domingo, 19 de maio de 2013

Segredos de Amor: Capítulos 24 e 25 (Últimos)




Capítulo 24 






Bella estava dormindo placidamente, quando ele entrou no quarto. Sua pequena estava no bercinho. Tinha mamado bastante, de acordo com sua mãe. Ele tinha ido a casa se trocar e pegar algumas roupas para ela e ele. Edward tinha decidido que só sairia do hospital quando elas fossem para casa. Ninguém quis o convencer do contrário e aqui estava ele. Depois de colocar a bolsa no closet, ele se deitou na cama com ela, bem devagar para não acordá-la, mas, assim que ela sentiu o movimento ao seu lado, abriu os olhos. Olhou em volta, pousando a mão protetoramente no berço em cima de Mollie, antes de se virar para ele. Ela sorriu e ele retribuiu, lhe alisando o rosto. Ela estava tão cansada, foram doze horas de trabalho de parto, sofrendo pra burro para lhe dar o maior presente que ele poderia receber. 



_ Eu te amo. – ele sussurrou em seu ouvido. 


_Para quantas você já disse isso? - ela perguntou com fingida desconfiança. 


_ Para ser sincero, você é a quarta. 



_ E como você tem coragem de falar isso para mim ainda?- ela falou em um tom ultrajadamente falso. 


_ É que as primeiras foram a minha mãe e minhas irmãs e você 
esta sendo a quarta e a antepenúltima de toda a minha vida. 


_Antepenúltima? 


_ Sim, antepenúltima. Ou você acha que eu não vou dizer
eu te amo para as nossas filhas? 



Ela sorriu carinhosamente para ele. 



_Pois você é o antepenúltimo a quem eu digo eu te amo. 



_E os outros quem são? 



_Nossos filhos. 



Ele riu e lhe beijou o pescoço demoradamente. 



_Por favor, visitas íntimas apenas daqui a quarenta dias. Desça da cama Edward, não faz bem para Bella, você pode trazer algum germe da rua para ela. 

Ele pulou da cama obedientemente, se sentando na poltrona. Beatriz sorriu para ele. 



_Ah, como seria bom se todos os homens fossem assim como você. Por exemplo, tem um cara lá fora que está me dando nos nervos. 



_Quem é? -Bella perguntou enquanto olhava para sua filhinha. 



_É o James. Ele está interessado em você, Beah. - Edward falou sorrindo e ela fez uma careta. 



_Por favor, me poupe Edward, eu não sou do tipo que gosta de esteróides. 



_Oh, mas aquilo tudo não são amabolizantes não Sandy, é tudo músculo de exercícios. O Ed pega pesado com eles lá na base. – Bella falou sorrindo para a amiga e médica. 



_Que seja, não faz meu tipo. 



Ela disse, dando de ombros. 



_Ele está de olho em você desde a vez que ele foi no seu consultório com a Bella para a consulta. 



_Sabe que para um homem você está me saindo um excelente fuxiqueiro, Edward? Me poupe, sim? 



Todos sorriram e Mollie chorou pelo barulho, tinham perturbado seu soninho. Sandy pegou a menina e entregou a Bella, que imediatamente deu de mamar. Edward ficou o tempo todo babando em cima delas. Suas princesas. 





3 dias depois... 



_Aqui amor, sente-se bem aqui, Beah disse que você não pode se esforçar muito. 



_Ok. Pegue as malas e leve-as para o quarto sim amor? 



_Tudo bem... Você não quer que eu coloque você na cama primeiro não? 



_Edward, eu passei três dias deitada. Estou bem aqui. 

_Mas... Você precisa descansar neném. 



_Eu estou bem Ed. 



_Mas é que... 



_Ok Edward Cullen, tudo bem, se você quer que eu descanse eu vou descansar. 



Ele abriu um sorrisão de alívio que fez ela rir. Edward então começou a trabalhar: levou Mollie e a colocou no berço, voltou e pegou Bella no colo, mesmo ela resmungando que podia andar e ele mandando ela ficar quieta. Depois que ela estava devidamente confortável,l ele foi organizar as roupas, esvaziou as malas, separando as roupas sujas das limpas e organizou tudo nos closets. Voltou e deitou com ela na cama, mas Mollie chorou e ele se ergueu rápido e correu para o quarto dela, já que ele ficava agoniado quando ela chorava por que ficava vermelha e lágrimas, que eram como flechas pontiagudas em seu coração de pai, saíam dos pequenos olhos. 



_Ela está com fome de novo. – Bella falou e ele concordou. Acomodou sua bebê nos braços da mãe e Bella se dispôs a dar de mamar e ele babar em cima das duas. 



Assim que Mollie mamou, Edward a pegou de acordo com o que a doutora falou e a apoiou no peito bem suspensa e começou a dar tapinhas nas costas dela. Quando sua garotinha arrotou, ele riu feliz por ter feito a coisa certa. Ele a levou para o berço. 



_A pediatra disse que ela tem que se acostumar no berço, não na cama com a gente, Ed. 



_Eu sei, ela vai se acostumar, é uma princesa. - ela começou a chorar de novo e ele correu pra lá. 



O dia foi assim. 



Mollie chorava, ele pegava e Bella amamentava, trocava as fraudas, ele esquentava a água e Bella banhava-a, arrumava e ele passeava com ela até ela dormir de novo. 



1:00 da manhã. 



O chorinho foi fraco a princípio, mas depois ela literalmente abriu o berreiro. 



_Sua vez. – Bella resmungou ainda emborcada. 



_Tá. – ele se levantou meio trôpego, foi para o quarto dela e a pegou. Balançou ela, andando de um lado para o outro do quarto rosa com desenhos de bichinhos. Ela adormeceu e ele respirou aliviado. Colocou-a no berço e voltou para a cama. 



Deitou, se esticou, se cobriu... E ela chorou de novo. 



_Agora é você. Acho que ela está com fome de novo. Mas... Tome cuidado, você está fraca, ok? Quer que eu vá? É melhor eu ir, fique deitada. 



_Não Ed, eu estou bem. 



Bella foi para o quarto dela e deu de mamar, mas Mollie não quis acordo, ela chorava sem parar. 



_Ed, vem aqui! 



Ele correu para o quarto, ouvindo o choro desesperado da filha. 



