CAPÍTULO 14
Enfrentamentos.
Por favor, não morra.
Chegaram ao salão e Alec se dirigiu as escadas. Seu coração aos arranques batendo tão furiosamente que o sentia em suas costelas.
- Calma carinho, já estamos chegando. Suria! Venha aqui!
Ninguém respondeu.
- MORAG! Maldição, cadê você bruxa dos infernos?
_Elas estão no quarto milorde. Estão esperando por vocês com tudo preparado.
Angelita falou assustada com a cena a sua frente.
- Agradeço a informação menina, depois falarei contigo sobre teu caso.
- Obrigada milorde...
Angelita ia falar mais alguma coisa, mas Alec já tinha sumido na curva da escada.
Subiu de dois em dois degraus. O pano no braço de Becca estava empapado. O sangue não parava de sair da ferida, o que era estranho por que não foi um corte muito grande nem muito profundo. O da bochecha também sangrava e tinha empapado sua camisa. Alec entrou no quarto e se dirigiu a cama que estava preparada, colocando Becca em cima com todo cuidado se afastou para dar espaço as mulheres de fazerem seu trabalho.
- A ferida não para de sangrar! E não era para tanto, os cortes nem são tão profundos assim. Eu não sei o que é que está acontecendo.
Morag se aproximou, tirou a bandagem, e cheirou a ferida, fazendo uma careta.
- É Alocasia, espirradeira, azaléa... miriajih.
Suria suspirou.
- Veneno.
Morag assentiu.
- Sim, e uma mistura bem potente, eu sei só pelo cheiro.
Alec cambaleou e caiu de joelhos, tinha veneno nas flechas e se tivessem cravado na carne talvez Becca já estivesse morta.
- Tem algo que possam fazer?
- Sim, graças a Deus as flechas não entraram em contato com a carne diretamente, se tivessem cravado ela estaria morta. O veneno é muito forte filho, está concentrado ao máximo, só bastaria uma única flecha para tê-la matado instantaneamente.
- Foi o que eu pensei. Por favor, Morag cuide da minha pequena. Não... Não deixe que ela morra, por favor. Eu... Eu...
- Vamos fazer o que estiver ao nosso alcance criança, o resto é com Deus.
- Cuidem dela com um pensamento em mente. Se minha esposa morrer Creag Mohr terá um novo lorde. Por que sem ela eu não vivo.
- Não fale tolices milorde.
- Ela é o meu ar Suria, é meu coração e eu não posso viver sem meu coração.
Morag sorriu e se virou para a mesa que ela tinha preparado no canto do quarto.
- Saia criança, devemos trabalhar e você só vai atrapalhar.
- Morag, eu...
_saia e peça a Deus por um milagre.
Morag falou enquanto macerava algumas ervas secas e jogava um liquido viscoso dentro fazendo subir um cheiro detestável.
_Como conseguiram o miriajih é um mistério pra mim. É extremamente raro e nem mesmo eu o tenho comigo, é um veneno muito perigoso. - murmurava à velha curandeira enquanto empregava força para mexer a mistura que estava em uma panelinha.
- Vá filho, cuidaremos dela.
Suria falou e Alec assentiu.
Segurou o rosto de Becca e lhe deu um beijo nos lábios. Ela tinha desmaiado quando ele começou a andar para o castelo. Ela estava branca devido à perda rápida de sangue.
Ergueu-se e não soube como teve forças para sair daquele quarto dirigir-se a porta. Começou a descer as escadas e sua vontade era de irromper pelas portas, pegar Fire e sair em disparada sem destino até que essa angustia se dissipasse, mas ele sabia que esse sentimento só acabaria quando Becca estivesse fora de perigo.
Ao chegar ao salão dirigiu-se à lareira, sentou e uma taça foi lhe entregue. Ergueu a cabeça e se deparou com Cameron e Phelan, ambos se sentaram ao seu lado e ficaram calados observando o crepitar da lenha.
