quarta-feira, 27 de março de 2013

Um Amor do Passado: Capítulo 2





CAPÍTULO DOIS





 É IMPOSSÍVEL, EU SEI É IMPOSSÍVEL...
MAS ESTÁ ACONTECENDO.







- Se me acompanharem agora verão onde o Lorde MacInnes dormia.


Becca e sua turma começaram a subir as escadas ou o que sobrou delas, a seu ver pareciam que iriam desmoronar a qualquer minuto mais eles disseram que eram seguras então...


Seguindo o pessoal e sempre atrás na fila ela entrou nos aposentos do piso superior.






- Esse era o quarto do lorde, como podem ver tem uma porta que o liga ao quarto ao lado. – Falou o guia um homem de aproximadamente vinte e cinco anos alto e bombado. E é óbvio se achava a ultima bolacha do pacote.


- Esse quarto era o das crianças? - Perguntou uma loira com óculos fundo de garrafa que a todo instante escorregavam fazendo-a erguê-los constantemente.


- Não, esse era o quarto da amante.


- Ele tinha uma amante no castelo? - A mulher falou totalmente revoltada, Becca concordou totalmente.


- Era comum aquela época. Todos os lordes tinham.


- E a esposa como ficava? Digo, ela sabia que o marido tinha uma amante e que o quarto dela era ao lado do seu e tinha uma porta de ligação entre os dois?


- A esposa do lorde, lady Grania não dormia com o lorde, os aposentos dela ficavam na torre sul...


- Do outro lado do castelo? - Uma adolescente de cabelos negros e compridos, falou estourando uma bole enorme de chiclete rosa. Becca suspirou entediada com o tour, ela sabia mais do que esse guia.


- Sim do outro lado do castelo...


- Não me admira que não tenham tido filhos, o homem queria distância dela. Ela era feia? - Um homem que aparentava ter seus trinta e poucos anos falou rindo da própria pergunta.


- Não senhor ela não era feia. Dizem que era a mais bela mulher em toda a Escócia, só que lorde MacInnes tinha uma amante que ele nutria um profundo afeto, e foi ela quem deu todos os filhos ao lorde já que a esposa era estéril. Mas o lorde amava sua esposa já que foi graças a ela que ele conseguiu capturar seu grande inimigo Alec Rowan, lorde do Clã MacLeomhan também conhecido como o jaguar das terras altas...


- Não era assim que ele se chamava senhor Rodriky. - Becca falou irritada com toda essa mentirada. _ O Lorde Alec MacLeomhan era conhecido como o leão das montanhas devido seu brado de guerra que era mais parecido com um rugido do que um grito propriamente dito e ele foi traiçoeiramente capturado por Malque MacInnes, graças a um engodo que lady Grania do clã Donald armou pra ele, ela foi a sua procura pedindo socorro e ele como sendo um verdadeiro lorde foi ao seu encontro para destruir o mal que ela dizia que a perseguia e foi assim que ele foi preso, o lorde MacLeomhan era um homem honrado e íntegro e que jamais deixou de acudir quem pedia sua ajuda.






Becca terminou sua versão da história respirando fundo para se acalmar. O homem era um tolo.






- Como se chama senhorita?


- Rebecca Jouane Callahan MacLeomhan.


-Ah! Uma ancestral do lorde, não é de se estranhar que defenda ele com tanto afinco. Mas deixe-me dizer senhorita, que eu sou formado em história escocesa e conheço muito bem as histórias dos clãs dessas terras. E posso afirmar que Lorde MacLeomhan era um vil assassino sanguinário e lorde Malque apenas usou desse engodo para poder capturá-lo por que ele vinha destruindo todo o clã MacInnes. Mas eu lhe asseguro que ele foi devolvido ao seu clã depois que pagaram o resgate, o que levou só três dias...


- Tem certeza que é formado em história escocesa senhor Rodriky? - Becca o cortou de seu falatório ridículo se segurando para não acertá-lo com sua bolsa.


- Claro senhorita Callahan.