_O que ela tem? 



_Acho que é dor! Olha no livro, vê o que ele diz, por favor! 

_Peraê - ele pegou o “Doutor Parker, o melhor livro infantil amigo dos pais nos primeiros anos de vida do seu filho.”_ O que ela tem? 



_Dor! 



_Aonde? 



_Não sei!!! 



Bella começou a andar de um lado ao outro com Mollie, que não parava de chorar 



Edward leu de cima a baixo e não achou nada. Levantou-se da cadeira, pegou o livro e tacou pela janela, acertando o carro do vizinho. Pegou sua princesinha dos braços de sua mulher e balançou ela, tentando fazer parar o que tivesse fazendo ela chorar. Bella correu para o banheiro e ligou as torneiras com água quente. Assim que a água estava morna, ela pegou sua princesinha e deu um banho bem morno. Ela se acalmou um pouco. Eles vestiram um macacãozinho confortável nela e sentaram na cama, balançando-a com cuidado. Ela soltava pequenos soluços que dilaceravam os pais. Uma hora depois, ela dormiu nos braços de Bella, enquanto Edward ficava ao lado alisando hora a cabecinha, hora as orelhas. Ela gostava que alisassem suas orelhas, a parte de cima principalmente. 



_Ela dormiu... Não quero deixá-la longe da gente não, Ed. Ela é tão pequenininha e está com dor e... 



_xiiii. Não vamos deixar ela longe de nossos braços não. 



Ele as beijou e deitaram os três na enorme cama quentinha. Mollie ficou apertadinha entre os papais e, em meios aos soluços, os três adormeceram. 



*********** 







_Foi apenas cólica, mãe. Doutora Carla disse que é normal, mas eu quero saber da senhora se é mesmo... Sim, ela está melhor... Sim, a médica passou um remédio... Não! Ela chorou por três horas! Como é que eu ia deixar que aplicassem uma injeção na minha filhinha que estava quietinha nos braços da mãe! Bella ia chorar de novo se Mollie chorasse... Eu sei mãe, mas... A senhora teve três filhos, deve nos entender!!... Desculpa, mas eu estou nervoso. Mãe, a senhora não viu o estado dela, saiam lágrimas dos olhinhos, mãe. Lágrimas de dor!!! Está bem... Sim, eu mando sim, beijo. 



Ele desligou o telefone e foi para sala. Bella estava sentada com o moisés ao lado do sofá. 

_Ela ainda está dormindo? – ele falou, sentando-se ao lado dela, a abraçando pelos ombros. 



_Tá. – Bella sussurrou bem baixinho. 



_Ela não esta dormindo demais não? 



_Ela passou a noite quase toda acordada chorando, Ed. É comum que esteja com sono. 



_Ok... Amo você, neném. 



_Eu também te amo, Ed. Estou com tanto sono. 



_Vá dormir, eu fico com ela. 



_Eu vou aceitar sua oferta. – Bella lhe deu um beijo e subiu as escadas, indo para o quarto. 





Edward deitou no sofá e fechou os olhos, mas um fungado o fez pular na mesma hora. Ele correu e pegou sua princesa nos braços e deitou com ela em seu peito, a abraçou com cuidado e ficou alisando as suas orelhinhas. Ela fungou um pouco, mas se aquietou e ele sorriu quando ela buscou com a boquinha faminta o seio e pegou seu braço. 



_Hei mocinha, o papai não tem leite e você já mamou, deixe de ser gulosa. 



Ela fungou procurando o seio e ele a ajeitou melhor nos braços. Ficou olhando para os olhos cor de chocolate mais lindo que alguma vez já tinha visto. Ela era linda, com os lábios carnudos e vermelhinhos, olhinhos grandes e cílios enormes e curvados. Ele alisou as bochechas e ela fechou os olhinhos. 

_Assim meu amor, bem assim, vamos deixar a mamãe descansar, não é? 



Sua pequena fungou e ele sorriu, se erguendo com ela e andando pela sala. Desceu e foi para o porão, sentou na cadeira e dobrou a perna sobre a outra e fez um tipo de cadeirinha e a pôs lá, colocou a chupeta na sua boquinha e ela se agarrou com uma força a ela que o deixou impressionado. Tudo nela o deixava impressionado, encantado, era sua filha, um pedaço seu. Era incrível como ele pôde fazer alguém como ela. Claro que se não fosse Bella, Mollie não seria tão linda assim. 





Bella entrou no quarto, mas ao invés de dormir como tinha previsto, ela começou a arrumar a bagunça. Eles tinham trazido o berço de Mollie para o quarto deles para ficar mais fácil. Tinha roupas dos três espalhadas pelo ambiente, produtos de higiene, frascos de remédios, mamadeiras que foram usadas para dar os medicamentos, tudo espalhado ao redor. Ela organizou as roupas, descartando as sujas e guardando o resto no closet, forrou a cama, o berço, guardou brinquedos, limpou o banheiro a banheira, tudo. Quando terminou, decidiu tomar um banho e adormeceu na banheira. Meia hora depois e toda enrugada ela saiu, se enxugou, se vestiu e decidiu fazer uma sopa leve para jantarem. Desceu as escadas, mas não encontrou seus amores. Ela foi até a porta do porão e ouviu vozes lá, dele e outras que vinham das caixas de som do computador. Ele estava trabalhando, conversando e cuidando de sua pequena ao mesmo tempo. Ela sorriu com o jeito todo protetor dele. Ele era, sem sombra de dúvidas, o melhor pai que existia. 



Edward trabalhou um pouco, focou a câmera nela e todos na base lhe parabenizaram e babaram em cima dela e eles combinaram um churrasco para comemorar o nascimento dela. Eles passaram duas horas no porão, sem ela dar o menor trabalho. Estava satisfeita com a chupeta, mas agora começava a ficar inquieta. Era fome. Ele achou melhor acordar sua mulher, antes que sua filha abrisse o berreiro. Ele não agüentava mais ver ela chorar, era doloroso demais ver as lágrimas saírem dos olhinhos lindos. Bella estava na cozinha, preparando o jantar. 



_Você não pode fazer essas coisas, Bella. – ele falou sério, enquanto embalava sua menina. 



_Edward, o parto foi normal e já faz cinco dias, estou bem. 



