. Não tão generoso quanto os decotes ingleses dessa época devo dizer, mas não poderia me deixar que aquela harpia tomasse toda a atenção para si. Por isso, mesmo temendo atrair a fúria do seu marido pela a peça ser muito justa resolvi vesti-lo que na minha opinião era magnífico. Simples e chique na medida certa.

prendi meus cabelos em um coque no pé do pescoço coloquei minhas sapatilhas de seda e desejei que nesse século existisse saltos altos. Bem não se podia ter tudo que desejava não é mesmo?  Eu sempre amei vestidos de bailes elegantes e compridos. O motivo de não tê-los em meu guarda roupa no meu século era simplesmente o preço exorbitante que custavam, mas qual foi minha surpresa quando no terceiro dia de repouso Alec fez adentrar no quarto rolos e mais rolos de tecidos finos, sedas e rendas das mais diversas cores. Atrás dele entraram um batalham de mulheres ansiosas para servir sua Lady e aliviadas por saberem que eu estava bem e recuperada. Alec me disse que não se preocupasse com nada e que as mulheres fariam os vestidos novos para quando eu me restabelece pudesse  me vestir de acordo com minha posição de senhora dos MacLeomhan. Eu lhe agradeci é óbvio e ele se curvou para receber seu prêmio por ser um marido tão generoso. Eu o beijei no rosto, mas ele não gostou nada. Segurou-me pelo pescoço e me deu um beijo do tipo desentupidor de pia, devolvendo-me a cama minutos depois e saindo do quarto com um sorriso convencido na cara e deixando-me totalmente lesada e com cara de apaixonada. Ouvir os risinhos por parte das mulheres e decidir me concentrar em nossa tarefa.

Todos se calaram quando entrei no salão, se ergueram e me saudaram pois fazia duas semanas que não saia do quarto salvo ontem a noite mais ninguém me tinha visto. Eu acho.

Alec lhe sorriu estendendo à mão quando ela chegou perto ele pegou sua mão suave e delicada, depositou um beijo no centro da palma lhe dando um olhar cheio de promessas. Becca como não podia deixar de ser corou violentamente fazendo com que Alec lhe brindasse com um sorriso conhecedor, o desejo lhe comendo vivo. Era torturante dormir todas as noites ao lado dela e não poder lhe fazer amor. Na primeira noite de sua convalescência ele pensou em dormir em frente da lareira para evitar a tentação, mas quando ela em sonho chamou pelo seu nome dizendo que ele não a deixasse, ele descartou a ideia de dormir longe, mas sempre ficava fazendo hora na saleta até ela dormir e ficar mais fácil resistir a tentação. Ontem ele não conseguiu e sabia que hoje tão pouco conseguiria. E verdade fosse dita, não queria mais se negar, ela estava bem. E ele sentia saudades.

Ficaram naquela bolha de encanto e amor que era palpável para todo o clã até serem despertos pela voz do demônio.

_Becca querida, não quer se sentar? Me parece que estás branca de mais, talvez até desmaie, não é melhor voltar para o quarto querida?

Cordélia falou com sua voz falsamente doce.

_Óh! Boa noite Cordélia, não tinha percebido que tu estavas aí.
Becca se dirigiu para a cadeira da esquerda onde era seu lugar de esposa, o lugar do coração de acordo com Alec. Phelan estava sentado lá e se levantou prontamente para sua cunhada tomar assento, Becca lhe agradeceu e ocupou seu lugar sem nem dá uma olhada para seu lado em que estava a sua rival. Phelan lhe segredou ao ouvido enquanto ajustava sua cadeira.

_ Agradeça-me mais tarde por não ter deixado que ela sentasse ao lado do teu marido, irmanzinha.

Becca sorriu e balançou a cabeça afirmativamente, quando olhou para o seu marido o encontrou de cara feia olhando diretamente para seu irmão, sua mão estava fechada em um punho apertado. Estava com ciúmes. Becca lhe tocou a mão e ele imediatamente relaxou. Ela lhe deu um sorriso delicado o qual Alec retribuiu, era muito fácil para os dois perderem a noção de onde estavam e do tempo sempre que se olhavam. Era palpável o amor entre os dois. Alec a serviu do próprio prato cortando um pedaço de carneiro e lhe dando na boca. lhe sorriu. Ele vinha sorrindo com muita frequência pôde observar.