- Então me deixe esclarecer umas coisinhas, que se esqueceram de lhe ensinar na faculdade. - ela falou e ergueu a mão na sua frente, levantando o primeiro dedo em riste antes de falar.


- 1º) Os MacInnes eram o pior clã que já existiu em toda a Escócia. Ladrões, assassinos, estupradores, molestadores de crianças, e etc. - O homem trincou os dentes.






Ela ergueu o segundo dedo.






- 2º) Lorde MacInnes usou o amor que lady Grania sentia por ele para o seu próprio bem. Envenenou os pais da garota e disse que foi Alec MacLeomhan. Há documentos escritos pelo próprio lorde MacInnes relatando o ocorrido. Grania e o clã Donald tinham um ódio mortal pelos MacLeomhan. E quando Malque pediu sua mão em casamento para unir os dois clãs contra os seus inimigos jurados ela não pensou duas vezes. O que ela não sabia era que ele tinha um grande afeto certamente, pela a irmã dela por parte de pai, Catriona e que só estaria na sua cama na noite de núpcias para consumar o casamento, e no dia seguinte ela seria mandada para a torre sul e ficaria lá trancada, já que ele amava não a ela mais a sua irmã bastarda. Além do mais, Grania não era estéril, ela engravidou na noite de núpcias, se é que se pode definir estupro com núpcias não é? Ela e o filho que se chamava Stefan, o filho que o lorde nunca quis conhecer, ficaram trancados na torre durante quinze anos. Quando eles conseguiram escapar Stefan tomado pela loucura assassinou o seu pai, seus irmãos, sua madrasta, e colocou fogo no castelo. Nunca mais o castelo Dunhar foi reerguido.






O terceiro dedo foi erguido e o guia a olhou mortalmente.






_ 3º) Quanto ao lorde MacInnes devolver Alec ao clã dele, sim é verdade, só que ele devolveu depois de oito dias preso nas masmorras e não três na torre como contam por aí. Ele passou oito dias sem água nem comida e todo santo dia batiam nele, ao oitavo dia, oito homens um para cada dia que ele passou naquele inferno entraram na cela e mataram o lorde com lanças, eles eram tão covardes que não queriam se aproximar com medo dele os matar. - Becca negou com a cabeça sua raiva crescendo em proporções astronomias. _Um homem preso por grilhões nos pés e nas mãos, fraco, todo arrebentado, faminto e sedento. Eles o perfuraram duzentas vezes, depois foi entregue dentro de um saco para os MacLeomhan.






Ela se virou para seus companheiros de tour.






_Essa, senhoras e senhores, é a verdadeira história dos Clãs das terras altas, e vocês podem comprovar o que eu digo, é só irem à biblioteca de Edimburgo que vocês encontraram a história bem detalhada.






Ela finalizou seu discurso de defesa para uma plateia bastante espantada. Becca sorriu para as pessoas, pronta para tomar em suas mãos o tour se fosse preciso. Quer dizer, ela não era uma guia mais sem sombra de dúvidas que sabia mais da história dos clãs do que esse homenzinho parado a sua frente espumando de raiva.






- Terminou senhorita?


- Sim senhor.


- Então eu queria lhe pedir que se retirasse do grupo, já que a senhorita sabe tanto da história dos clãs não precisa de um guia não é mesmo?






Ela ergueu o queixo em claro desafio.






-Concordo, não preciso mesmo. Adeus senhor Rodriky.






Ao ver que o grupo se distanciava, Becca procurou se acalmar tomando longas e profundas respirações, o que não era fácil devido a sua natureza indomável. Ela não suportava mentiras, e menos ainda as sobre o seu lorde... Ela sorriu com esse pensamento. Seu lorde. Sim, adoraria chamá-lo assim, seu lorde, seu guerreiro, seu Alec, seu leão, seu amor. Enquanto ela fazia uma lista dos nomes que gostaria de lhe chamar, foi descendo a escada que dava para as masmorras. Não fazia parte do roteiro da incursão, mas, já que não estava mais com o grupo, bem que podia se aventurar por lá.


