Capítulo 05
Bella estava parada em frente à janela de seu quarto, observando as gotas de chuva que batiam fracas, mas insistentes em seus vitrais. Ela não sentia nada à sua volta, a não ser a tristeza que lhe embargava e que, por duas semanas, tinha sido sua companheira constante. Distraidamente, alisou sua barriga plana, uma lágrima solitária deslizou por seu rosto sem que tivesse conhecimento. Seu pequeno bebê não mais existia. Era muito para ela suportar. Mesmo que tivesse dito a seu marido que tudo acabaria bem, que eles estariam bem, ela não se sentia assim, a perda do filho, que nem se quer chegou a conhecer, lhe destroçava a alma, acabava com seu coração. Abraçou-se e continuou a olhar para fora.
Edward entrou no quarto e a viu na mesma posição que a via todos os dias. Ela não mais falava com ele, nem com ninguém a não ser que alguém lhe falasse primeiro. Ele estava morrendo por dentro, ver sua esposa nesse estado era demais para ele. Sabia que ela estava sofrendo e mais ainda depois dos resultados dos exames que comprovaram que ela não poderia mais engravidar. Se aproximou dela calmamente e lhe colocou uma mão em seu ombro.
_Carinho.
Ela não respondeu, se encolheu ao ouvir sua voz. Ela não queria que ninguém a visse nesse estado, nem mesmo ele. Mas, ele não poderia deixá-la passar por isso sozinha. Nunca.
Ele cruzou os braços no peito e olhou para fora, na mesma direção em que ela olhava sem ver nada à sua frente.
_Eu não sei o que dizer... E nem sei se gosto de começar. Querida, alguém me disse para fugir, te dar o tempo necessário para que se restaurasse. Mas, querida, você me conhece melhor do que ninguém, é tudo ou nada para mim.
_Há sons em minha mente - ela falou, sem lhe olhar, apenas encarando o vidro embaçado à sua frente. _Vozes sussurrando baixinho aqui dentro. – ela apontou para a cabeça. _ Que eu sou a culpada de tudo isso e que isso deveria terminar com essa tortura...
_Não, querida, não pense nisso, não as escute, por favor...
_Oh, mas eu me peguei escutando-as.
_Nossa mente nos prega peças quando estamos fragilizados, mas eu estou aqui, querida, eu estou aqui.
_Às vezes, eu penso... Seria tão fácil se simplesmente eu deixasse de viver...
Ele a abraçou apertado, a depressão em que ela se encontrava era muito forte. Ele chorou abraçado a ela.
_Você não pode pensar isso, Bella. Amor, você não está só! Era meu filho também. Não posso lidar com isso, Bella, eu não posso passar por isso sem você. Por que eu não sei quem sou, quem sou sem você. Tudo o que eu sei, amor, é que eu morreria por você, mas não suportaria ver a vida deixar seus olhos, eu não sei se poderia aguentar viver sem você. Dividi-la com esses sentimentos que lhe rodeiam já é demais para mim.
_O que você quer que eu faça? – ela disse, se soltando dos seus braços e se afastando, indo para o outro lado do quarto.
_Quero que volte para mim. Quero minha mulher de volta, minha Bella, que ria comigo, que brigava comigo pelas idiotices que eu fazia e que, no final do dia, quando eu chegava a casa, me recebia de braços abertos. Quero você.
_Eu não posso lhe dar o que você me pede, Edward. AQUELA LOUCA ME TIROU NÃO SÓ NOSSO FILHO, MAS TUDO QUE HAVIA EM MIM!
Ele foi para ela, a prendendo em seus braços e a forçando a olhar para ele.
_Ela não tirou tudo de você. – ele pegou sua mão frágil e a ergueu até seu coração. _Sente isso? Isso sou eu em você, sou eu vivendo em você. Sou eu e as crianças e todos os que te amam e que você ama. Não está só, Bella e eu me recuso a deixar que você passe mais um dia isolada de todos, que me condenem ao inferno se eu deixar você se afastar de mim mais do que já tem feito. Eu amo você, está-me ouvindo? Eu amo você. EU. AMO. VOCÊ! E não deixarei que se vá.