- As flechas estavam envenenadas.
- Desgraçado!
Cameron praguejou e lançou a caneca de madeira no fogo. Ela foi engolida pelas chamas e as mesmas cresceram rapidamente, assim como o sentimento de impotência que se abatia sobre eles.
- Suria e Morag estão com ela?
- Sim Phelan. Elas estão fazendo tudo o que podem, a sorte é que as flechas não penetraram na pele, só pegaram de raspão, mas foi suficiente para fazer com que o veneno entrasse no sangue ainda que bem pouco.
_Que veneno é esse?
_Varias coisas juntas, mais a mais letal é o miriajih.
Alec falou fechando as mãos nos cabelos e os puxou até o ponto da dor. Era aterrorizante saber que sua preciosa algema estava morrendo e ele não podia fazer nada.
- É um veneno muito difícil de tratar, não permite que os cortes fechem o sangue dela irá escorrer até não sobrar nada.
- Morag já começou a trabalhar nisso Cameron, ela não vai morrer! - Alec falou com um rosnado.
- Eu sei Alec, só disse o que essa maldita planta faz.
- Não preciso que me diga o que ela faz Cameron! Minha mulher está lá em cima se esvaindo em sangue! Não preciso da sua explicação, tenho um exemplo vivo lá no meu quarto de como essa merda funciona!
- Alec chega! Cameron não falou para te afligir e tu sabes! Acalme-se.
Phelan lhe entregou outra caneca com wisk, e ele a virou de uma vez, nem careta fez.
- Se ela morre, eu vou junto Phelan.
- Disso sabemos Alec.
- Desculpe-me Cameron, estou...
- Eu sei como estás se sentindo meu irmão, não precisas se desculpar.
Camerom puxou a Alec pelo pescoço e o abraçou forte tentando passar sua força para seu angustiado irmão, Phelan também se juntou ao abraço. Ficaram algum tempo assim, não era estranho aos MacLeomhan verem seus senhores nesses momentos de carinho e cumplicidade. Os irmãos eram inseparáveis.
Quando a escuridão começou a descer sobre a terra advertindo os moradores de que a noite fria tinha chegado Kieran entrou no salão, acompanhado de James que levava o braço amarrado com um pano que estava sujo de sangue seco.
- Digam-me que o desgraçado está lá fora esperando a morte pelas minhas mãos.
- Não encontramos ninguém, MacLeomhan. Procuramos por todos os lugares, ninguém entrou ou saiu de Creag Mhor.
- Eu encontrei um arco no oco da parede e umas flechas embebidas em uma substância pegajosa e escura tinhas várias espalhadas pelo chão do pomar. James falou enquanto se aproximava do estrado e colocava as flechas e o arco em cima da mesa.
- O que ouve com teu braço?
- Acidente de treino.- Respondeu rapidamente.
Alec assentiu. Pegou uma flecha, cheirou e a identificou como a mesma mistura que estava em Becca.
- Quero que montem guarda na porta do meu quarto só quem pode entrar lá sou eu, Cameron, Phelan, Suria ou Morag. Ninguém mais ouviu-me Kieran?
- Sim MacLeomhan.
- Reforcem a guarda nos portões e nas ameias ninguém entra ou sai sem minha autorização.
- Tudo isso por causa de um acidente com aquela mulherzinha? - James falou com desdém.
- Tentaram matá-la James. Com essas flechas. Phelan apontou para o monte em cima da mesa.
- Grande coisa Phelan. - Desdenhou o homem olhando para todos no salão. _ Quem sabe só quisessem fazê-la sentir medo para que fosse embora.
- As flechas estavam envenenadas, James.
- Talvez, fosse só para aumentar o medo na Inglesinha. - ele falou sorrindo.
- Cala-se James. - Alec falou baixo e calmo. Não era bom quando ele falava assim todos sabiam mais o homem a sua frente não parecia perceber o erro que cometia com cada palavra que saia de sua boca.