Apesar de existirem placas que diziam "PERIGO!" ela se dirigiu para lá mesmo assim. Tinha uma vontade doida de ver onde Alec viveu seus últimos dias, viveu não, sobreviveu, era meio mórbido querer ver o local onde o mataram, mas ela não resistiu. Quando alcançou o final das escadas observou por algum tempo o arco que formava a antiga porta de entrada das masmorras, ela viu pedaços corroídos pelo tempo do que antigamente foram as portas feitas de grossas toras de madeira. O fogo não chegou nessa parte do castelo mantendo tudo relativamente intacto durante 600 anos. Havia um corredor largo, e do lado esquerdo cinco celas tomavam conta da parede, o tamanho era de 1,5 por 2,8 mais ou menos pelo que ela pode ver o que para um homem de 2,00 metros de altura era muito pequeno. Mas as masmorras não foram projetadas para serem suítes confortáveis e sim prisões angustiantes. No fim do corredor ficava a cela que Alec ocupou. Becca parou em frente e ficou a observar o lugar e se perguntar como em nome de Deus ele pôde ter sobrevivido a um lugar como aquele e naquelas circunstâncias. Grilhões enferrujados ainda estavam fincados no chão como um lembrete de como ele fora mantido lá. Ela empurrou a porta de ferro enferrujado que fez um barulho sombrio quando foi forçada em suas dobradiças, entrou na cela olhou em volta estremecendo de frio, ao olhar a sua esquerda ela viu o que parecia ser uma gravura desenhada na parede do fundo, O que era aquilo afinal? Ela se aproximou do desenho, Parecia uma rosa mal feita... Ela limpou o local passando a mão e tirando as teias de aranhas e poeira de vários séculos, não uma rosa, uma cabeça de leão, e muito mal feita, ela reconheceu como sendo uma parte do símbolo do brasão dos MacLeomhan, percebeu que havia uma série de linhas gravadas na superfície. Parecia como o ogham.






- Estranho. - Murmurou tentando ler a inscrição, nesse momento agradecida a Deus por seus pais terem tido a idéia e a paciência para ensinar-lhe Gaélico. Ela observou a inscrição mais de perto, não era o ogham que era um tipo de alfabeto muito usado pelos celtas antigos, quem fez isso quis camuflar o que tinha escrito. Becca passou o dedo pelas linhas, tocou as letras, e um arrepio de excitação correu-lhe pela espinha.


_Uma mensagem do passado – falou totalmente excitada. Então com extremo cuidado começou traduzir a escritura:


_Caminhe através do tempo, pra frente e para trás, para frente e para trás. “Vidas perdidas serão restauradas..."






Becca leu a seguinte frase






_Três chances terás para salvar o inocente. De uma ponta a outra do dia, manhã é noite, noite é manhã. Para achar seu lugar terá que primeiro perder.






Ficou confusa.






- Perder o que? E que história é essa de manhãs e noites? - Calou-se, pois percebeu que falava sozinha, um costume adquirido através dos anos quando tudo o que tinha era a si mesma para conversar. Olhou ao redor e sentiu o coração apertado.


_Caminhe através do tempo, pra frente e para trás, para frente e para trás. "Vidas perdidas serão restauradas..."






Repetiu enigmaticamente.






- O que isso quer dizer... - Continuou se perguntando e tocando as letras entalhadas na pedra. Olhou em volta mais uma vez lembrando-se dele e de seu sofrimento.


- O a chroí (o meu coração) o que eu não daria para poder salvar você... - Chorou a perda do seu amado, mesmo sem nem sequer tê-lo conhecido. Ela voltou seus olhos para a inscrição lendo e relendo tentando entender o que era isso e o porquê de terem escrito logo ali. Gostaria de caminhar através do tempo como dizia a escritura, gostaria de poder voltar no tempo, só uma vez...






Sentiu no fundo do coração a vontade de recitar as palavras, uma e outra vez, sentiu o desejo de orar de pedir a Deus alguma ajuda mais não sabia do que, só sabia que Precisava.