Ele lhe beijou desesperadamente, colhendo suas lágrimas em seus lábios. Ela se pregou a ele e correspondeu ao beijo com desespero, seus corações esmurrando no peito, enquanto se dirigiam à cama. Suas roupas foram rasgadas e descartadas em algum lugar, ele a deitou na enorme cama que não mais compartilhavam há duas semanas, se ergueu em seus braços e lhe olhou de cima.
_ Eu amo você, Bella e não te dividirei com nada, nem mesmo com essa merda de depressão que está comendo, não só você, mas todos à sua volta vivos.
_Edward...
_Estou aqui, amor e não vou a lugar nenhum.
_Estou com medo.
_Agarre-se em mim, querida. E deixe que eu te guie. Confie em mim para tirar nós dois desse escuro. Amo você Isabella Cullen, por toda a minha existência.
Ela o abraçou forte, enquanto o sentia dentro de si. Deixou que ele a guiasse, por que precisava desesperadamente disso. Dele. Do seu amor. Mais do que nunca.
_Ficaremos bem. – ela sussurrou em seu ombro, algumas horas depois.
_Ficaremos bem. – ele confirmou, beijando seus cabelos e a abraçando apertado. _Sim, ficaremos bem, por que nos amamos e nada, nem ninguém irá nos separar. Nunca.
26 anos depois...
Alec estava em frente ao seu espelho, ajeitando a gravata, se preparando para mais um dia de trabalho. Um gemido vindo de sua cama o fez virar naquela direção. Sua acompanhante estava acordando, ele sorriu, a noite tinha sido... Divertida.
_Olá? – ela sussurrou com sua voz rouca pelo sono.
_Olá. – ele respondeu, voltando-se para o espelho e terminando de se arrumar.
_Você já vai trabalhar?
_Preciso docinho, tenho muitos assuntos que requerem minha atenção.
_Ficarei com saudades. – ela miou para ele, que sorriu, se virando e indo em sua direção. A puxou pelos braços, a pondo de pé à sua frente.
_ Não sentirá saudades minhas em absoluto, docinho. Você ficará descansando e, mais tarde, poderá se divertir, gastando horrores no shopping com o cartão que eu te dei.
Ela abriu um sorrisão e ele revirou os olhos. O que mais gostava em Alicia era que ela não fingia, ela sabia o que estava levando nessa relação, eram simples os termos. Ele a tinha em sua cama e ela ganhava dinheiro. Ponto. Nada de jurar amor eterno, nem essas baboseiras que as pessoas acreditavam. Não com ele. Alex se considerava muito seguro de si e totalmente fechado para cair nessa besteira de amor. Já estava com cinquenta e sete anos e administrava uma das maiores empresas do país, sem contar que era o príncipe regente e sua agenda sempre vivia lotada. Tinha muitos lugares por onde viajar, para poder se prender a alguém amorosamente. Sua mãe sempre dizia que quando ele encontrasse sua companheira... Ele não procurava por companheira nenhuma, ele não queria companheira nenhuma. Amor verdadeiro, na sua opinião, apenas o dos seus pais. Só. Ele não queria sofrer desse mal. Nunca!
_All?
_Oi? – ele disse, pegando sua pasta e seu celular, colocou sua carteira no bolso e se virou para ela.
_Sua mãe ligou ontem.
Ele ergueu uma sobrancelha em questionamento e esperou que ela lhe falasse.
_Ela não gosta de mim. – Alicia fez bico e Alex revirou os olhos.
_Seja mais educada com ela, que ela vai gostar de você.
_Ela é estranha...
_Minha mãe, não é estranha Alicia, nunca mais cometa o erro de falar isso novamente.
Ele falou grunhindo e ela se encolheu na cama. Alex tinha mudado. Muito. Não morava mais com os pais, não vivia na Escócia. Vivia em Seattle, cuidando da empresa. Tinha amadurecido bastante, era responsável, um homem feito, assim dizia seu pai. Mas uma coisa não tinha mudado em todos esses anos. Ele virava bicho quando alguém dizia algo contra sua mãe. Sua delicada e frágil mãezinha era intocável e, mais de uma vez, acabou relacionamentos apenas por que suas amantes diziam gracinhas sobre sua frágil figura. Já matou também, um safado de um paparazzi que tinha tirado uma foto de sua mãe em um dos piores momentos de sua vida, quando tinha perdido mais um bebê. Isso tinha sido há cinco anos, desde então sua mãe não saia de casa e seu pai não saia de perto dela, o velho tinha se aposentado e coube a ele e Nessie cuidar de tudo. Sua irmã cuidava da matriz em Edimburgo e ele da de Seattle. Seu tio Emmett, junto com sua tia Rosalie cuidavam das filiais pequenas e que davam menos trabalho. Seu avô Carlisle o ajudava com os assuntos do reino, quando seu pai não podia. O velho não tinha se retirado da arena. Alex riu, lembrando-se do seu pai. Fazia um ano que não o via, nem a sua mãe.
