Capítulo 16
Cansei de ficar de molho
Você me desobedeceu???
Já fazia duas semanas que eu estava deitada naquela cama. Duas
semanas sem nada pra fazer além de dormir, tomar beberagem com gosto de vômito,
comer e... Ah, sim, dormir de novo. Meu marido tinha dado uma ordem direta,
nada de levantar da cama a não ser para fazer as necessidades e tomar banho.
Só. Nada mais que isso. Ele passava o dia inteiro cuidando dos seus afazeres de
lorde e Suria cuidava de minha parte já que eu estava temporariamente
impossibilitada de fazer. Angélica sempre vinha me visitar e contava o que
estava acontecendo no castelo, ela era meus olhos fora do quarto.
No dia seguinte ao ataque, minha mais nova amiga tinha me
trazido uma notícia no mínimo inquietante. Inquietante não, horrível,
devastadora, insuportável de se quer cogitar que estava acontecendo. Cordélia a
priminha e ex noiva de MEU MARIDO estava de volta. Das terras dos MacLeomhan até o castelo dos Louddon na
Inglaterra era uma jornada de uma semana.
Cordélia tinha ido embora no dia do meu casamento, como ela
soube que eu a esposa do lorde e sua RIVAL tinha sofrido um atentado? Das duas
uma: Ou tinha alguém muito interessado em ver as brigas que se desenrolariam
quando nós duas estivéssemos no mesmo ambiente, ou... Eu não tinha outra
teoria, quer dizer eu até tinha, para chegar uma missiva na Inglaterra um
mensageiro teria que esfolar o cavalo para chegar em no máximo quatro dias, sem
desmontar, sem dormir nada. Cordélia levaria no mínimo dois dias para preparar sua
bagagem e mais uma semana para chegar aqui, no caso ela teria chegado no começo
dessa semana, não no dia seguinte ao seu ataque, ela não tinha criado asas e
também não tinha bola de cristal para prever o que me iria acontecer, apesar de
ser uma bruxa em todos os sentidos eu não acreditava que ela fosse capaz disso.
Então... Só me restava uma resposta. Ela estava aqui no dia em que eu fui
atacada, escondida em algum lugar nesse enorme castelo o que era muito fácil,
pois o lugar parecia um labirinto. Precisava falar com Alec mais duvidava que
ele fosse me escutar, ela era sua prima. Sua prima querida de acordo com o pai
dela. Eu soltei um bufo de indignação, gostaria de ter câmeras escondidas no
castelo. Nessas horas eu sentia uma falta tremenda do meu século.
{***}
Alec largou a pena em cima da mesa não ligando quando a
tinta espirrou nos papeis a frente, fechou com um baque surdo o livro de contas
massageando os lados da cabeça, as colunas de números turvavam sua visão, ele
se ergueu e se encaminho para o seus aposentos, com certeza Becca teria algo
para suas dores de cabeça e mesmo sem poder se levantar ela iria conseguir algo.
{***}
Não tinha nada pra fazer no quarto, mais especificamente naquela
cama. Eu estava entediada larguei meu caderno de desenhos e afofei os
travesseiros me ajeitando melhor contra eles o que me consolava eram duas
coisas: Primeiro, Alec tinha colocado Suria e Morag pra correr do nosso quarto.
Ele tinha dito que era suficiente apto para cuidar de mim o que eu agradeci grandemente,
elas estavam me sufocando. Segundo, o fato dele só dormir sem roupas me
proporcionava uma satisfação enorme, estava de jejum então me encostar em seu
peito desnudo e... Em certos lugares também me deixava feliz, ainda mais com a
certeza que ele me dava de que também sentia saudades.