 Enquanto o jantar prosseguia calmamente eu fiquei observando todos ao nosso redor, procurando ferimentos e hematomas que denunciasse meu agressor. Alec percebeu que eu estava procurando algo e me tocou a coxa com a mão me fazendo olhá-lo.

_O que procura a leannan?
Me debrucei para mais perto dele e sua cabeça veio ao meu encontro.
_Meu agressor.- Lhe sussurrei
_Você o viu? – Ele perguntou calmamente esquadrinhando o salão. Viu sua mão pousar no cabo de sua sgian dubh apertando-a.
_Não, mais eu o acertei com uma pedrada e uma flecha improvisada.
_Flecha improvisada?
_Sim, eu fiz um estilingue e o acertei com uma pedra e depois com um galho pontudo que eu arranquei da arvore.

Alec me sorriu.

_És engenhosa minha pequena esposa. Não sei o que é estilingue, mas sabia que estou orgulhosos de ti. Tu manejar tão bem uma arma improvisada ao ponto de acertar um alvo que era quase impossível pelo local em que estavas escondido teu agressor. É um feito que muitos não conseguiriam, carinho. Orgulho-me de ti. Apesar de que foi muita irresponsabilidade da tua parte.

_Irresponsabilidade seria se eu tivesse ficado parada esperando que me acertassem isso sim.

Falei com as bochechas coradas pelo elogio, mas indignada com a acusação dele. Alec pareceu achar graça de minha cara feia, alisou meu joelho me sorrindo e falando baixo ao meu ouvido como a poucos minutos eu tinha feito com ele.

_Irresponsabilidade, não por ter agido dessa forma pequena, você foi muito valente e estou orgulhoso de ter me casado contigo. Mas o fato de sair do castelo sem uma escolta foi uma irresponsabilidade.
_Alec, eu fui para o pomar, não precisava de escolta.
_Precisavas sim, se estivesse com uma, não teria se ferido e quase me causado uma morte prematura. Meu coração quase parou quando te vi sangrando. Não permito que você sangre, não quero que você derrame nem uma só gotinha de sangue, entendeu-me?

O que eu poderia dizer depois dessas palavras? Sorri feliz pela sua preocupação e por ele ter dito que estava orgulhoso de ter se casado comigo. Joguei-me em seus braços e lhe dei um beijo apaixonado e só percebi o que estava fazendo quando escutei os gritos de felicidade dos homens do clã. Oh, meu Deus, que vergonha, corei igual a um tomate. Tentei se sentar mais o mais reta possível, mas Alec não deixou, me segurou mais apertado cheirando meu pescoço e me dando um beijo no local. Só depois de que quase desmaiasse de vergonha foi que ele me soltou e sentei-me em meu lugar. Ouvi de longe uma cadeira sendo derrubada e depois senti meu vestido molhado. Olhei incrédula pra cima dando de cara com Cordélia que parecia constrangida por ter derramado vinho em meu vestido novo causando uma mancha enorme. Mancha essa que não sairia tão fácil.

_Oh, milady, perdão! Como sou desastrada! Deixe-me ajuda-la com seu vestido. Por favor, venha comigo e eu o limparei.

Eu me ergui tendo total consciência de que todo o clã me observava em silêncio, olhei para seu marido e vi o olhar de raiva dirigido a mulher que propositalmente causou o desastre e que nesse momento estava afastada a uma distância segura de Alec e seus irmãos. Ela sabia que tinha feito besteira.

_Suria.


 Chamei minha ama e ela se apressou imediatamente ao meu lado.

_Venha milady, vamos tirar esse vestido e descansar, foi muito agitação para a senhora essa noite.

Suria falou olhando com um olhar de reprovação para Cordélia que lhe retribuiu com um olhar de raiva por ter se metido onde não devia. Antes de Becca se retirar Alec segurou sua mão, acariciando-a e falou controladamente.
_Me reunirei contigo em pouco tempo carinho.
Becca sorriu e Alec lhe deu um beijo em sua mão a deixando partir.

Quando Becca subiu as escadas e desapareceu nelas Alec virou se para Cordélia e com toda a calma do mundo falou com aquela mulher insignificante que ousou estragar o jantar de comemoração pela recuperação de sua esposa. Alec falou alto o suficiente para que até dos muros desse para todo mundo ouvir.