_Alex...
Ele saiu de suas divagações, quando Alicia sussurrou seu nome.
_Fique à vontade, volto à noite.
Ele saiu do quarto, indo em direção à garagem. Morvan, seu motorista e segurança, já o estava esperando.
_Para a empresa Morvan, tenho pressa.
{***}
_Droga!
Caroline chiou, quando sua bolsa caiu dentro de uma poça d’água. Estava atrasada. Era o comum dela e odiava isso! Correu pela rua, atravessando dentro da faixa, mas antes que chegasse ao outro lado, o sinal abriu e ela quase foi atropelada.
_Sai do meio, sua maluca! – o palhaço do carro lhe gritou.
_Ah é! Pois maluco é você e passe por cima, se for homem! Idiota. – ela resmungou o último insulto, sentindo suas bochechas corarem, já que nunca tinha sequer levantado a voz, quiçá xingar alguém. Hoje seu dia prometia.
A empresa Cullen era a maior e mais importante companhia em Seattle. Situada no coração da cidade, já existia há mais de cem anos, tendo como principal função a marítima. As empresas Cullen eram donas de noventa por cento da frota de navios do porto. Caroline olhou para cima, o imenso prédio de quarenta andares era todo de granito, as janelas escuras refletiam toda a paisagem à sua volta. Era de dar medo em uma noite chuvosa e nem precisava contar com o fato de que os donos eram vampiros.
_Vampiros... Meus Deus, em que mundo estamos!
Ela balbuciou para si mesma, antes de respirar fundo e entrar no enorme prédio. Eram visíveis as diferenças de classes sociais que desfilavam pelo saguão do lugar, sem contar as diferenças raciais... Era assim que falava? Diferenças entre humanos e vampiros? Lógico que eram raças bem diferentes, claro ela estava viva e eles mortos. Pelo menos era o que a mídia vivia falando. Uma amiga disse que dormiu com um e que o coração dele batia normalmente, um pouco acelerado do que o normal, mas, de resto, ele era normal. Ela se arrepiou quando um vampiro vestido em um impecável terno se aproximou dela. Ele cheirou o ar em volta de sua cabeça e lhe sorriu.
_Olá doçura. Me chamo Damom e você?
Ele passou o dedo por sua clavícula e ela tremeu, se afastando um pouco.
_Me- Meu nome é Caroline e...
_Lindo nome, Caroline.
_Damom, Alex quer você na sala dele. Agora.
O vampiro suspirou, obviamente chateado.
_Ok Paty. – ele se virou na direção de Caroline e ela automaticamente prendeu o fôlego. _ Foi um enorme prazer te conhecer, Caroline...
Ele se afastou, andando até os elevadores. Ergueu a mão e balançou os dedos em forma de tchauzinho para ela. Quando as portas se fecharam, Caroline teve necessidade de se sentar e teria caído no chão mesmo, se a mulher ao seu lado não tivesse lhe segurado pela mão.
_Calma querida, o Damom late, mas não morde. A não ser que você lhe dê permissão, é claro.
A mulher falou sorrindo, mas Caroline achava difícil encontrar graça na situação. Estava branca de medo e a mulher deve ter notado, pois, se afastou e, em seguida, voltou ao seu lado com um copo de água.
_Aqui querida, beba. Ele não vai fazer mal a você, todos aqui são bem disciplinados. Ele provavelmente sentiu o cheiro do seu medo.
_E medo tem cheiro? – Caroline balbuciou.
_Você não tem ideia do quanto. Sou Patrícia, a secretária do senhor Alexsander Cullen, presidente da empresa e também herdeiro.
_Ok... Hã... Me chamo Caroline e ligaram para mim. Bom, eu preenchi uma ficha tem uns seis meses e me chamaram agora.