_Mesmo assim, a doutora disse que... 



_Relaxe, ok? Estou bem. 



_Ok. – ele disse, dando de ombros, mas Bella sabia que ele estava preocupado. Era como se quisesse colocá-las em uma redoma de vidro, onde poderiam olhá-las, mas nunca pegá-las. 



_Hei, vamos à igreja domingo? O reverendo Jhon está pregando sobre a fé nesse mês. 



_Ele não prega sobre a fé todos os dias? – ele falou sorrindo. Ele não ligava para isso, era um soldado e soldados matavam, não iam a igrejas... Não mais... 



_É uma série Ed, uma série de estudos sobre o poder da oração. 



_Você já ora por nós dois, amor, não fique brava comigo, ok? Pode ir se quiser, mas eu vou ficar em casa e fazer alguns trabalhos, meu tempo de licença está vencendo. 



_Ok. Tudo bem mesmo, né? 



_Tudo mesmo. Sua mãe gostava de ir a igreja, não é? 



_Sim, ela ia e eu ia com ela, mas me afastei por um tempo. Quero voltar. 



_Pode voltar. Eu deixo.- ele falou convencidamente e ela riu, negando com a cabeça. 



_Obrigada senhor meu marido... Quase marido. 



Ele fez uma careta divertida e depois sorriu. 



_Vamos resolver nossa situação o mês que vem. 



Ela ficou séria e o olhou atentamente, escolhendo as palavras, mas... Não tinha o que escolher, a verdade era óbvia. E estava andando por aí, ameaçando sua família. 



_Não podemos nos casar... Enquanto ele estiver vivo, Ed... 



Ele a olhou atentamente, antes de se encaminhar para ela e abraçá-la com o braço livre, já que o outro estava ocupado pela sua filhinha. 



_Darei um jeito nisso querida, confie em mim. 



_Confiaremos em Deus, Ed. Ele dará um jeito. 



Ele deu de ombros. 



_Eu darei o meu jeito. Sempre dei. 



_Tudo bem... Mamãe dizia que... 



_Se sua mãe era cristã, por que se casou com teu pai que era um safado? E não me venha defendê-lo. 



Ela suspirou e se virou para o fogão, mexendo a panela. 



_Meu pai não mexia com aquelas coisas quando se casaram. Eles iam a igreja, mas ele se afastou... Ele decidiu que Deus não provia o suficiente para sua família. E foi assim. 



_E por que sua mãe continuou com ele? 



_Na alegria e na tristeza, lembra-se? 



Ele sorriu, lembrando dos votos que todos os casais falavam quando se casavam. 



_Ela o amava e continuou com ele até o fim. 



_Ela poderia ter escolhido o caminho mais fácil e ter o abandonado, estaria viva com você. 



_E quem disse que o caminho mais fácil é o melhor? Às vezes temos que fazer escolhas que mudarão drasticamente nossas vidas e a de todos ao nosso redor. Ela escolheu ficar com ele, mesmo não apoiando o que ele fazia. Eles se amavam e se respeitavam. Eles me amavam. Ela me amava o suficiente para não me levar para longe do meu pai e ele me amava o suficiente para me colocar longe da sujeirada toda. 



_Não longe o suficiente, pelo que vejo. 



_Não os julgue, Ed. Eles agiram do modo como achavam que era certo. Meu pai errou e isso custou a vida de ambos e me custou três anos no inferno, por assim dizer mais... Não os julgue. Por favor. 



Ele deu de ombros, ele agora era pai e sabia que faria de tudo para proteger sua família, mas não o que o pai dela fez. Era melhor que Charllie Swan, disso estava certo. 





Um mês depois... 





_Certo Douglas. Ok, estarei aí cedo. Quanto mais rápido consertamos isso, melhor. 



Ele desligou o celular e a olhou serio. 



_Notícia ruim é? 



Ele suspirou a abraçando. Mollie estava dormindo no moisés ao lado do sofá. Ela não saia de perto deles de forma alguma. 



_É. Douglas me quer lá na base, é só por cinco dias e eu tiro minhas férias. 



_Você já passou três meses em casa antes dela nascer. 



_E passo mais três, se for preciso. Vou me arrumar. Você fica na casa da mamãe, ok? 



_Ok. Vou fazer as malas. 



Uma hora depois, ele deixava seus tesouros na casa de sua mãe e seguia para a Base. 



Quatro dias depois... 



_Bella, já pegou? – Rafaela gritou da cozinha. 



_Quase! Estou fechando a mala! 


_Ok! Oh meu Deus, isso são Cookies de Chocolate com castanhas?!!!
_Sim! 



_Como você faz umas delícias dessas e nem me fala? Amiga ingrata! 



Bella desceu as escadas sorrindo, enquanto via Rafaela encher as mãos com os pequeninos biscoitos. 



_Vamos sua gulosa, deixei a Mollie dormindo, mas ela vai acordar logo e tenho que amamentá-la. 



_Nem me fale. Deixei minhas fofonas com mamãe. Garrett foi para a base junto com os outros, só ficou Emitir, já que ele saiu dos SEALs. Mas ele dá para o gasto. 



Elas riram e seguiram para a porta. 



Foi tudo muito rápido. 



A porta foi arrombada e um gás foi arremessado para dentro. Elas caíram no chão, sufocadas. Antes de perder a consciência, Bella ouviu as vozes ao seu redor. 



_”Vamos, vamos depressa! Ele só quer a mulher de cabelos compridos!” 



_E o que faremos com a outra? 



_Mate-a, ela não tem serventia alguma.



(*************************) 



Capítulo 25 



_Cara é sério, tua filha é linda. – Allan falou, enquanto olhava as fotos de Mollie que Edward tinha trazido para o trabalho. 

_É a cara do pai. – Edward falou convencidamente. 

_Mas tem saúde, é o que importa. – Jacob comentou e Edward fechou a cara. 

_Vá a merda bestão. 



Todos riram da cena e voltaram para o trabalho. Tudo corria bem, as coordenadas para a localização de Caius estavam na tela, os computadores estavam trabalhando ao máximo para descobrirem onde ele tinha se enfiado e os equipamentos de rastreamento e as armas estavam prontos. Era só esperar o sinal verde para agirem. 