_Caminhe através do tempo, pra frente e para trás, para frente e para trás. "Vidas perdidas serão restauradas."






De repente uma neblina começou a se levantar do chão e rodeá-la. Becca não pôde fazer nada a não ser observar atônita como ia ficando cada vez mais translúcida e as coisas ao seu redor cada vez mais sólidas e novas. Oh meu Deus. Senhor Jesus o que era isso?


Em êxtase ela recitou a frase novamente, seu coração esmurrando em seu peito dolorosamente.


E de repente tudo mudou.


Ela se viu diante de um lugar totalmente diferente do que estava há poucos segundos. Tinha uma tocha acesa onde antes existia uma luz de emergência.






- Quem és tu...?






Becca foi arrancada do seu estupor por uma voz rouca e fraca. Ela se virou lentamente esperando encontrar o guarda que ficava na entrada do castelo, um senhor velho e com a voz quase sumida pelos anos que lhe pesavam nos ombros, mas, sempre cortês. Mais não foi ele que ela encontrou, ela deu de cara com o fantasma de Alec MacLeomhan... Só que ele estava bem sólido pelo que ela podia ver.










- A-Alec?


- Sou eu... Quem és tu? - Repetiu a primeira pergunta.


- Sou Becca... Rebecca Callaham. Meu lorde. - ela se apressou a acrescentar e fez uma reverência um pouco aturdida sem saber como isso estava sendo possível.






Ele fez uma expressão cética a olhando com desdém em seu semblante cansado.






- Veio em nome daquela víbora da Grania? -Perguntou sombriamente. _Quer saber se eu já morri? Diga a ela que não se dê o trabalho de mandar ninguém aqui para verificar. Sairei daqui e irei pessoalmente atrás dela e mostrarei que eu não estou morto, nem pretendo morrer aqui.






Ele falou rudemente usando as poucas forças que tinha. Ele era um guerreiro arrogante pelo que ela podia ver... E estava fascinada.










- Não vim em nome de Grania. A meu ver, ela pode mofar naquela torre que eu não ligo à mínima...


- Que torre?


- A torre sul, ela está trancada lá ou pelo menos estará quando se casar com o Lorde MacInnes. - Becca falou dando de ombros e se aproximando cautelosamente das grades da cela.


- Então tu é a amante dele? Veio dar uma olhada para ver se sirvo para tua cama? - Ele falou praticamente cuspindo as palavras como se fosse veneno em sua boca.






Ela deu um passo para trás longe das barras de ferro como se tivesse recebido uma tapa. Travou o maxilar para evitar responder como ele merecia, ele não a conhecia. Era uma estranha para ele e era comum nessa situação desconfiar de qualquer um que se aproximasse dele. Mesmo assim não deixou de sentir seu temperamento ferver como água quente dentro de uma chaleira.






- Não sou Catriona. E por favor, não me insulte com tamanha comparação ofensiva. - ela falou com os dentes cerrados.


- Definitivamente não pertences a este clã. - ele falou lhe observando com mais atenção. O que óbvio a deixou desconfortável.


- Por que tem tanta certeza? - ela falou lhe devolvendo a mirada.


- Porque esse clã não tem condições de gerar guerreiras como tu milady.






Ela ruborizou com o elogio.






- Quem és tu? - ele repetiu a pergunta, agora com uma matiz de curiosidade estampada em seus olhos verdes.










Seu olhar vagou por seu vestido que chegava aos joelhos e era de mangas curtas. Muito inapropriado para essa época.










- Sou alguém que veio para lhe ajudar, milorde.






Becca começou a lembrar da segunda parte da inscrição: "Três chances terás para salvar o inocente"...






- És tu uma bruxa? Como entrastes aqui?


- Não sou uma bruxa. - ela sussurrou olhando o modo como ele estava sentado no chão. Tão maltratado. Seu coração se condoeu por ele.


- Um anjo, talvez?


- Não sou um anjo.


- Não, claro que não. Deus me virou as costas quando eu era muito novo. - ele falou com rancor.