_Sim? Para que setor? – Patrícia perguntou, sorridente.
_Limpeza, cozinha, essas coisas.
_Serviços gerais.
_É, serviços gerais.
_Bom Caroline, eu, como braço direito do manda chuva do lugar, vou ter o prazer de escoltar você até sua área de trabalho.
_Obrigada.
_Oh, não me agradeça querida, será um prazer e, quem sabe depois de algum tempo, você não sobe de cargo? Hum? Eu adoraria companhia por aqui.
_Como é trabalhar para o grande chefão?
_É bom, às vezes um saco, mas, no geral, normal. Muita correria. Aqui, essa é a cozinha e toda essa área é seu departamento. Se precisarem de café ou que arrumem a sala de reuniões eu ligo e sua chefe organizará tudo, mandará você ou qualquer outro.
_Quantos trabalharão comigo aqui nesse setor?
_Uns... Cinquenta.
Caroline arregalou os olhos e Patrícia riu.
_O senhor Cullen não gosta de sobrecarregar nenhum dos funcionários. É claro que eu não posso dizer o mesmo do filho dele.... – seu celular tocou estridentemente e uma melodia funestra soou pelo lugar. _ Falando no diabo...
Patrícia se despediu dela e correu porta a fora. A última coisa que ela ouviu Patrícia falar foi “Não mate ninguém Alex, estou chegando.”
{***}
Alex estava olhando para os dois homens à sua frente. Damom, que era vampiro muito do safado, estava jogado na cadeir,a como se fosse convidado e não a porra de um funcionário muito bem pago para fazer a merda do trabalho dele! George Newton, um humano insignificante, estava retorcendo a alça da pasta e olhando para qualquer lugar menos para ele e Alex detestava isso. Patrícia chegou com sua caneca de sangue morno e a colocou à sua frente, muito calma para o gosto dele.
_Bom, qual distância percorremos desde que eu dei uma saidinha?
_Nenhuma, o Alex está com a macaca hoje.
_Não estou comendo sua irmã, Damom, então pare de brincadeiras, antes que eu arrance sua espinha.
O vampiro ergueu as mãos em sinal de rendição, o que, na opinião de Alex, foi uma ótima escolha. Patrícia o olhou preocupada, mas ele negou com a cabeça, não queria falar do que estava sentindo. Uma comichão tinha se instalado na parte detrás do seu pescoço já tinha uns bons minutos e ele estava agoniado. Não sabia o que era isso, mas uma vontade louca de sair da sala e percorrer o prédio em busca de só Deus sabe o quê, estava o deixando nervoso e irritado.
_Vamos continuar. George, nos informe como andam as finanças do mês e onde podemos aplicar o capital extra que entrou essa semana.
_Sim... Eu tenho os papéis bem aqui...
_Eu sei que você tem.- Alex rosnou para a demora do humano. Patrícia o olhou, preocupada e Damom riu de sua falta de paciência.
O dia seria longo hoje, com certeza prometia...
{***}
_Conseguiram saber algo sobre Alana?
_Não mestra, perdão, mas eles a esconderam em algum lugar que nos é desconhecido...
_Se fosse conhecido, você não acha que eu já teria a achado?
_Perdão mestra, é que...
_Eu preciso daquela idiota. Vinte e seis anos sumida é tempo demais...
_Será que eles a mataram? Ela tentou matar a rainha deles, não foi?
_Não, eles não a mataram. Ela tinha segredos que eles precisavam, o erro foi meu de permitir que meu irmão mandasse aquela imbecil à caça.
_Mas ela era boa para o serviço, matar a rainha requeria alguém com o dom de se infiltrar no lugar e Alana tinha esse dom e...
_Não queria que a matassem, eu precisava do filho que ela carregava sua imbecil, duas crianças, uma vampira e outra lican e eu teria o poder de subjugar o mais forte da raça deles.
_O rei é poderoso demais, ele não seria pego tão fácil.
_Na verdade... Eu preciso do filho, não do pai, ele não tem tanto poder, mas têm o suficiente para o que eu quero. Preciso gerar um filho dele.
_Ele não dará sua semente, ela é infecunda.
