terça-feira, 16 de julho de 2013

Amor Com Gosto de Sangue: Capítulo 08




Capítulo 08




_Papai, posso entrar?




_Claro, querida.




Edward ergueu os olhos dos papéis que estava lendo e observou sua filha desfilar sala adentro, indo sentar na cadeira à sua frente.




_Algum problema no seu setor?




_Não.





_Desistiu dessa história absurda de casamento? Vai dar um pé na bunda do cachorro?




Ele falou com um sorriso de trinta e dois dentes. Nessie revirou os olhos para ele.




_Papai, por que o senhor ainda não se conformou com isso? Eu amo o Jack, vamos nos casar, vamos ter filhos lindos, o senhor será avô, então...




_OK, ok! Informação demais para mim.




Ele falou, tapando os ouvidos e Nessie riu com gosto de sua atitude infantil.




_ Como diz seu irmão, totalmente sem graça, Nessie!




_Eu sei, desculpe-me papai.




_Tudo bem, o que você quer, querida?




_É o Alex.




_Ele já voltou da viagem? Eu não o vi chegar.





_Ele voltou sim, chegou ontem, mas ficou na casa de Jacob.





_Porquê?





Nessie respirou fundo, passando as mãos nos cabelos, despenteando-os. Edward ficou em alerta.





_O que houve Nessie? Cadê seu irmão? O que houve com o meu filho?




Ele se ergueu da cadeira e se dirigiu para a porta, agarrou a maçaneta, quase a arrancando fora. Parou em cheio e fechou os olhos, tinha acabado de sentir seu menino entrar no prédio.





_O senhor também sente, não é?




_Por que ele está tão angustiado? É tão espesso esse sentimento, que chega a sufocar.






_Ele se declarou a Caroline, pai. E... Ela o rejeitou.




Edward se virou devagar, seus olhos negros de raiva e angústia. Ele estava sentindo a mesma coisa que ela, a angústia de Alex os alcançava de forma brutal.



_Explique-se. – ele rosnou, voltando a se sentar em sua cadeira. Nessie se ergueu e foi até à porta, abriu-a e olhou para fora, trancando outra vez e passando a chave.




_Nessie, fale logo o que essa menina fez para o meu filho!




_Papai, calma, sim? Dando o resumo completo, para não nos atermos a detalhes sem importância, o negócio foi o seguinte: O Alex, ele a convidou para jantar quinze dias a trás, ela aceitou, eles conversaram, ele se declarou, ela se assustou e disse não.




_Ela não pode dizer não a ele! E sua escolhida, pelo amor de Deus! – ele gritou, batendo o punho na mesa.





_Ela pode sim, pai. – Nessie segurou suas mãos, alisando as unhas compridas que tinham crescido pelo seu acesso de raiva._ Ela se assustou, lembre-se que quando o senhor abordou a mamãe, ela ficou assustada, não?




_Isso é diferente, eu disse algumas coisas que não devia a ela.





_Tipo? Essa parte eu nunca soube, a mamãe apenas diz que o senhor foi um grande idiota. Fofo, mas, um grandíssimo idiota.




_Eu disse que ela era a minha maldição.





_Bom, não foi algo tão ruim assim.





_No restaurante, à vista de várias pessoas e nós nem se quer nos conhecíamos. Simplesmente agarrei o seu braço e lhe falei, sem consegui me conter.




_Oh. Bom, isso foi grosseiro, verdadeiramente grosseiro, se o senhor quer saber.





_Eu não quero saber. – Nessei o olhou ceticamente e ele suspirou, chateado. _ Perdão docinho, eu estou muito irritado com essa garota. No meu tempo, as mulheres se rasgariam para ficar com um homem como seu irmão. Agora vem essa... Fedelha e o dispensa? Totalmente absurdo!





_ Mamãe tem razão quando diz que o senhor é irracional quando se trata de nós. Mas, o senhor tem que entender que o Alex foi um pouco... Afoito com tudo isso.






_Ele foi sincero, o que há de mal nisso? Hã? Se ele mentisse para ela, com certeza ela não ficaria feliz.





_Não, não ficaria, o senhor tem razão. – Nessie se ergueu e foi para trás da cadeira dele, o abraçando por trás, descansou a bochecha em cima de sua cabeça. _ Pai, por favor, entenda que a Caroline viveu toda a sua vida sobre o julgo da avó, que é uma bruxa velha, nojenta e controladora. 





_Por isso mesmo que ela tinha que aceitar seu irmão, ele cuidaria dela melhor do que ninguém. – ele resmungou, chateado e Nessie sorriu.




_Oh meu Deus, que paizinho mais super protetor é esse?! Eu me sinto até com inveja agora. Sim, com certeza sinto a inveja chegando. 




Ele riu quando ela o abraçou forte pelo pescoço. encostando o queixo em seu ombro.




_Não precisa ficar com inveja, nem ciúme docinho, tem papai para todo mundo.





_Eu sei. Temos que fazer algo em relação ao caso do Alê, ele disse que a rejeitaria.





_Aquele cabeça dura não pode rejeitar sua escolhida, ele nunca conseguirá esse feito.