As vezes eu me queixava, não estava de resguardo, por Deus! Foi só
algumas flechadas, não tinha tido um filho. Mas meu querido e preocupado marido
me repreendia dizendo sempre as mesmas coisas “Você está doente, Becca, não
podemos fazer isso, não agora, espere mais uns dias sim?” Eu suspirava e
balançava a cabeça em concordância. Bom, pelo menos ele não saia da cama e
corria pros braços de nenhuma outra mulher, eu sou ciumenta. E muito. E hoje
não seria diferente, não poderia ser de qualquer maneira. Cordélia estava no
castelo, isso queria dizer que ela tropeçaria com meu marido a qualquer minuto
do dia e eu não estaria lá para cuidar do que é meu. Eu não tenho medo dele me
trair, não, ele me é fiel, mas eu sou ciumenta com qualquer mulher que chegue
perto dele. Qualquer uma que aparente ser uma ameaça ao meu casamento. Eu sei
como as coisas dessa época são e como as esposas tinham que fazer vista grossa
para as amantes do marido que se pavoneavam a sua frente. Comigo não violão.
Uhum. De jeito nenhum. Não casei para levar chifres. De forma alguma.
{***}
Becca estava na cama desenhando, Alec ficou olhando-a da porta,
ela nem se quer tinha ouvido quando ele entrou, estava profundamente
concentrada em seus desenhos, ele tinha dado uma caderno de capa de couro macio
a ela, Ele sabia que ela gostava de escrever e desenhar, e era o que estava
fazendo nesse momento. Desenhando adaptações das coisas do século dela para
usar no século dele. Por exemplo: Eles levavam um mês para fazer uma peça de
corda boa. E seis meses para fazer uma peça de tartam. Becca estava inventando
um jogo de rodas, manivelas e correias para ligar os teares uns nos outros e
assim fazerem o trabalho mais rápido, estava desenhando um tear com uma
lançadeira presa num cordão que não caia do tear caso passasse direto. O tear do
clã era totalmente diferente do dela e sua esposa tinha que criar adaptações
para fazer funcionar do jeito que ela queria. Também desenhou um aparelho que
prende e torce a fibra e transforma em corda muito mais rápido, se eles levavam
um mês para fazer somente uma peça de vinte metros de corda, com sua invenção
levariam uma semana no máximo para fazer uma peça de trinta metros e a corda
seria bem mais resistente e não seria tão cansativo de fazer o trabalho. Sua esposa também tinha desenhado
como ficaria o pomar assim que ela melhorasse e pudesse sair da cama para poder
se dedicar a plantar as sementes que ela tinha trazido consigo. Becca trouxe
consigo praticamente todo o século dela dentro da sua bolsa e da sua cabeça. Alec
achou melhor não interromper sua mulher e saiu de vagar sem fazer barulho e foi
a procura de Morag essa hora era estaria na aldeia, ela teria algum poção que
curasse sua dor de cabeça.
{***}
Eu resolvi pegar o caderno novamente e voltar a desenhar alguma
coisa retomei o desenho de algumas caixas para a apicultura. Era melhor e mais
seguro do que tirar os favos de mel direto da colmeia. Os MacLeomhan não levariam mais tantas ferroadas e
as casinhas das abelhas estariam sempre intactas, em contra partida, sempre
teriam mel em abundância para fazer os bolos e o idromel que vinha da
Inglaterra e que eu sabia fazer muito bem por sinal, mamãe tinha me ensinado.
Eu estava tão absorta nos meus desenhos e rabiscos que quando escutei
uma batida na porta, sem levantar os olhos do papel mandei que entrasse, achei
que era Angélica ou outra moça das cozinhas com alguns doces para mim. Péssima
ideia pensei quando senti um cheiro enjoativo bem ao meu lado na cama. Respirou
fundo e me arrependi na hora. Cogitei parar de respirar, era melhor do que
morrer com esse fedor. Será que a mulher não percebia que isso que ela chamava
de ultima moda na França era considerado no meu tempo como perfume de urina de
gambá em excesso? Jesus, eu queria me
erguer da cama e correr o mais longe possível dessa pessoa inconveniente e
fedorenta.