_Eu sei, sua idiota! – a bruxa respirou fundo e se ergueu de seu trono, percorrendo o lugar. _ Preciso de minha informante aqui. Pelo que eu saiba, ele ainda não encontrou sua companheira.
_Não mestra, ele corre disso. – a mulher riu, mas se calou quando sua senhora a olhou séria.
_Meu irmão. Você sabe dele?
_Ele está fora, caçando-a.
_Ele precisa encontrá-la. A criança marcada com seu selo será sua esposa, ela irá gerar uma criança e essa criança, junto com meu filho concebido da semente do vampiro, marcarão a época da colheita. E a época do acerto de contas.
{***}
Alex estava inquieto. Os papéis à sua frente o enlouqueciam, os números e letras se convertiam em um torvelinho embaralhado que o enfurecia. De uma abanada só, atirou tudo de cima da mesa ao chão, se ergueu e foi para a janela, enfiando as mãos nos bolsos e encarando a paisagem.
_Atrapalho?
A voz melodiosa de sua mãe se fez ouvir na sala e ele se virou rápido, abrindo um sorrisão de trinta e dois dentes. Foi para ela. Observou como ela contornava sua bagunça e abria os braços para recebê-lo. Ele a rodou no ar. Quantas saudades sentia dela! Oh, Deus, quantas saudades!
_Está remodelando a sala, querido?
_Também senti saudades, dona reclamona. - um riso musical lhe atingiu os ouvidos e ele riu em resposta.
_Cadê o papai? Ele deixou a senhora vir sozinha da Escócia, foi?
_Nay. – ela falou com o perfeito sotaque do sul da Escócia.
_Onde ele está?
_Com a Nessie, na sala de reuniões.
_O que ele quer na minha sala de reuniões?
_Na nossa sala de reuniões, você quer dizer?
_Ok. O que ele quer lá com a fedelha?
_Ela tem sua idade.
_Mulher, você passou um ano sem ver seu rebento, pare de me repreender, por favor, ok?
_Está bem. E, se me chamar de você mais uma vez, lavarei sua boca com sabão.
_Sim senhora.
_Melhor, muito melhor.
Ele a arrastou para o sofá e a fez sentar, para, em seguida, se estirar e colocar a cabeça em seu colo. Agarrou a mão dela e colocou sobre sua cabeça. Bella sorriu do seu filhote, uma eterna criança perto dela.
_Me conte as novidades mãe, por que não me ligaram avisando que viriam?
_Eu liguei, quem atendeu foi sua namorada, de quem, por sinal, eu não gosto.
_Mãe - ele riu, lhe beijando a mão e recolocando-a novamente sobre sua cabeça. _ A senhora não gosta de nenhuma de minhas namoradas.
_Eu gostava da Melanie.
_Eu ainda a vejo de vez em quando, quando ela está de passagem por aqui e...
_Calado, sua vida íntima não me diz respeito, você devia se guardar para sua escolhida.
_Papai não se guardou, se bem me lembro das histórias...
_Alex...
_Ok parei, sem mais apoquentar o juízo da buchudinha.
Ele falou, sorrindo e sentiu que sua mãe enrijecia. Ele se ergueu e a olhou desconfiado.
_O quê?
_Não quero falar sobre isso.
_Mãe? Está tudo bem com o bebê?
Ele viu os lindos olhos vítreos se encherem d’água e ela se erguer e sair de perto dele, indo para a janela. Ele a seguiu, abraçando-a. Não precisava dizer mais nada.
_Foi natural, como todos os outros. Estava dormindo, acordei com dores, seu pai quis chamar Nilcia, mas... Bom, digamos que eu já tenho experiência de sobra para saber quando eu estou sofrendo um aborto sem condições de salvamento.
_Sinto muito mãe.
_Eu sei querido, eu sei.- ela se livrou de seus braços, limpando as lágrimas e sorrindo. _Vamos organizar o chá de cozinha de Nessie, ela quer casar aqui e você sabe como sua irmã é quando coloca algo na cabeça, ninguém a demove da idéia.
_É, eu sei, ela é igualzinha a mim e me atrevo a dizer que a senhora também, né mãe?
_Você tem a teimosia do seu pai querido, não se esqueça.
_Somos uma família de teimosos.
_É. Vamos à procura deles, ok? Quero ir para o apartamento descansar, por que amanhã iremos para Forks.