Edward estava concentrado em uma conversa que eles pegaram de um dos capangas de Caius, quando seu celular tocou. 






_Edward falando. 

_Cara sou eu, o Emmett. Ferrou tudo agora, Caius levou a Bella e a... 

_Edward, Caius na linha. – Rick falou, branco feito papel. 



Edward largou seu celular de lado, gelado até os ossos e pegou o telefone da base com as mãos trementes. 



_Alô, Edward falando. 

_Ora, ora se não é o ladrão de esposas... E filhas. 



Edward escutou um chorinho de bebê e gelou na hora. Douglas colocou no viva voz, mas Edward continuou com o telefone na mão, congelado até a alma. 



_Devolva elas Caius ou eu juro que... 



A voz de Caius se fez ouvir pelos altos falantes da base. 



_Você não vai fazer nada que as mate, não é? Tenho certeza que não vai deixar acontecer o mesmo que aconteceu com a Débora, não é? Você a ama demais, aliás as duas, não? 

_Devolva elas e eu lhe dou minha palavra que matarei você rapidamente. 



O safado gargalhou do outro lado da linha. Edward tremeu de raiva e pavor só de imaginar o que ele estava fazendo com sua mulher e sua filha. Ouviu novamente o choro de bebê e percebeu que não era da sua filhinha... 
Mas ninguém poderia dizer de quem era esse choro. 



_Escute Edward. Eu quero meu dinheiro de volta e os pen drives que a puta levou de mim quando me deixou. Eu sei que estão com você, eles são meu passaporte para eu voltar a ser o que sempre fui. Me traga eles e o dinheiro que ela herdou e eu devolvo elas. Ah! Diga a Garrett que eu peguei uma coisinha dele também e que ela é uma delícia... 



Todos na base ouviram e em pouco tempo a sala tinha enchido de soldados armados até os dentes. Ele gargalhou antes de desligar e Edward atirou o telefone contra a parede, antes de jogar a cadeira e tudo mais que conseguiu pôr a mão no vidro de proteção que ficava a frente deles como uma janela invisível. Seus homens foram para cima e o seguraram. Ele estava fora de si. 



_Edward pare! Não vai adiantar nada quebrar tudo, temos que agir depressa! 

_Ele... Ele pegou elas. EU MATO AQUELE DESGRAÇADO!!! 



Garrett entrou na sala correndo, se jogando em cima de Edward e o segurando pelo colarinho. 



_Pelo amor de Deus, me diz que ele não pegou minha Rafa Edward. FALA PRA MIM!!! 



Seu amigo estava tremendo e os olhos embaçados de lágrimas. Edward estava igual. 



_Garrett... – Douglas falou, colocando a mão em seu ombro, mas ele não desviou os olhos de Edward. 

_Diz para mim que vamos pegar esse safado, antes dele fazer alguma coisa com elas. Diz para mim isso pelo amor de Deus, Edward. Ela é minha vida... Sem ela, eu... 



Seu amigo se abraçou a ele e Edward o apertou junto de si. Ele tinha que se manter calmo. Tinha que manter a cabeça em ordem. Pelo bem delas, ele tinha que fazer isso. 



_Vamos trazê-las de volta. Eu dou-lhe minha palavra, Garrett. Douglas... 

_Conduza. Tem minha permissão para ficar no controle, está no comando da operação a partir de agora. 



Edward assentiu e começou a dar ordens. Em pouquíssimo tempo saberiam para onde ele tinha levado elas. Mas, antes de irem para qualquer lugar, Edward e Garrett precisavam ir para Forks urgentemente. 



******************* 



Bella acordou com a cabeça latejando. Tinha sangue em sua têmpora esquerda. Ela se ergueu e cambaleou pelo lugar. A luz vinha de algumas velas que clareavam precariamente o local. Bella se lembrou da explosão, dos homens lhe pegando e amarrando, da Rafaela e do que falaram dela... Bella orou ao Senhor para que tudo corresse bem, para que sua amiga ficasse bem. Para que tudo terminasse bem. Sua camisa molhou e ela olhou para baixo. 



Leite. 

Estava na hora de Mollie mamar. Bella começou a dar pancadas fracas pelas paredes. Em momento algum deixou de orar a Deus. Precisava sair dali. Precisava... 





********** 



Estava escuro. Rafaela se mexeu e percebeu que tinha um capuz em sua cabeça. Ela sacudiu e conseguiu tirar e, assim que abriu os olhos, percebeu onde estava. Em uma caixa de madeira. Suas mãos estavam amarradas e ela estava amordaçada. Ouviu os passos de alguém e decidiu ficar imóvel, não sabia o que iriam fazer com ela. Ela só pensava em Bella, não sabia onde sua amiga estava. Abriram a tampa da caixa e um homem alto e extremamente forte lhe suspendeu pelos ombros. 



_Acordou belezinha? Ninguém sabe que você está aqui. – ele abaixou o tom de voz cochichando em seu ouvido. Seu hálito fez Rafaela querer vomitar. _ Esse será nosso segredinho, ok? 



Ela balançou a cabeça em concordância e ele sorriu contente. Sim, ela faria de tudo para ele ficar contente, antes de lhe chutar as bolas e correr dali. 



************ 



O carro parou em frente à casa de seus pais e Edward desceu correndo. O choro de sua filhinha vinha alto e forte lá de dentro. Assim que entrou foi ao encontro dela e a pegou nos braços, a acalentando. Ela, aos poucos, foi se acalmando. Deitou a cabecinha em seu peito e fechou os olhinhos. Estava vermelha de tanto chorar. Ele olhou para sua mãe e ela, chorando, entregou-lhe a mamadeira. Ele sentou na poltrona e deu mamar a sua garotinha. Ela sugou o bico com força. 



_ Ela não queria comer de jeito nenhum. 

_Ela só come comigo ou com a Bella... Emmett, me conte o que aconteceu. Ele ligou para a base e me disse que está com elas. 

_Onde está Garrett? 

_Na casa dos sogros, foi ver as filhas. – Edward falou olhando sua garotinha se alimentar caladinha com os olhinhos mirados nele. 

_Ele deve estar louco de medo. – Jasper falou, abraçado a Alice. 

_Eu estou igual ou pior que ele meu amigo, lhe garanto isso. 