- Por que Alec? Só porque alguém quis fazer uma brincadeira com a ex amante de MacInnes?
- James! Cale essa maldita boca! - Cameron deu um furioso tapa na mesa.
- Perdão Cameron! Deixe-me refrasear então. Só porque alguém teve a decência tentar expulsar aquela cadela inglesa daqui?
Alec ergueu-se, e se aproximou de James sem tirar os olhos de cima.
- Ela é minha esposa James. Você jurou lealdade a ela.
- Não juro lealdade a inglês nenhum quanto mais uma rameira!
James foi atingido por um punho potente que o arremessou do outro lado do salão. Caiu em cima de umas cadeiras que as mulheres sentavam para bordar. Antes que pudesse erguer-se, Alec já estava em cima dele o pegando pelo colarinho. Deu-lhe outro murro, outro, e mais outro. A fúria era tanta que os homens temiam que Alec o matasse.
- Eu sou o seu lorde, James, seu senhor e soberano, o chefe dos MacLeomhan. E você vai me obedecer, fui claro?
James não falou nada, apenas o olhou com raiva, Alec continuou falando enquanto o sustentava pela camisa.
- Nunca mais abra tua maldita boca para falar de minha mulher, ou eu mato-te! Se não fosse por ela eu estaria morto uma hora dessas. Você vai me obedecer ou eu lhe expulso do clã, e me importo uma pataca se você é meu irmão ou não! Entendeu-me?
James continuou calado.
- VOCÊ ME ENTENDEU!?
Alec o soltou e James se ergueu de um salto limpando a roupa com fortes sacudidas.
- SIM! EU ENTENDI MILORDE! NUNCA MAIS FALAR DA SUA MULHERZINHA INGLESA! PODE DEIXAR! EU NÃO ME ESQUECEREI! MAIS ELA VAI ARRUINAR O CLÃ!
- EU ESTARIA MORTO SE NÃO FOSSE POR ELA!
Alec se dirigiu as mesas que Becca tinha organizado em filas. Tentava manter a distância de James ou seria capaz de matá-lo. Mas o infeliz não ficava longe!
- ELA SE METEU ONDE NÃO DEVIA! ERA PARA VIDA SEGUIR SEU RUMO!PAPAI ME RESGATOU E ME NOMEOU LORDE! AÍ ELE CONHECEU ELIZABETH E ELES TIVERAM VOCÊ! ELA ME TIROU TUDO QUE EU MAIS AMAVA! TIROU O PAPAI, TIROU CARLTON DE MIM E DEU PRA VOCÊ!
- TU NUNCA, NEM SEQUER SE PRONUNCIASTES QUANDO PAPAI NOMEOU-ME LORDE! PORQUE NÃO DISSESTES QUE QUERIA SER O LORDE? EU NÃO TERIA ME INTROMETIDO, VOCÊ CHEGOU AQUI PRIMEIRO!
- EU NÃO SOU FILHO DE SANGUE, E O CLÃ JAMAIS ACEITARIA UM MACINNES COMO LORDE IRMÃOZINHO! NUNCA ACEITARIAM UM BASTARDO!
Alec deu um murro na mesa derramando uma garrafa de uisge-beatha se virou e ficou de frente para ele as mãos fechadas em punhos fortemente contidas por pura força de vontade, todo o seu corpo tremia no efeito de se manter longe da garganta do homem parado a sua frente. O homem que seu pai achou quase morto na floresta quando era um garotinho, um menino rejeitado e abandonado pelo seu verdadeiro pai, Carlton o pegou para si e o criou como se fosse seu filho.