_O que você quer Cordélia?
Falei fechando o caderno e erguendo a cabeça só par dar de cara
com uns olhos negros de ódio bem em cima da minha cara. Não vou negar me senti
incomodada com o escrutínio que sofria por parte de minha rival.
_O que queres Cordélia? - Repeti a pergunta novamente e recebi
um sorriso sarcástico como resposta.
_Ele é meu, sua vadia. E você não vai tirá-lo de mim.
Eu a observou de cima a baixo demorando um pouco em sua mão que
estava enfaixada e em um hematoma no seu ombro.
_Machucou-se Cordélia?
_Acidente de caça. A presa me atacou quando eu ia abatê-la. Na
próxima não vai me escapar. Isso eu lhe garanto.
Soltando essas palavras em cima de mim Cordélia endireitou a
postura e saiu do quarto em um revoar de tecido de muito mau gosto. Previ que meus
dias seriam um verdadeiro inferno enquanto ela estivesse aqui.
E não me enganei.
À noite, enquanto me arrumava para descer ao salão e jantar, por
que já que estava muitíssimo bem e ninguém me manteria presa no quarto contra
minha vontade. Meu querido Alec até que tentou, mas eu lhe disse que se ele
repetisse a palavra repouso mais uma vez eu não responderia pelos meus atos.
Ele se calou prontamente.
Me esmerei na arrumação, coloquei um vestido vermelho sangue ao
estilo dos do meu século. Todas as minhas roupas apenas com algumas exceções
eram do meu século. Alec preferia assim, ele achava mais bonito os meus modelos
e também palavras dele facilitava muito quando queria me encostar em alguma
parede ou árvore ou mesmo na mesa da saleta que na verdade era um escritório.
Eu ri quando me lembrei de ontem à noite quando ele demorou mais do que o
normal se recolher ao nosso quarto e eu no meu medo de quê Cordélia pudesse
tê-lo pego em um corredor escuro qualquer desci para procurá-lo desobedecendo
todas as leis impostas pelo meu querido marido e senhor. O salão estava em
silêncio profundo então segui para o escritório encontrando - o sentado na
cadeira atrás da mesa gigante e absorto em estudar alguns papeis. Lembro-me que
me aproximei devagar fechando a porta as minhas costas e passando o fecho, ele
ergueu a cabeça e me questionou com o olhar. Não disse nada, ele também não. Sinceramente,
naquela hora, não queria conversar ou explicar meu ato de insubordinação,
queria apenas matar a saudade de dias e dias sem poder tocá-lo como eu
desejava. Sorri para o vazio lembrando que me aproximei calmamente medindo meus
passos temerosa de que ele me mandasse voltar para a cama e parei de frente pra
ele a mesa entre nós, nessa noite eu tinha posto um vestido azul, meus cabelos
soltos jogados em cima do meu ombro direito deixando um lado do pescoço a
mostra. O vestido era fechado a trás com fitas e dava o laço em baixo, era bem
justo no busto, cintura, quadril, ele ia se enlanguescendo até o chão, no colo,
na manga e na barra do vestido tinha uma fita de ceda negra dando um acabamento
lindo na peça. Eu gostava dele era... Interessante. Quando eu andava todo o
vestido balançava ao movimento do meu quadril e meu marido não tirava os olhos.
Sorri com a lembrança de suas palavras, apesar de que seus olhos dissessem algo
muito diferente.
_Não devias está na cama mo Grah? - Ele tinha falado com a voz
enrouquecida, seus olhos não desviavam de mim um segundo sequer. Lhe sorri.
_Estava cansada de ficar na cama. Estou bem melhor e não quero
mais ficar lá. Não sozinha. – Eu tinha lhe dito.
_Eu estava tentado dar-te tempo carinho. – Ele tinha me
respondido.
_Tempo pra que?
_Para descansar. Estás fraca.