_O pastor Jhon disse que se você quisesse conversar, ele... 

_Mãe, eu não tenho cabeça para religião agora não, ok? 

_Tudo bem. – Esme falou e Carlisle a abraçou. 



Depois que Mollie comeu, ele a colocou para dormir. Os homens na base estavam trabalhando feito malucos para descobrirem onde eles estavam e Edward tinha que vir para casa ver sua filha. Só abraçá-la seria o suficiente para evitar que enlouquecesse. Edward foi para sua casa pegar algumas coisas e a campainha tocou. Ele foi atender impaciente e trincou os dentes quando Jhon lhe sorriu e perguntou se podia entrar. Ele deu passagem de cara feia. 



_Vejo que cheguei em péssima hora, não Edward? 

_Chegou. Se você fosse embora seria melhor Jhon, eu tenho muito o que fazer, não tenho tempo para isso. 

_Não tem tempo para Deus? 

_Eu.. Eu não disse isso, mas é que estou muito ocupado. 

_Eu sei que você está muito ocupado e também muito preocupado e Deus também sabe disso. 

_Se ele sabe, por que ele não fez nada? 



Jhon sorriu e sentou no sofá, não restando alternativa a Edward a não ser fazer sala ao homem. O reverendo Jhon era um senhor de idade avançada, tinha idade para ser seu avô. Edward lembrava-se de quando o chamava de vovô. Fazia muito tempo. 



_Me conte o que você tem, meu filho, bote para fora. Eu sei que, desde a notícia do sumiço de Isabella, você não se deixou levar pelas emoções, se controlou até agora, não foi? 

_Foi. 

_Eu sabia. – reverendo Jhon sorriu e lhe deu uns tapinhas na mão. _Sabe Edward, tem momentos em que precisamos ser humanos e deixar que as emoções fluam em nós. Segurar o choro, travar qualquer sentimento não faz bem. Em momentos assim precisamos chorar, precisamos desabafar, precisamos conversar com Deus. 

_O senhor quer mesmo que eu fale? 

_Quero. 

_Então tudo bem, eu vou falar. Eu estou com raiva de Deus. Muita raiva mesmo! Minha mulher sempre me fala que Ele faz tudo, que Ele cuida de tudo, que ele cuidava dela! E olha o que Ele fez? Ou melhor, o que Ele não fez! Ele deixou que um filho da puta levasse minha mulher e a de Garret. Elas podem estar mortas ou, no melhor dos casos, torturadas e estupradas. Minha filhinha tem um pouco mais de um mês de vida e corre o risco de ficar sem a mãe! Agora o senhor quer mesmo que eu pare e chore? Que eu dê vazão às minhas frustrações e fale com Deus? Ele não se importa com o que eu estou passando. Ele não se importou quando a Déborta morreu e não se importa agora. Por isso eu não quis mais saber dessa história de igreja e Deus. Deus não existe! 



Ele falou e se ergueu, começando a andar pela sala nervoso e agitado. O pastor Jhon o olhou por um bom tempo, o deixando sem graça. Nunca tinha dito seus pensamentos em voz alta, nunca tinha dito que tinha perdido sua fé na noite em que Débora morreu. Agora ele tinha colocado para fora. 







_Sabe Edward, algumas vezes, quando acontecem coisas ruins na nossa vida, nós nos afastamos de Deus e depois jogamos a culpa Nele, dizendo que Ele nos abandonou, mas isso não é verdade. Deus está sempre do nosso lado, mesmo quando nós falhamos com Ele. Se humanamente perdermos o norte, é aí, mais do que nunca, que precisamos pedir a Deus uma nova direção para a nossa vida, para saber o que fazer e como fazer. Deus é quem nos criou, Ele sabe como funcionamos, o que é melhor para nós e até onde aguentamos levar o fardo pesado. Ele nunca nos abandona, é preciso buscá-Lo dentro de nós e perceber a Sua presença. Enquanto não O buscarmos, não O acharemos e ficaremos perdidos, carregando todo o peso do mundo nas nossas costas. Ele sabe o que você sente, Ele sabe que você está com raiva Dele, Ele sabe que você O culpa. Mas, Ele tem culpa Edward? Foi Ele quem te disse para ser soberbo? Altivo? Se achar o indestrutível? Foi Ele que disse que você não precisava da ajuda de ninguém, fazendo com que sua namorada ficasse brava e quisesse mostrar a você que podia sim lhe ajudar? 



Edward engoliu com dificuldade. 



_Foi Ele que disse para Débora se jogar na frente da arma, para te salvar de uma bala e acabar levando essa bala por você? 



Edward negou com a cabeça. Jhon suspirou e se ergueu, andando até ele e o abraçou forte, como sempre fazia quando ele aprontava e chegava na casa dele, chorando pela surra ou pela bronca que tinha levado. 



_Não foi Ele que se afastou de você e olha que você já deu motivos mais que suficientes para Ele ficar muito triste com você. A soberba precede a queda e a altivez de espírito a ruína. Você não é indestrutível, meu filho e também não é imortal. Você é humano e precisa de pessoas que lhe ajudem. Eu sei que você está querendo resolver tudo sozinho, mas não faça isso. Deus te ama, tem que confiar Nele. Tem que confiar nas pessoas à sua volta, elas não estão aqui por acaso, não existe acaso meu filho, existe Deus cuidando de você. 



_Eu vou matar Caius. 



_Eu sei. É sua profissão. Você é um soldado Edward, se tiver que tirar a vida dele, que seja cumprindo seu dever e não por vingança. A vingança pertence ao Senhor e não a você. Se não houver outro jeito, mate-o, não por vingança, mas por dever de soldado. 





Jhon lhe deu um abraço forte e saiu de lá, deixando-o parado no meio da sala, com os olhos ardendo de tantas lágrimas derramadas e o coração arrependido por ter ficado tanto tempo com raiva de Deus, sabendo muito bem que o causador de tudo foi ele e ninguém mais. 

Ele se ajoelhou e, como há muito tempo não fazia, juntou suas mãos e fez uma oração. 