_ Essa foi a primeira e última vez que tu estragastes o momento de felicidade da minha esposa. Da próxima não me importará que sejas minha prima e convidada em meu castelo. Dar-lhe-ei uma surra como devias ter levado desde quando era uma criança.

Voltou-se para seu tio e falou com a voz dura.

_A culpa é tua, Enrique, por ter criado uma harpia no lugar de uma filha.

Enrique ficou calado, mas não feliz de receber uma repreenda de um garoto que ajudou a criar. Calmamente ergueu-se e se retirou do salão ocultando como pode o machucado na cocha que não sarara como devia e o arroxeado na mão que fazia doer seus dedos.

Cameron, Phelan e Alec observaram Enrique e sua filha saírem do salão e não passou despercebido o mancar do seu tio nem os ferimentos que sua prima tentava esconder.

_O sumo da amoreira não permite que os ferimentos sarem rápido não é mesmo?
Perguntou Phelan não esperando por resposta, pois sabia que seus irmãos tinham o mesmo pensamento que ele.

Alec lembrou-se do que Becca disse sobre o ataque.
“fiz um estilingue e o acertei com uma pedra e depois com um galho pontudo que eu arranquei da árvore”.
Lembrou-se de James e do seu machucado no dia do ataque. James não tinha arroxeado nenhum, mais não o descartaria como suspeito. Ele odiava sua esposa.

_Ouvi o que Becca lhe segredou sobre o ataque Alec. Achas que Enrique ou Cordélia estão por trás disto?

Cameron perguntou em voz baixa em quanto saiam do salão e seu irmão dava ordens para os homens continuarem comendo do banquete. Eles mesmos tinham perdido a fome. Dirigiram-se as escadas e foram para seus quartos com um balançar de cabeça de Alec confirmando o que Cameron tinha dito.
Os irmãos entraram no quarto para conversar sobre o assunto e Alec seguiu seu caminho.
 Precisava falar com sua mulher urgentemente.


******


Na manhã seguinte uma forte dor de cabeça ameaçava me tirar o humor já tão frágil, meus olhos doíam como que esmurrados a cada pontada que sentia em meu cérebro. Levantei-me com cuidado e me dispus a ir ao quartinho sabendo o que me esperava ao me debruçar no balde e começar a vomitar até a alma, sempre era assim, as enxaquecas diminuíam quando eu vomitava mais sempre me deixava exausta ao ponto de deslizar ao chão e me curvar em uma bola pressionando minha cabeça em meus joelhos até que passasse o mal estar.


                      *********


Alec tinha saído cedo a caça com seu falcão sobrevoando sua cabeça, um grito estridente lhe alertando de que tinha animal à vista, ele estava com os instintos sombrios hoje. Seus homens cavalgavam ao seu lado e também estavam cautelosos, tinham encontrado rastros que levavam a uma cabana abandonada a algumas milhas de distância do castelo, tinha vestígios de que alguém passou certo tempo por lá. O buraco descoberto no muro oeste coberto por um grande arbusto foi surpresa para todos, alguém tinha escavado as pedras de forma que não fosse visto quando deslizasse para dentro do pomar e escalasse o muro rachado pelo raio da tempestade. Alec estava se roendo de raiva por não ter visto desde o início. Tinha mandado fechar o buraco e o rasgo no muro, tinha reforçado a vigília, mas ainda assim estava insatisfeito, só se acalmaria quando pegasse a pessoa responsável pelo ataque a sua esposa.




{***}
 


Becca tinha resolvido ir até a lavandeira verificar como as coisas estavam indo seu marido tinha dado ordem de que descansasse. Ela era elétrica de mais para obedecer. Entrou no lugar abafado e quente, um filete de suor lhe caiu pela têmpora nos poucos minutos em que lá estava, avistou as pilhas de roupas e viu as de seu marido, resolveu lavá-las pessoalmente, queria um atividade que tirasse a lerdeza do corpo por causa dos vários dias em que esteva deitada. As mulheres de principio não ficaram felizes com sua estada lá mexendo nos tachos, mas algumas palavras doces e sorrisos sinceros e tudo tinha se ajeitado.


{***}


Alec tinha voltado cedo da caça, devido a terem saído muito cedo tinham retornado bem antes do almoço, buscou sua esposa no quarto achando que a encontraria deitada descansando, o quarto estava vazio, saiu a sua procura e seu sangue ferveu quando lhe disseram em qual direção ela tinha ido. Inferno! Será que sua destemida mulher não poderia ficar um dia sem se meter em confusões?