_Não estou mais doente nem cansada e tampouco estou fraca. Tinha
falado enquanto me aproximava mais ficando ao seu lado, meus dedos roçaram os
seus quando ergueu sua mão em minha direção. Fiquei comtemplando sua palma da
mão tão forte capas de sustentar uma espada tão pesada, capas de matar, mas ao
mesmo tempo tão cuidadosa ao lhe dar comigo. Suspirei alisando os calos nos
dedos, dedos fortes, dedos que me cuidavam de um Jeito que ele e apenas ele
sabia. Ergui meus olhos lhe mirando e o deixando ver meu desejo refletido em
minhas íris.
_Faça amor comigo Alec. Por favor, é só o que eu peço.
Tinha sussurrado elevando minha mão para descansar em sua
bochecha.
_Não quero machuca-la, perdeste tanto sangue e...- ele tentou
argumentar, eu sabia que ele faria isso.
_Alec, isso foi a duas semanas. Já tenho sangue suficiente para
doar para vinte pessoas. - Falei e sorri não consegui me manter séria, achei
lindo a preocupação dele, mas não queria mais adiar esse momento nem um segundo
mais.
Fui arrancada de meus pensamentos quando bateram em minha porta
chamando-me.
Desci ao salão, acompanhada de Kieran, não queria
por nada nesse mundo dar de cara com Cordélia. A rainha da beleza mais
conhecida por mim como sonsa, dissimulada e minha quase assassina estaria lá
sentada no estrado e com certeza estaria linda. Bom, eu não estaria linda.
Estaria deslumbrante com meu vestido vermelho sangue de decote generoso. Não
tão generoso quanto os decotes ingleses dessa época devo dizer, mas não poderia
me deixar que aquela harpia tomasse toda a atenção para si. Por isso, mesmo
temendo atrair a fúria do seu marido pela a peça ser muito justa resolvi vesti-lo
que na minha opinião era magnífico. Simples e chique na medida certa.
prendi meus cabelos em um coque no pé do pescoço coloquei minhas sapatilhas de seda e
desejei que nesse século existisse saltos altos. Bem não se podia ter tudo que
desejava não é mesmo? Eu sempre amei
vestidos de bailes elegantes e compridos. O motivo de não tê-los em meu guarda
roupa no meu século era simplesmente o preço exorbitante que custavam, mas qual
foi minha surpresa quando no terceiro dia de repouso Alec fez adentrar no
quarto rolos e mais rolos de tecidos finos, sedas e rendas das mais diversas
cores. Atrás dele entraram um batalham de mulheres ansiosas para servir sua
Lady e aliviadas por saberem que eu estava bem e recuperada. Alec me disse que
não se preocupasse com nada e que as mulheres fariam os vestidos novos para
quando eu me restabelece pudesse me
vestir de acordo com minha posição de senhora dos MacLeomhan.
Eu lhe agradeci é óbvio e ele se curvou para receber seu prêmio por ser um
marido tão generoso. Eu o beijei no rosto, mas ele não gostou nada. Segurou-me
pelo pescoço e me deu um beijo do tipo desentupidor de pia, devolvendo-me a cama minutos depois e saindo do quarto com um sorriso
convencido na cara e deixando-me totalmente lesada e com cara de apaixonada.
Ouvir os risinhos por parte das mulheres e decidir me concentrar em nossa
tarefa.
Todos se calaram quando entrei no salão, se ergueram e me
saudaram pois fazia duas semanas que não saia do quarto salvo ontem a noite
mais ninguém me tinha visto. Eu acho.
Alec lhe sorriu
estendendo à mão quando ela chegou perto ele pegou sua mão suave e delicada,
depositou um beijo no centro da palma lhe dando um olhar cheio de promessas.