_Deus... Eu... Me arrependo dos meus pecados... Sou arrogante e soberbo e... Passei tanto tempo com raiva do Senhor por algo que era minha culpa, que eu... Por favor Pai, por favor me ajude a salvá-las. Nos ajude a salvá-las. Eu sei que não mereço, mas por favor... Nos ajude. Me ajude. Eu quero esquartejá-lo, esse é o meu desejo, mas guia meus pensamentos e minhas ações e de meus homens também. Não nos deixe cometer nada que venha nos assombrar mais tarde. Que nos transforme em pessoas como Caius, não deixe que meu lado ruim aflore na hora em que o encontrarmos. Por que minha vontade é de fazer picadinho dele. O Senhor me conhece melhor do que eu mesmo. Ajude-me Senhor. Em nome de Jesus, ajude-me. Nos ajude a encontrá-los e que elas estejam bem... 



Seu celular tocou e ele atedeu rapidamente. 



_Alô? 

_Edward? É a Rafaela. Estamos... No antigo bairro dos galpões, em Seattle... – ela tossiu e gemeu. _ Rápido, acho... Acho que bati muito forte no homem que estava me vigiando... Eu não sei onde a Bella está... Ela pode estar machucada... Por favor... 



A linha ficou muda e ele saiu de casa às pressas, agradecendo a Deus pelo milagre. 



******* 



Rafaela sentiu a bílis vir com força, quando o sujeito lhe beijou o pescoço. 



_O que vamos fazer agora doçura? – ele falou e lhe lambeu a bochecha. Ela sorriu forçadamente. 

_Hãn... Me desamarre e você verá? Eu sou muito boa com as mãos. 

_Não posso e se você foge? 



Ela sorriu inocentemente para ele. O cara só tinha dois neurônios e um deles estava desligado. 



_Eu jamais poderia fugir de um homem como você querido, um homem tão... Másculo e tão forte... Estou salivando aqui... 



Ele sorriu com aquela boca faltando a maior parte dos dentes. E Rafaela foçou sua melhor cara de excitada. 



_Está bem doçura, eu vou te soltar, mais vai prometer me agradar, ok? 

_Não vejo a hora, bonitão... – ela lambeu os lábios e o homem a olhou com luxúria. Ela forçou o sorriso lascivo que ela sabia que Garrett gostava. 



O homem lhe desamarrou e a puxou com brutalidade para seu corpo duro feito pedra. 



_Agora, por onde eu começo meu banquete... 

_Fique a vontade, bonitão... – ela se soltou dele e sentou em cima de uma mesa velha._ Sou toda sua... 



Ele avançou para ela e lhe espremeu, começando o assalto pelo seu corpo, Rafaela tremia de nojo e o imbecil achava que era tesão. Idiota. Ela levou uma mão até o cabelo dele e a outra ela jogou para trás, procurando alguma coisa que servisse de porrete. Deus ouviu suas orações, por que ela achou um cano de ferro. Ela o pegou e tirou a mão do cabelo dele. 



_Oh bonitão, estou quase lá... 



Ela falava, enquanto erguia o porrete. O nojento estava amassando seus seios, enquanto lhe beijava o pescoço. Deu-lhe uma mordida e ela sentiu que saiu sangue. Desgraçado! Ela ergueu a barra de ferro e desceu com tudo na cabeça dele. O homem caiu duro em cima dela e escorregou para o chão. Uma poça de sangue começou a se formar ao redor da cabeça dele. Rafaela desceu da mesa tremendo e tateou os bolsos dele, achando o celular. Ela discou o número de Edward. Se discasse para Garrett, choraria igual uma menina assustada. 



Um toque e ele atendeu. 



_Alô? 

_Edward? É a Rafaela. Estamos... – ela olhou em volta reconhecendo o local - No antigo bairro dos galpões, em Seattle... – fazia muito frio e ela estava apenas de sutiã. Tossiu e gemeu, abraçando suas costelas, tinha um machucado roxo lá. _ Rápido, acho... Acho que bati muito forte no homem que estava me vigiando... – ela empurrou o corpo imóvel com o pé descalço e se arrepiou toda. _ Eu não sei onde a Bella está... Ela pode estar machucada... Por favor... 



Ela ouviu vozes e desligou rapidamente, se jogando atrás de um monte de caixotes e tapou a boca, segurando um grito. Quando suas costelas entraram em contado com o chão cheio de pedaços de tábuas, o ar faltou e ela lutou para não perder os sentidos. Merda, tinham lhe quebrado uma costela? 



_Ramires, o chefe está lhe chamando... Mas que porra!!! Se espalhem e achem o safado! Alguém matou o Ramires!!! 



Rafaela ouviu passos apressados e se encolheu no seu esconderijo, sem dar nem uma piscada a mais. Os passos se apressaram para seu lado, revirando tudo e ela pediu a deus para que não a descobrissem. Um dos homens começou a espalhar tudo ao redor e jogou um cobertor velho e poeirento para o lado em que ela estava e o pano pesado lhe cobriu toda. Ela esperou ele passar por ela e, quando ia puxar o cobertor, alguém o chamou. Eles saíram apressados e ela respirou aliviada. Saiu de baixo do cobertor e, algum tempo depois, correu para fora e se escondeu. A movimentação no outro galpão era enorme. O que foi mesmo que Garrett tinha lhe dito? Ah, em uma situação de fuga, fique no escuro, nas sombras e deitada, se arraste pelo chão e procure abrigo... 

Ela olhou para as pedras e pedaços de asfalto espalhados por lá. Nem ferrando que ela se esfregaria pelo chão. Ficou abaixada, até que carros foram saindo e o caminho ficou livre. Ela foi correndo o mais suavemente que conseguiu e entrou por uma janela quebrada. Seu braço passou pelo vidro e ganhou um belo corte. Ela bufou irritada. Como era que Garrett conseguia voltar para casa depois das missões sem nenhum aranhão? 





************ 



Bella sentou no chão e segurou a cabeça com ambas as mãos. Estava tonta e enjoada, o ar estava ficando escasso. Ela observou que seu cativeiro era uma espécie de caixa de ferro enorme, mas não tinha entrada nem saída de ar. Abriram a porta e Suiac entrou calmamente e lhe olhou sorrindo. E ela reconheceu esse sorriso. Como não tinha reconhecido antes? E o nome? Suiac... Caius de trás pra frente... 



_Olá amor. Saudades? 

Ele falava enquanto ia tirando partes da cara, nariz, cabelos, sobrancelhas, bochechas... 