- Ele nunca virou as costas pra você mon Tresor (meu tesouro). Deus sabe o que faz.


- Mesmo me trancando nesse inferno? - ele falou com raiva e ela se comoveu por ele e sua dor.


- Talvez tenha sido essa a minha missão Alec. Tirar você daqui.


- Você e qual exército? Quem definitivamente és tu? - ele perdeu o pouco da paciência que lhe restava.


- Sou... - Becca respirou fundo, o que poderia ocorrer se lhe falasse a verdade? No mínimo iria rir da sua cara e no máximo a mandaria embora achando que era louca. Resolveu arriscar, além do mais tinha aprendido que mentir era pecado. - Sou uma viajante do tempo.






Ele lhe olhou por algum tempo e negou com a cabeça lhe dando um sorriso desdenhoso.






- Não existe tal coisa. Mas se está aqui para me salvar então pelo menos poderia dar-me um pouco de água? - ele falou cansado mais sem desviar os olhos dela.


- Sim, claro. Quantos dias você esta aqui? - ela perguntou se virando e procurando algum barril, sempre tinha barris com água nas masmorras, serviam para matar a sede dos algozes e para torturarem seus prisioneiros os enfiando a cabeça dentro e quase os matando afogados.


- Eu achei que sabias de tudo viajante do tempo. - ele disse claramente não acreditando em suas palavras.


- Só algumas coisas mom couer (meu coração)


- Você é francesa? - ele perguntou curioso.


- Não. Mas eu falo muito bem francês, gaélico... E outras línguas que você nem se quer ouviu na sua vida. - ela falou convencidamente. _Mais eu sou Inglesa.


- Ha... - ele murmurou virando a cabeça para o lado.


_ Desapontado? - ela perguntou sorrindo por lembrar-se das pesquisas e histórias de seus pais que diziam que ele era totalmente não tolerante com Ingleses.


- Um pouco, mais não muito, minha mãe era Inglesa, casou-se com meu pai quando tinha 15 anos. Eu nasci um ano depois. - ele não sabia o porquê estava falando de sua vida para aquela mulher estranha quase despida a sua frente com as pernas a mostra e envolta em uma neblina branca e estranha, mas, algo o impelia a falar tentar conhecê-la melhor. E convencê-la a ajudá-lo.


- Eu sei, conheço a sua história a chroí (meu coração)






Becca se dirigiu a um barril que estava no canto da parede do lado direito, ela percebeu que tinha uma caneca de madeira presa num gancho na mesma. Ao estender a mão para tocar a caneca, passou direto, como se a forma dela não fosse corpórea.






- Meu Deus... És um fantasma... - ele falou com medo, sua voz falhando no final, pois tinha sabido que ela não era daqui mais negando em sua mente que ela fosse diferente.


- Não sou fantasma a chroí. - Becca tentou sair da neblina que a envolvia, mas não conseguiu. _Deus! Como posso dar de beber a ele se eu não consigo nem pegar um copo sem que a minha mão passe direto? - ela resmungou. Tentou uma, duas, três vezes, na quarta ela se sentou no chão frustrada.






Tinha voltado no tempo 600 anos, tinha encontrado o amor da sua vida e não podia nem dar um pouco d'água a ele! Ela esfregou os lados de sua cabeça, a enxaqueca ameaçando chegar. Com raiva ela tirou sua bolsa do ombro e arremessou contra a parede certa que essa passaria voando. Não aconteceu. Assim que a bolsa saiu da neblina ela ficou sólida de novo, Becca pegou sua bolsa e ela voltou a ficar translúcida como ela.






- É... Pode funcionar.


- O que é que pode funcionar Rebecca?






Ela ergueu a cabeça e olhou para ele sorrindo em alívio.






- Uma experiência. Não se preocupe a chroí, você terá sua água. É uma promessa.


- Vindo de ti milady eu não duvido. - E não duvidava mesmo, não a conhecia mais tinha a impressão de que quando ela se punha a fazer algo ela ia até o fim.