Becca como não podia deixar de ser corou violentamente fazendo com que Alec lhe
brindasse com um sorriso conhecedor, o desejo lhe
comendo vivo. Era torturante dormir todas as noites ao lado dela e não poder lhe
fazer amor. Na primeira noite de sua convalescência ele pensou em dormir em
frente da lareira para evitar a tentação, mas quando ela em sonho chamou pelo
seu nome dizendo que ele não a deixasse, ele descartou a ideia de dormir longe,
mas sempre ficava fazendo hora na saleta até ela dormir e ficar mais fácil resistir
a tentação. Ontem ele não conseguiu e sabia que hoje tão pouco conseguiria. E
verdade fosse dita, não queria mais se negar, ela estava bem. E ele sentia
saudades.
Ficaram naquela bolha de encanto e amor que era palpável para
todo o clã até serem despertos pela voz do demônio.
_Becca querida, não quer se sentar? Me parece que estás branca
de mais, talvez até desmaie, não é melhor voltar para o quarto querida?
Cordélia falou com sua voz falsamente doce.
_Óh! Boa noite Cordélia, não tinha percebido que tu estavas aí.
Becca se dirigiu para a cadeira da esquerda onde era seu lugar
de esposa, o lugar do coração de acordo com Alec. Phelan estava sentado lá e se
levantou prontamente para sua cunhada tomar assento, Becca lhe agradeceu e ocupou
seu lugar sem nem dá uma olhada para seu lado em que estava a sua rival. Phelan
lhe segredou ao ouvido enquanto ajustava sua cadeira.
_ Agradeça-me mais tarde por não ter deixado que ela sentasse ao
lado do teu marido, irmanzinha.
Becca sorriu e balançou a cabeça afirmativamente, quando olhou
para o seu marido o encontrou de cara feia olhando diretamente para seu irmão,
sua mão estava fechada em um punho apertado. Estava com ciúmes. Becca lhe tocou
a mão e ele imediatamente relaxou. Ela lhe deu um sorriso delicado o qual Alec
retribuiu, era muito fácil para os dois perderem a noção de onde estavam e do
tempo sempre que se olhavam. Era palpável o amor entre os dois. Alec a serviu
do próprio prato cortando um pedaço de carneiro e lhe dando na boca. lhe
sorriu. Ele vinha sorrindo com muita frequência pôde observar.
Enquanto o jantar prosseguia
calmamente eu fiquei observando todos ao nosso redor, procurando ferimentos e
hematomas que denunciasse meu agressor. Alec percebeu que eu estava procurando
algo e me tocou a coxa com a mão me fazendo olhá-lo.
_O que procura a leannan?
Me debrucei para mais perto dele e sua cabeça veio ao meu
encontro.
_Meu agressor.- Lhe sussurrei
_Você o viu? – Ele perguntou calmamente esquadrinhando o salão.
Viu sua mão pousar no cabo de sua sgian dubh apertando-a.
_Não, mais eu o acertei com uma pedrada e uma flecha
improvisada.
_Flecha improvisada?
_Sim, eu fiz um estilingue e o acertei com uma pedra e depois
com um galho pontudo que eu arranquei da arvore.
Alec me sorriu.
_És engenhosa minha pequena esposa. Não sei o que é estilingue,
mas sabia que estou orgulhosos de ti. Tu manejar tão bem uma arma improvisada
ao ponto de acertar um alvo que era quase impossível pelo local em que estavas
escondido teu agressor. É um feito que muitos não conseguiriam, carinho.
Orgulho-me de ti. Apesar de que foi muita irresponsabilidade da tua parte.
_Irresponsabilidade seria se eu tivesse ficado parada esperando
que me acertassem isso sim.
Falei com as bochechas coradas pelo elogio, mas indignada com a
acusação dele. Alec pareceu achar graça de minha cara feia, alisou meu joelho
me sorrindo e falando baixo ao meu ouvido como a poucos minutos eu tinha feito
com ele.
_Irresponsabilidade, não por ter agido dessa forma pequena, você
foi muito valente e estou orgulhoso de ter me casado contigo. Mas o fato de
sair do castelo sem uma escolta foi uma irresponsabilidade.