_Surpresa! E aí, o que achou de minha performance? Te enganei direitinho, não foi? 

_Vá para o inferno, desgraçado! 

_Ora, ora, mas ela ficou corajosa de repente... – ele riu e andou até ela. A ergueu pelos cabelos e Bella segurou um grito, quando ele puxou com força. _Eu tenho algumas coisinhas que eu quero conversar com você, querida. Sente-se. 



Ele a jogou no chão e Bella bateu com tudo em um monte de bagulhos que estavam lá. Ele lhe chutou nas costelas e ela cuspiu sangue. Ele estava começando com o interrogatório. Só pedia a Deus que ela aguentasse até Edward vir lhe salvar. 



********* 



_Estamos todos prontos, Edward. – Douglas falou pelo celular._ A equipe está indo o mais rápido que pode. Nos encontraremos em Seattle às duzentas horas am. Bisbilhoteiro tem uma visão completa do lugar pelo radar e ele entrou nas câmeras de segurança, tem muita gente lá. 

_Avise a sininho que, quando o momento chegar, pode derramar todo o pó em cima deles. 

_Teremos uma festa? – a voz de Jacob se fez ouvir do outro lado da celular. Douglas estava no viva voz. 

_Uma festa do caralho. – Garrett falou e engatilhou sua gloc. 





********* 

Outro chute, só que foi nas pernas dessa vez. Ela se encolheu no canto, gemendo. Ele gargalhou raivosamente. Estava chapado. 

_Vamos sua putinha, fale, cadê o dinheiro que você roubou de mim. FALE VAGABUNDA!!! 



Ele a ergueu pelos cabelos e ela lhe cuspiu na cara, dando um chute em suas bolas. Estava fraca, mas a raiva tinha lhe dado forças para reagir. Ele grunhiu de dor e revidou com um potente soco, que a mandou para o mundo dos sonhos. 



********* 



Rafaela derrubou mais um com um apedra pesada e sorriu com as mãos na cintura. Esse negócio de soldado era mole. Talvez, quando tudo terminasse aqui, ela entrasse para os Seals, se ele recrutassem mulheres, é claro. Ela se esgueirou até o fundo do galpão e viu Caius sair de dentro de um contentor, limpando a cara e andando com dificuldade. Ela sorriu, apostava que Bella tinha lhe chutado as bolas. Bem feito! 



********* 



O carro deslizava pela estrada e Edward, calado, pedia a Deus que tudo acabasse bem. 



_Edward, se ele as... 

_Não. Não fale Garrett. Ele não fez nada com elas, elas estão bem. Se controle ou você vai ferrar a operação. Não são rostos desconhecidos lá, são nossas esposas. Se concentre na operação e mande o seu medo para o inferno, ok? 

_Ok. 



Edward apertou o pé no acelerador, o ponteiro atingindo duzentos e sessenta km por hora. 



************* 



Bella gemeu e abriu os olhos. Virou e deitou de bruços no chão. Seu queixo doía muito, ela tinha a vista turva. A porta de ferro se abriu novamente e ela ergueu os olhos só para ver seu pior pesadelo entrar com um embrulho nos braços. E o embrulho chorava. 



_Olá amor. Veja Mollie. Sua mamãe acordou... 



Bella tremeu com as palavras dele. O choro não era de sua filha, ela conhecia o chorinho de sua bebê. De quem era esse bebê? 



_Caius, por favor... 

_Calada vadia. 



Ele andou pelo cômodo, balançando o embrulho. 



_Vê Mollie? Sua mãe é uma ingrata, eu trouxe você para ela dar de mamar e ela nem sequer me agradecee. Tsh, tsh, tsh, você é uma garota muito má, Isabella. Muito, muito má... 

_De quem é esse bebê? Ela não é a Mollie, de quem é essa criança, Caius? 

_Nossa meu amor. Tome, amamente-a. 



Ele jogou o embrulho para ela e Bella gritou. Quando o pacotinho caiu no chão, ela correu para ele e abriu a manta e descobriu que não era bebê. Eram correntes. E um gravador pequeno. 



_Oh, eu enganei você? Desculpe amor, mas eu não pude pegar nossa filhinha. Fica para a próxima. Agora vem aqui e trás as correntes. Eu quero brincar. Lembra-se? Hãn? Será que você ainda agüenta Isabella? Elas são mais pesadas do que as antigas. 

_Você não vai me acorrentar. 

_E quem vai em impedir? Você? Faz-me rir Isabella. Vem logo, estou esperando. 

_Vá para o inferno! 

_Oh, mas eu já estou e você vai comigo, amor. 



Ele caminhou rapidamente para ela, agarrando seu braço e torcendo-o para trás. Bella ouviu o som do osso estalar, seguido de um truk no ombro e soube que ele o tinha deslocado. Bella vomitou e quase desmaia. Ele riu e ia lhe acertar novamente, mas ouviram um barulho lá fora e ele lhe soltou no chão. 



_Fique onde está. Nós ainda não acabamos, querida. 



Ele saiu e Bella fechou os olhos em agonia. Sentiu mãos delicadas lhe suspenderem. 



_Bells, vem. Temos pouco tempo... 



Bella abriu os olhos e sorriu quando viu sua amiga a sua frente. 



_Oh, graças a Deus! Eu pensei que eles tivessem matado você... 

_Eu sou dura na queda, minha filha! Sou ruim que dói! Vem, vamos sair daqui. 



Ela segurou seu braço e Bella gritou, se encolhendo e Rafaela soltou-a rapidamente. 



_O que foi? 

_Ele deslocou meu ombro... 

_Oh meu Deus, eu não sei botar no lugar! Garrett devia ter me ensinado, ele devia! Vem, vamos sair daqui. Consegue se mexer? 

_Sim... 

_Então vem. Vamos para casa. 





************ 



Todos os soldados estavam a postos, com suas armas preparadas e, ao menor sinal, eles abririam fogo. Edward liderou a missão de resgate e, quem sabe, apreensão. Pediu a Deus forças. Eles entraram no armazém, derrubando cada homem que se encontrava lá. Cada pop! era um corpo que caia. Alguns que estavam lá fora eram abatidos por seus homens. Edward ficou atrás de alguns barris e passou um rádio para Garrett, que estava mais a trás. 