- UMA DROGA QUE ELES O CONSIDERAM UM BASTARDO! ELES TE TÊM COMO FILHO DE CARLTON, TU É QUE SEMPRE SE MENOSPREZOU! NÃO QUIS O CARGO DE LORDE PORQUE ACHOU QUE ERA MUITO PARA TI E JOGOU O PARA MIM, MALDITO SEJA! EU, JAMES, EU, TIVE QUE APRENDER AS PRESSAS COMO GOVERNAR O CLÃ, E TU NEM SEQUER AJUDOU-ME! DESGRAÇADO! EU TIVE QUE PEDIR SOCORRO A ENRIQUE LOUDDON! TIVE QUE APRENDER EM UM MÊS O QUE VOCÊ PASSOU 16 ANOS APRENDENDO!
Alec deu outro murro na mesa e essa se abriu ao meio tamanha sua raiva, desgosto e frustração por não saber como lidar com seu irmão mais velho que aparentava está tão atormentado quanto ele próprio.
- Papai já tinha dito que tu seria o lorde, Alec.
Alec respirou fundo para se acalmar. Não gostava de brigar com James, ele era quatro anos mais velho, e era seu irmão. Pouco importava se não era irmão de sangue, era irmão do coração, e era o suficiente, mais que suficiente. Era tudo o que importava de fato.
- Papai só nomeou-me sucessor dele porque ouviu uma conversa tua dizendo que não estava preparado para ser lorde e não queria essa responsabilidade. Eu tinha quatorze anos James, e não me importava nada se tu fosse o lorde, eu estava feliz por ti. Sinceramente.
- Mesmo tu sendo o primogênito legítimo dele?
- Mesmo assim, fomos criados para acatar as ordens dele James, e a meu ver tu seria um ótimo lorde, só que teu medo atrapalhou teu futuro, e aqui estou eu, sendo o lorde e discutindo contigo por que não aceitas a minha esposa, a mulher que escolhi para viver ao meu lado. A mulher que me tirou do inferno e me devolveu a vida. A mulher que eu amo e que está lá em cima lutando pela vida por que alguém não a quer aqui.
Alec se dirigiu ao estrado e sentou-se na sua cadeira. Nesse momento não era mais o irmão, era o lorde, o senhor dos MacLeomhan, sua cara não mostrava nada do que estava sentindo quando olhou James do alto do estrado.
- Agora pergunto-me James MacLeomhan... Acaso tenho motivos para supor que tu és o responsável por esse atentado contra minha esposa e senhora dos MacLeomhan? Pensas bem antes de responder-me, tuas próximas palavras, podem ser as últimas.
Alec falou com a voz cortante como o aço da sua espada, e tão calmo que causou calafrio nos presentes. Todos na sala que presenciaram a briga sabiam sem sombra de dúvidas que ele não hesitaria em matar até mesmo seu irmão de criação por causa da sua mulher.
- tua resposta James. Estou a espera de tua resposta. Sincera.
- Me mataria por ela?- James perguntou incrédulo.
- Sim. - Alec respondeu sem pestanejar.
James não respondeu.
- Responda maldito seja! - Gritou, a fúria ardendo em cada sílaba pronunciada.
- NÃO, NÃO FUI EU!
Ficaram se enfrentado por alguns minutos, calados ambos se olhavam como se não se conhecessem mais.
- Pode se retirar James.
James se encaminhou para a porta empurrando a pesada madeira e sumiu na escuridão da noite.
Alec desceu do estrado e se dirigiu as escadas sem falar com ninguém todos a sua volta abriram caminho, já tinha passado tempo demais longe da sua pequena guerreira. Ao subir os degraus de pedra escapou de seus lábios um pequeno pedido.
“Deus, por favor, a mantenha viva, deixe-a viver Deus. O Senhor me deu e o Senhor pode tirá-la. Mas, por favor, não o faça.” Implorou.
A cena da briga entre James e Alec é forte, mas é uma de minhas preferidas da história. Parabéns amor.
ResponderExcluirBeijos.
James só é um revoltado
ResponderExcluirNossa essa cena da briga dos dois é uma das cenas mais fortes da história, adoro ela aiin dels e becca?? eita que tensoo
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