_Alec, eu fui para o pomar, não precisava de escolta.
_Precisavas sim, se estivesse com uma, não teria se ferido e
quase me causado uma morte prematura. Meu coração quase parou quando te vi
sangrando. Não permito que você sangre, não quero que você derrame nem uma só
gotinha de sangue, entendeu-me?
O que eu poderia dizer depois dessas palavras? Sorri feliz pela
sua preocupação e por ele ter dito que estava orgulhoso de ter se casado
comigo. Joguei-me em seus braços e lhe dei um beijo apaixonado e só percebi o
que estava fazendo quando escutei os gritos de felicidade dos homens do clã.
Oh, meu Deus, que vergonha, corei igual a um tomate. Tentei se sentar mais o
mais reta possível, mas Alec não deixou, me segurou mais apertado cheirando meu
pescoço e me dando um beijo no local. Só depois de que quase desmaiasse de
vergonha foi que ele me soltou e sentei-me em meu lugar. Ouvi de longe uma
cadeira sendo derrubada e depois senti meu vestido molhado. Olhei incrédula pra
cima dando de cara com Cordélia que parecia constrangida por ter derramado
vinho em meu vestido novo causando uma mancha enorme. Mancha essa que não
sairia tão fácil.
_Oh, milady, perdão! Como sou desastrada! Deixe-me ajuda-la com
seu vestido. Por favor, venha comigo e eu o limparei.
Eu me ergui tendo total consciência de que todo o clã me
observava em silêncio, olhei para seu marido e vi o olhar de raiva dirigido a mulher
que propositalmente causou o desastre e que nesse momento estava afastada a uma
distância segura de Alec e seus irmãos. Ela sabia que tinha feito besteira.
_Suria.
Chamei minha ama e ela se
apressou imediatamente ao meu lado.
_Venha milady, vamos tirar esse vestido e descansar, foi muito
agitação para a senhora essa noite.
Suria falou olhando com um olhar de reprovação para Cordélia que
lhe retribuiu com um olhar de raiva por ter se metido onde não devia. Antes de
Becca se retirar Alec segurou sua mão, acariciando-a e falou controladamente.
_Me reunirei contigo em pouco tempo carinho.
Becca sorriu e Alec lhe deu um beijo em sua mão a deixando
partir.
Quando Becca subiu as escadas e desapareceu nelas Alec virou se
para Cordélia e com toda a calma do mundo falou com aquela mulher
insignificante que ousou estragar o jantar de comemoração pela recuperação de
sua esposa. Alec falou alto o suficiente para que até dos muros desse para todo
mundo ouvir.
_ Essa foi a primeira e última vez que tu estragastes o momento
de felicidade da minha esposa. Da próxima não me importará que sejas minha
prima e convidada em meu castelo. Dar-lhe-ei uma surra como devias ter levado desde
quando era uma criança.
Voltou-se para seu tio e falou com a voz dura.
_A culpa é tua, Enrique,
por ter criado uma harpia no lugar de uma filha.
Enrique ficou calado, mas não feliz de receber uma
repreenda de um garoto que ajudou a criar. Calmamente ergueu-se e se retirou do
salão ocultando como pode o machucado na cocha que não sarara como devia e o
arroxeado na mão que fazia doer seus dedos.
Cameron, Phelan e Alec observaram Enrique e sua filha saírem do salão e não passou
despercebido o mancar do seu tio nem os ferimentos que sua prima tentava
esconder.
_O sumo da amoreira não permite que os ferimentos sarem rápido
não é mesmo?
Perguntou Phelan não esperando por resposta, pois sabia que seus
irmãos tinham o mesmo pensamento que ele.
Alec lembrou-se do que Becca disse sobre o ataque.
“fiz um estilingue e o acertei com uma pedra e depois com um galho
pontudo que eu arranquei da árvore”.