_Gato de botas, eu vejo alvo a bravo verde nove e quinze. 

_Confirmado, Peter Pan. 

_Bisbilhoteiro, me passe o que está vendo ao redor. 

_Pouca movimentação, Peter Pan, alguns carros, mas os homens estão no controle. 

_Entendido. Pegue ao menos algumas lebres para esfolarmos na base, ok? As mais gordas. 

_Pode deixar Peter. Câmbio. 

_Câmbio final. – Edward parou de falar e preparou seu rifle nas mãos. Apontou para um vulto que vinha saindo dos fundos do galpão. 



Greg. 



Edward abriu um sorrisão. 



_Ele é meu, Peter. 

_Fique à vontade, Gato de botas. 



Um tiro e uma queda. Perfeito. Garret, antes de matá-lo, se fez ver por ele. Greg arregalou os olhos, virou de costas para correr e fez menção de pegar o transmissor na cintura. Só fez mesmo, por que Garrett meteu-lhe uma bala na cabeça, que saiu pela testa e o homem caiu duro no chão. 



Eles ouviram mais passos apressados e Edward avistou Bella e Rafaela vindo na direção deles. Rafaela viu Garrett primeiro e gritou, mas antes delas chegarem perto deles, Caius apareceu e segurou Bella e Rafaela pelos cabelos, encostando a arma na cabeça de Isabella. Edward gelou por dentro. 



_Se der mais um passo Garrett, eu as mato!!! 

_Solte-as, seu miserável! 

_E perder minha chance de acabar com sua felicidade? 

_Se você fizer alguma coisa, eu juro que... 

_Se você fizer um movimento em falso, eu atiro na sua vagabunda!!! 



Edward se esgueirou por trás das caixas e ficou em uma posição privilegiada. Mirou, mas toda vez que ele se preparava para atirar, o safado se mexia e uma delas ficava na frente. Ele pediu a Deus por uma oportunidade, só uma. Não podia viver se algo acontecesse a sua mulher ou a sua amiga. Não podia reviver o terror que foi perder Débora de novo. Bella era sua vida. Caius se mexeu e Bella deu-lhe um pisão no pé, o fazendo soltá-las tempo suficiente para que ele fizesse a mira e apertasse o gatilho. 



Bella estava tremendo de dor e medo. Seu pensamento era só para seu marido e sua filha. Ela viu pelo canto do olho um movimento e reconheceu como sendo Edward. Ele procurava uma posição boa para atirar. Caius estava tão concentrado em Garrett, que não percebeu que Edward chegou perto deles. Ela respirou fundo e fez o que seu coração mandou. Deu-lhe um pisão com toda a força que tinha e Rafaela lhe ajudou, dando-lhe uma cotovelada forte nas costelas. Foi tudo muito rápido. No segundo em que ele as largou e mesmo antes de caírem no chão, elas ouviram dois poc! e Caius caiu em cima dela. Rafaela estava do lado no chão, arfando e segurando as costelas. Sentiu mãos fortes tirar o corpo de Caius de cima de si e em, seguida, foi erguida com muito cuidado e carregada para fora. Sua amiga vinha logo atrás. Foram cercadas por muita gente. Eles colocaram seu ombro no lugar e ela desmaiou de dor, quando o osso voltou ao seu lugar. 





*********** 



Bella abriu os olhos e viu um teto branco com uma luz suave, mas que mesmo assim lhe incomodou a vista. Ela tornou a fechar os olhos. Ouviu a porta se abrir a fechar novamente, passos lentos se aproximaram da cama e dedos calejados, mas tão conhecidos lhe alisaram a pele. Ela abriu os olhos e se perdeu no mar verde a sua frente. Um sorriso lindo preencheu aquele rosto lindo e ela retribuiu, gemendo de dor, quando sentiu a pele do rosto esticar. 



_Xiii... Calma, amor. Está tudo bem. 

_O Caius, ele... 

_Sim, está morto. Agora é de verdade. 

_Como ele conseguiu se fingir de morto? 

_Quando Emmett lançou o RPG, Caius e Greg pularam pelo outro lado, antes do helicóptero explodir. 

_Mas e os corpos? Você disse que eram a cara deles! 

_Uma vez Caius disse a Jacob que ele se considerava como Holdini e o truque que mais gostava era o de fazer desaparecer coisas. Ele disse que o que os olhos veêm, a mente acredita. 

_Quem te contou isso? 

_Um dos homens que pegamos. Ele tinha preparado os corpos, estavam congelados e dentro do helicóptero. Ele sempre andava com eles para uma situação de emergência. 

_Meu Deus... 

_Acabou, amor. Não tem mais Caius. Não tem mais perigo. Acabou. 

_Quando vou poder ir para casa? 

_Amanhã. 

_E Rafaela? 

_Está bem, tem uma pequena fratura em uma das costelas, mas vai sobreviver. 

_Ela me ajudou tanto, Eddie... 

_Eu sei. Hei! Eu acho que você vai ficar feliz em saber que eu encontrei minha fé novamente. 

_E você tinha perdido? – ela falou brincando, mas sabia que sim. _Amo você, Edward. 

_E eu a você, Bella Cullen...



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N/B: OMGGG, o que dizer deste que foi o último capítulo!!! Emocionante do princípio ao fim! 

Primeiro amei a mensagem que a nosso querida Milly nos deixou sobre ter fé em Deus e não nos afastarmos dele! Tudo o que a Milly disse através do reverendo é verdade e eu mesma admito ser ainda um pouco como o Edward, coisa que preciso abrir os meus olhos quanto a isso! 

Amei a Rafaela aqui, ela foi muito foda! Ainda bem que o Garret deu aquelas dicas para ela! 

O desgraçado já foi tarde! Já tava fazendo mais do que hora extra já! Criaturas dessas não deviam viver! 

Amei o capítulo e me faltam palavras para expressar isso direito. A fic já está no finalzinho e aquela saudade já está batendo. Mas assim que sair o último cap, vou reler a estória outra vez e me deliciar que mais este grande produto do talento da Milly!! Quem quiser me acompanhar, força nisso!! 

Parabéns mais uma vez à minha querida amiga Milly por mais esta fic muito bem conseguida!!!

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