Ele sorriu e Becca ficou cativada por seu sorriso. O encanto se desfez rapidinho quando ele teve uma crise de tosse. O chão era de pedra e estava gelado, ele vestia o tartan, sem botas ou camisa. A cela estava imunda, cheia de lodo e sujeira. Apressou-se então a passar pelas barras de ferro agradecendo a Deus quando conseguiu.


Sentou ao lado dele e rapidamente abriu a bolsa tirando de dentro uma garrafa de água, ela nunca andava sem uma, ordens dos seus pais: “Nunca se sabe quando vamos precisar de um pouco d'água Becca”. Dizia Elizabeth.


Ela fez uma pequena oração: “Senhor, permita que eu possa cuidar dele”. Estendeu a garrafa pra ele, que não conseguiu segurá-la. Estava com as mãos dormentes devido ao aperto dos grilhões e a deixou cair.






- Sinto muito milady. - ele falou com raiva pela sua atual situação fragilizada.


- Não se desculpe Alec.






Becca rapidamente pegou a garrafa, se aproximou, colocou a cabeça dele em seu colo. Ela não era translúcida quando tocava nele.Estranho.


Levou a garrafa aos lábios de Alec. Ele tomou a água com desespero, e ela teve que tomar cuidado para que ele não se engasgasse. Quando terminou de beber, ela se lembrou do seu almoço que estava na bolsa, desembrulhou um sanduíche de carne de cordeiro e lhe deu pequenos bocados que ele engolia com chá gelado que tinha trazido para acompanhar seu almoço.






- Obrigado milady... Muito abrigado... Salvaste minha vida.


- Ainda não o salvei. Não ainda. Quantos dias você disse que estava aqui?


- Seis dias.


- Você está todo machucado...


- Eles sabem bater. Mas não se preocupe moça eu vou ficar bem. - Tranquilizou-a suavemente.


Becca o olhou estava todo machucado, cansado e chorou o abraçando. Ele não ia ficar bem, o matariam.


- Daqui a dois dias... Eles vão matar você.


Ela sussurrou como se assim pudesse afugentar esse pensamento, essa sentença.


- Como sabes disso?


- Eu já lhe disse, eu sou uma viajante do tempo.


- Para mim és um anjo moça.


- Por favor, me chame de Becca.


- Becca... Um lindo nome e te assenta bem. – suspirou fundo e fechou os olhos _ Eu estou tão cansado... Acho que vou... Dormir um pouco, eles só virão amanhã de manhã. - Murmurou exausto.






Alec caiu em um sono profundo. Becca ficou alisando os cabelos dele, imaginando como seriam se não tivessem sido cortados a faca, eles eram de um tom de ruivo lindo quase como se o sol tivesse despejado seus raios em cima da massa fortemente avermelhada dos fios. Passou a noite toda com ele, velando seu sono. E apesar das circunstâncias adorou cada precioso segundo daquele momento tanto impossível, quanto mágico. Nos primeiros raios de sol, ela percebeu que tudo a sua volta começava a se desvanecer. Só teve tempo de pegar um pedaço de papel e escrever uma simples nota, colocou-a em sua mão e em seguida depositou um beijo em seus lábios frios e machucados.


E como um passe de mágica, tudo a sua volta desapareceu "EU VOLTAREI MEU QUERIDO" tinha escrito no bilhete.


Becca se ergueu do chão e ficou olhando a cela agora vazia e velha cheia de teias de aranha a porta estava como antes de ir para o passado ela saiu e começou a olhar melhor ao redor.


















(***)

5 comentários:

  1. becca conseguiu encontrar seu amor e agora vai fazer tudo para salva-lo

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  2. Esto mais bonito que a antiga!!!
    Beijos

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  3. Rosyn Tack: amei demais ,ela esta perfeita e gostei dos nomes ... você e o máximo Milly ...seu blog esta nota 1.000...bjos minha linda...

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  4. awwwwwn ja disse que eu amo essa história?? psé eu amo!! eita que agora Becca vai correr contra o tempo, agora ela vai fazer de tudo pra salvar o amor da vida dela

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