Lembrou-se de James e do seu machucado no dia do ataque. James
não tinha arroxeado nenhum, mais não o descartaria como suspeito. Ele odiava sua
esposa.
_Ouvi o que Becca lhe segredou sobre o ataque Alec. Achas que Enrique ou Cordélia estão por trás disto?
Cameron perguntou em voz baixa em quanto saiam do salão e seu
irmão dava ordens para os homens continuarem comendo do banquete. Eles mesmos tinham
perdido a fome. Dirigiram-se as escadas e foram para seus quartos com um
balançar de cabeça de Alec confirmando o que Cameron tinha dito.
Os irmãos entraram no quarto para conversar sobre o assunto e Alec
seguiu seu caminho.
Precisava falar com sua
mulher urgentemente.
******
Na manhã seguinte uma forte dor
de cabeça ameaçava me tirar o humor já tão frágil, meus olhos doíam como que
esmurrados a cada pontada que sentia em meu cérebro. Levantei-me com cuidado e
me dispus a ir ao quartinho sabendo o que me esperava ao me debruçar no balde e
começar a vomitar até a alma, sempre era assim, as enxaquecas diminuíam quando
eu vomitava mais sempre me deixava exausta ao ponto de deslizar ao chão e me
curvar em uma bola pressionando minha cabeça em meus joelhos até que passasse o
mal estar.
*********
Alec tinha saído cedo a caça
com seu falcão sobrevoando sua cabeça, um grito estridente lhe alertando de que
tinha animal à vista, ele estava com os instintos sombrios hoje. Seus homens
cavalgavam ao seu lado e também estavam cautelosos, tinham encontrado rastros
que levavam a uma cabana abandonada a algumas milhas de distância do castelo,
tinha vestígios de que alguém passou certo tempo por lá. O buraco descoberto no
muro oeste coberto por um grande arbusto foi surpresa para todos, alguém tinha
escavado as pedras de forma que não fosse visto quando deslizasse para dentro
do pomar e escalasse o muro rachado pelo raio da tempestade. Alec estava se
roendo de raiva por não ter visto desde o início. Tinha mandado fechar o buraco
e o rasgo no muro, tinha reforçado a vigília, mas ainda assim estava
insatisfeito, só se acalmaria quando pegasse a pessoa responsável pelo ataque a
sua esposa.
{***}
Becca tinha resolvido ir até a
lavandeira verificar como as coisas estavam indo seu marido tinha dado ordem de
que descansasse. Ela era elétrica de mais para obedecer. Entrou no lugar
abafado e quente, um filete de suor lhe caiu pela têmpora nos poucos minutos em
que lá estava, avistou as pilhas de roupas e viu as de seu marido, resolveu
lavá-las pessoalmente, queria um atividade que tirasse a lerdeza do corpo por
causa dos vários dias em que esteva deitada. As mulheres de principio não
ficaram felizes com sua estada lá mexendo nos tachos, mas algumas palavras
doces e sorrisos sinceros e tudo tinha se ajeitado.
{***}
Alec tinha voltado cedo da caça,
devido a terem saído muito cedo tinham retornado bem antes do almoço, buscou
sua esposa no quarto achando que a encontraria deitada descansando, o quarto
estava vazio, saiu a sua procura e seu sangue ferveu quando lhe disseram em
qual direção ela tinha ido. Inferno! Será que sua destemida mulher não poderia
ficar um dia sem se meter em confusões?
{***}
Estava
falando sobre uma receita de sabão muito mais fácil de fazer e muito mais
cheiroso, todas nós estávamos tagarelando sem parar e em um estante ao outro a conversa
ao redor parou abruptamente e antes de que eu perguntasse o porquê eu o senti.