_Ok.
Ao saírem da sala, ele sentiu uma fisgada no peito, que lhe roubou o fôlego. Esfregou o local, olhando ao redor, procurando algo que não sabia o que era, mas sentia perto, muito perto. Encontraram seu pai e sua irmã na sala de reuniões e, depois de saírem para jantar, ele teve que voltar para a empresa. Tinha esquecido alguns papéis.
Foi aí que sentiu.
Um cheiro tão maravilhoso, que quase o fez cair de joelhos. Um rosnado possessivo saiu de sua garganta e ele saiu à caça, necessitava caçar o que lhe estava tirando a razão. Ele farejou todo o prédio. Quando achou que estava ficando louco, a encontrou, encolhida dentro do armário das vassouras. De primeira, se irritou por ela estar se escondendo dele. Depois, viu o que realmente aconteceu. Ela estava sangrando e agora o cheiro do seu sangue o fez literalmente cair de joelhos. Ele se agarrou na porta, para não avançar para ela, não era tão controlado como seu pai. Deus, temia matá-la! Não. Não a mataria. Seus olhos, seus lindos olhos azuis o encararam e ela prendeu o fôlego. Ele devia estar uma bagunça horripilante. Tentou falar, mas saiu apenas um rosnado, que a fez se encolher mais dentro do enorme armário. Ele respirou fundo. Péssima ideia. O cheiro do seu sangue adentrou suas narinas e ele tampou a boca e o nariz.
_O que está fazendo aqui? – Sua voz saiu um pouco áspera demais. Tentou moldá-la, para que não ficasse tão assustadora._ Caiu?
_E-eu me cortei quan-quando ia pegar minha bolsa e ouvi um rosnado e senti me-medo...
Ela respirou fundo, tentando se acalmar. Bom, um dos dois tinha que se acalmar.
_Foi você que rosnou?
_Você sangrou, deixe-me ver. – ele puxou sua mão e ela puxou de volta.
_Olha, eu nem sei quem é você. Não sei nada sobre você, além do fato de ser um vampiro morto de fome.
_Não sou um morto de fome.
_Você está babando. – ela o olhou séria.
Ele limpou a baba com as costas da mão.
_Você está sangrando e, caso não tenha notado, o que está escorrendo de você é minha principal fonte de alimento.
_Pare de olhar para mim assim.
_Pare de sangrar. – ele rosnou e ela embalou a mão com força contra o peito. Ele respirou pela boca e se ergueu, dando passagem para ela. _Vem, não vai gostar de dormir dentro desse armário.
_Eu não dormiria, não com você me encarando.
_Não mataria você. Eu...
_Você é um vampiro e eu sou sua refeição preferida.
_De várias formas que você nem cogitaria, querida.
Ele sorriu, mostrando as presas alongadas e ela tremeu. Ele fechou a boca.
_Vem.
_Vá à frente.
_Eu não vou lhe matar, criatura!
_Se me matar, seu chefe vai ter sérios problemas, minha família é importante.
Ela falou, tremendo e ele sentiu o cheiro do seu medo. Quis sorrir. Sentiu que ela mentia também, seu pulso acelerou e ele quis dizer que sabia que era tudo balela, mas deixou passar. Ele andou na frente e, quando saíram, ele se encaminhou para o carro e ela seguiu para outra direção.
_ Aonde você vai, criatura!
_Para bem longe de você!
Ela começou a andar rápido e ele suspirou, indo em sua direção. A alcançou rapidamente e se dispôs a andar ao lado dela. Começou a chuviscar e ele tirou o casaco, entregando e ela que negou e apressou os passos, tentando se afastar dele. Alex se irritou, estava se molhando e ela não dava nem um sinal que estava grata por sua preocupação. Parou e a pegou nos braços, ouvindo seu grito abafado pelo modo abrupto como ele a tinha pego.
_Me ponha no chão!
_Quando chegarmos no meu carro, eu te coloco. Sentadinha lá dentro.
_Eu quero ir a pé.
_Por mais que você queira morrer de pneumonia, eu fui educado para ser cortês e cavalheiro.
Ele abriu a porta e a colocou dentro. Fechou e ela tentou abrir, mas ele tinha travado. Sorriu para ela, enquanto dava a volta e entrava no carro.