{***}

Estava falando sobre uma receita de sabão muito mais fácil de fazer e muito mais cheiroso, todas nós estávamos tagarelando sem parar e em um estante ao outro a conversa ao redor parou abruptamente e antes de que eu perguntasse o porquê eu o senti. Bem atrás de mim com seus agudos olhos de falcão cravados em minhas costas, lentamente me virei para dar de cara com Alec e seu tão costumeiro mal humor sua carranca se aprofundava a medida que ele me olhava de cima a baixo, meu vestido pregado em meu corpo devido ao calor e vapor que os tachos de água quente os quais tinham roupas e lençóis submersos desprendiam. Meu adorável marido não estava feliz.

_Esposo.
_Esposa.
_eu vim aqui... Hã... Ajudar as mulheres e...

Eu detestava como minha voz ficava insegura ao falar com ele mais era natural me senti assim sempre que ele expunha esse semblante irritado.

_Venha. – ele deu a ordem saindo de lá sem me esperar, não tive outra escolha a não ser recolher minhas saias e correr atrás dele.

Segui meu marido até nosso quarto em silencio enquanto pensava em algo para dizer que não nos levasse a outro enfrentamento. A porta se fechou atrás de mim quando passei e ouvir o som da trava sendo colocada, respirei fundo e me virei preparada para a batalha, se seus olhos me diziam algo era que essa seria das grandes.

_Alec me escute eu...

Não tive tempo de falar, meus corpo foi prensado na parede e meus lábios esmagados em um beijo devastador, quando ele me soltou eu me agarrei na parede as minhas costas dando graças a Deus que ela estava lá ou eu teria aterrisado sob meu traseiro devido a dormência de minhas pernas. Ele me olhou arrogantemente com os braços cruzados no peito e a pernas separadas como se estivesse me desafiando a questionar seus atos. Eu fiquei um pouco perdida.

_O quê?
_Eu o fiz.
_Fez o quê?
_Me controlei.
_Com o quê?

Ele suspirou e se aproximou de mim me agarrando e me levando para cama como se eu fosse uma boneca de pano. Sentou-se comigo em seus joelhos e se dispôs a alisar minha coxa com a mão que meteu por baixo do vestido.

_Eu me controlei hoje. Quando cheguei da caçada não te vi e me informaram que estava na lavanderia achei que te encontraria afastada das outras mulheres apenas dando ordens como te concerne como lady MacLeomhan, mais ao te achar debruçada em um taxo de água fervendo toda suada e mexendo os lençóis ao ponto de levar uma queimadura me deixou enervado e irritado, não é para fazer isso, não é teu trabalho e se ti machucas? Se ti derruba um dos tachos em cima? Hã? O que faria? O que eu faria?
_Está se descontrolando. - falei alisando seu rosto com a barba crescida de cinco dias.
_Semana passada foi o tear, esse objeto é pesado vai te estragar as mãos. - ele me ignorou continuando com sua repreensão.
_Eu gosto de trabalhar no tear. - sussurrei lhe dando um beijo na bochecha, adorava quando a barba me fazia cócegas.
_Não te quero fazendo trabalhos pesados e se tu estás a esperar meu filho?
_e o que tem?
_Não podes se exceder.
_Alec, não sou feita de vidro. Não sou uma flor de estufa sabe?
_És sim é uma linda flor frágil da qual eu me apaixonei. Carinho, se não se preocupa com tua vida, leva em conta o meu coração que se romperia se te perdesse.

Foram as palavras mais lindas que ele poderia ter me dito e naquele momento eu o amei mais ainda se é que isso era possível.

_Eu estava lavando as tuas roupas. - murmurei e ele sorriu me beijando.
_Podes supervisionar a lavagem de minhas roupas, mais não te quero mexendo nos tachos. Me obedeça nesse quesito sim querida? Preocupa-me muito que algo possa acontecer-te e eu não esteja por perto para te proteger.
_eu prometo meu querido.
_Essa é a minha linda Bean.















2 comentários:

  1. Ah eu bem sei como é ter um homem todo preocupado como Alec e sei que nesses momentos o coração de Becca dispara.

    Beijos filhota e cuide-se!

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  2. maravilhoso,adoro essa história,beijossssssss

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