Bem atrás de mim com seus agudos olhos de falcão cravados em minhas costas,
lentamente me virei para dar de cara com Alec e seu tão costumeiro mal humor
sua carranca se aprofundava a medida que ele me olhava de cima a baixo, meu
vestido pregado em meu corpo devido ao calor e vapor que os tachos de água
quente os quais tinham roupas e lençóis submersos desprendiam. Meu adorável
marido não estava feliz.
_Esposo.
_Esposa.
_eu
vim aqui... Hã... Ajudar as mulheres e...
Eu
detestava como minha voz ficava insegura ao falar com ele mais era natural me
senti assim sempre que ele expunha esse semblante irritado.
_Venha.
– ele deu a ordem saindo de lá sem me esperar, não tive outra escolha a não ser
recolher minhas saias e correr atrás dele.
Segui
meu marido até nosso quarto em silencio enquanto pensava em algo para dizer que
não nos levasse a outro enfrentamento. A porta se fechou atrás de mim quando
passei e ouvir o som da trava sendo colocada, respirei fundo e me virei
preparada para a batalha, se seus olhos me diziam algo era que essa seria das
grandes.
_Alec
me escute eu...
Não
tive tempo de falar, meus corpo foi prensado na parede e meus lábios esmagados
em um beijo devastador, quando ele me soltou eu me agarrei na parede as minhas
costas dando graças a Deus que ela estava lá ou eu teria aterrisado sob meu
traseiro devido a dormência de minhas pernas. Ele me olhou arrogantemente com
os braços cruzados no peito e a pernas separadas como se estivesse me
desafiando a questionar seus atos. Eu fiquei um pouco perdida.
_O
quê?
_Eu
o fiz.
_Fez
o quê?
_Me
controlei.
_Com
o quê?
Ele
suspirou e se aproximou de mim me agarrando e me levando para cama como se eu
fosse uma boneca de pano. Sentou-se comigo em seus joelhos e se dispôs a alisar
minha coxa com a mão que meteu por baixo do vestido.
_Eu
me controlei hoje. Quando cheguei da caçada não te vi e me informaram que
estava na lavanderia achei que te encontraria afastada das outras mulheres
apenas dando ordens como te concerne como lady MacLeomhan,
mais ao te achar debruçada em um taxo de água fervendo toda suada e mexendo os
lençóis ao ponto de levar uma queimadura me deixou enervado e irritado, não é
para fazer isso, não é teu trabalho e se ti machucas? Se ti derruba um dos tachos
em cima? Hã? O que faria? O que eu faria?
_Está se descontrolando. - falei alisando
seu rosto com a barba crescida de cinco dias.
_Semana passada foi o tear, esse objeto é
pesado vai te estragar as mãos. - ele me ignorou continuando com sua repreensão.
_Eu gosto de trabalhar no tear. -
sussurrei lhe dando um beijo na bochecha, adorava quando a barba me fazia
cócegas.
_Não te quero fazendo trabalhos pesados e
se tu estás a esperar meu filho?
_e o que tem?
_Não podes se exceder.
_Alec, não sou feita de vidro. Não sou uma
flor de estufa sabe?
_És
sim é uma linda flor frágil da qual eu me apaixonei. Carinho, se não se
preocupa com tua vida, leva em conta o meu coração que se romperia se te
perdesse.
Foram
as palavras mais lindas que ele poderia ter me dito e naquele momento eu o amei
mais ainda se é que isso era possível.
_Eu
estava lavando as tuas roupas. - murmurei e ele sorriu me beijando.
_Podes
supervisionar a lavagem de minhas roupas, mais não te quero mexendo nos tachos.
Me obedeça nesse quesito sim querida? Preocupa-me muito que algo possa
acontecer-te e eu não esteja por perto para te proteger.
_eu
prometo meu querido.
_Essa
é a minha linda Bean.
Ah eu bem sei como é ter um homem todo preocupado como Alec e sei que nesses momentos o coração de Becca dispara.
ResponderExcluirBeijos filhota e cuide-se!
maravilhoso,adoro essa história,beijossssssss
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