_Coloque o cinto, pão de mel.
_Não me chame assim.
_Como desejar. Docinho.
_Pare de me pôr apelidos!
_Por que você está de mau humor.
_Não gosto que me toquem.
_Perdão favo de mel, mas eu não poderia deixar você congelar na rua. Agora, qual o endereço?
Ela ficou muda e ele sorriu, se aproximando dela e cheirando o ar à sua volta.
_Esse carro é bem pequeno e seu cheiro se intensifica aqui, eu posso encontrar sua casa só pelo olfato.
_Duvido. – ela sussurrou, olhando para ele assustada. Mas não era medo o que sentia, não de todo!
_O que eu ganho se acertar?
_Nada.
_ Um beijo estará bom, não?
_Nem morta.
_Você não me serve morta, doçura. Prefiro seu coração acelerado... Embaixo de mim.
Ela respirou fundo, virando a cara, ficando vermelha. Ele riu e deu a partida no carro.
_Subúrbio. Linos Tagues nº 345.
_Tá vendo? Nem doeu.
_Mas do que você imagina.
Ele riu e saiu do estacionamento. Assim que chegaram ao prédio decrépito em que ela morava, ele destravou as portas e ela correu para o abrigo do seu humilde lar. Alex ficou olhando ela sumir de suas vistas. Um imã o puxava para ela. Seu pai tinha entrado na casa de sua mãe, sem que ela precisasse convidá-lo, por que ela era sua escolhida. Ele sorriu. Talvez fizesse uma visitinha a sua escolhida hoje à noite...
_Caramba! Eu encontrei minha escolhida... Preciso de uma bebida.
Apesar de ser bem triste as perdas de Bella, o Alex de algum modo me matar de rir. Esse mistério das crianças me deixou intrigada e ao que parece Alex encontrou uma Bella 2 como companheira kkkkkk Amei isso, pois será divertido.
ResponderExcluirBeijos filhota.
Oi mãe!!! :)
ExcluirEu quis fazer o Alex arrogante como o pai mais brincalhão e irritante com todo mundo, já que ele não vai ter sogro terá que nos fazer rir com qualquer um né?
Beijos mãe!!!
Oi Sam!!! :)
ResponderExcluirEla vai sim, mas enfrentarão alguns percalços.
Beijos flor!!!!
Amando Amor com gosto de sangue...poste em outro lugar...em blog é um saco para achar os capítulos...kkk. Quais os dias que você posta? Vou deixar meu email..se for possível você avisa que postou e deixa o link. Muitos pedidos, né? Mas eu realmente amei a fic. Muito bem feita e gostaria de acompanhar.
ResponderExcluirOi Sara! :)
ExcluirFeliz dia dos namorados :)
Eu não tenho dia certo para postar não :(
Depende da inspiração. :)
E quanto a postar em outros lugares... Eu estou apenas aqui, muitas das minhas estórias tinham sido plagiadas então decidi junto com minha Beta e amiga e irmã Ângela Varela a criar um blog só para postar minha estórias. Desculpa. Beijos e seja bem vinda sempre que desejar ler algo diferente. :)
Milly, vou deixar meu email ai se você poder me avise por email que postou o caítulo 6 de Amor com gosto de sangue.. saradayla@gmail.com bjooo
Excluirai que lindo o Alex enfim encontrou a sua companheira ,e isso quer dizer que a bisca da Alicia se deu mal....rsrs...amando e querendo mais...bjos Milly..
ResponderExcluirsinceramente não me acostumo com a bella assim,frágil e sofredora,quero a minha bella guerreira de volta por favor ,e finalmente o Aex encontrou sua prometida,adoreiiiiiiiiiii,bjossssss
ResponderExcluirMilly querida,fiquei um tempo sem entrar no blog e quando entro, o Alex já encontrou a sua escolhida, amei. Esse casalzinho vai ser mega hot, afinal ela é tinhosa. A tia avó dela foi aquela que foi atacada pelo Alex e os amigos dele ? Imagino quando ela descobrir, vai ser terrível.Espero que a Bella fique forte logo e consiga engravidar, acho que a cura dela será através desse novo filho, estou certa?Desculpe se estou sendo curiosa, mas amo demais essa fic, assim como amei Amor Vampiro.Um grande abraço.
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