_Eu sei, o senhor sabe, todo mundo sabe. Agora, tente explicar isso ao seu filho adorado, grandíssimo cabeça oca! Ele não quer saber. E está sofrendo muito por isso.





_Por isso, ele pediu esses quinze dias de folga.





_Yep. Precisamos ajudá-los, papai.





_Você está querendo dizer que vamos ser alcoviteiros?





_Alcoviteiros, corta jaca, cupidos, enxeridos da maior marca. Temos que unir os dois, por que, quando a verdade atingi-los, eles precisaram estar bem unidos para superar esse baque.





_Que verdade é essa?





Nessie se afastou e foi sentar na cadeira novamente.





_O sobrenome de Caroline não é apenas Ennis. É... Strack.





_Por favor, me diga que essa menina não é parenta daquela infeliz que seu irmão matou, junto com os dois amiguinhos dele, naquela festinha insana, há vinte e seis anos atrás.




_A própria.




Edward colocou os cotovelos na mesa, apertando os punhos contra os olhos.





_Teu irmão só faz merda!





_Bom, em defesa do meu irmão idiota, ele não fazia ideia que Pamela Strack era à tia-avó de sua prometida. Caroline nem sequer tinha nascido naquela época. O caso, papai, é que a avó dela odeia vampiros por conta do que aconteceu com a irmã dela. Imagine o que acontecerá quando ela souber que sua neta, a qual ela sempre controlou com punho de ferro, se apaixonou por um vampiro e não um vampiro comum, mas, o assassino da irmã dela.





_Elas nunca poderão saber.





_Mentira tem perna curta, papai.






_Mas corre, que é uma desgraça!





_Concordo, mas, no final sempre a alcançam e aí tudo vira merda. Desculpe-me a palavra.





_Vamos ter que começar com o plano de juntar os dois.






_E como será isso?





Edward olhou para sua filha com um sorriso maldoso no rosto, que Nessie retribuiu com prazer.



{***}









Alex estava em sua mesa, com a cara enfiada na tela do computador, digitando feito um maluco. Tinha muito trabalho acumulado, reuniões a comparecer, documentos a assinar e uma morena a de quem fugir fervorosamente. Ele até tinha, na sua raiva e dor, cogitado a hipótese de demiti-la apenas para não correr o risco de encontrá-la pelos corredores da empresa, mas, não podia fazer isso com ela. Ela não o amava, paciência... 



Uma batida na sua porta e ele ergueu os olhos, relutantemente, para ver quem era.




_Oi maninho! – Nessie saltitou para dentro de sua sala.





Ele voltou para sua posição de antes.





_Caia fora.





_Cadê a educação, Alexsander Cullen?






Ele ergueu os olhos do monitor e lhe sorriu.






_Bom dia minha querida e irritante irmã, que bom que veio me ver. Agora, caia fora. – seu sorriso morreu tão rápido, quanto surgiu e ele voltou a teclar insanamente outra vez.





_Papai quer você na sala de reunião. Agora.





_Não, tenho muito trabalho a fazer.





_Eu sei maninho, mas entenda. O papai abriu mão da aposentadoria dele por que você caiu no mundo, sem dizer nada a ninguém, ele deixou a mamãe para assumir suas funções. Ele não está feliz.





_Eu precisava desanuviar a cabeça.






_Ele não quer saber disso, ele quer você na sala de reuniões. Já!






_Oh, inferno! – ele bateu a mão na mesa e se ergueu da cadeira, teclando rapidamente para salvar o documento e fechar seu computador. Vestiu o paletó e acompanhou a sua irmã para fora da sala.






Todo caminho, ele permaneceu calado, seus pelos da nuca eriçados por que ele sabia que ela estava no prédio. Pegaram o elevador. Ele pedia a todo instante que Deus fizesse um milagre e ele não a visse hoje. Nem nunca mais. Quando o elevador abriu as portas, ele colocou a cabeça para fora e esquadrinhou o local, o cheiro dela estava aqui, nesse andar. Ela tinha passado por aqui. Ele fechou os olhos, respirando fundo, abrindo e fechando as mãos em uma atitude de relaxamento.





_Alex? – Nessie o chamou, preocupada. 





_Vamos logo, quero voltar para minha sala, tenho muito trabalho para fazer.






Ele andou à frente, sempre olhando para os lados com medo dela de repente se materializar à sua frente, lhe matando de dor e raiva. Seu pai estava sentado à cabeceira da mesa, ele tomou seu lugar à esquerda e Nessie à direita, como de costume. A reunião teve início e ele relaxou aos poucos, ouvindo os relatórios e planos para o próximo bimestre. Estava relaxado, quando a porta abriu e o cheiro dela o acertou como uma bola de aço. Um rugido lhe veio à garganta, quando um humano lhe ajudou com o carrinho de café, ele estava perto de mais. Ela lhe sorriu em agradecimento pela ajuda e olhou para frente, como se soubesse que estava sendo observada. Seu simples sorriso se esfumaçou de sua cara e ele a olhou indiferentemente. Ela serviu todos na sala e, quando chegou nele, colocou sua xícara com café à sua frente, assim como um copo e uma garrafa de água. Ele não fez caso de sua presença. Custou cada grama de seu autocontrole não se mexer, fingir que ela era apenas mais uma das moças enfadonhas que trabalhava na empresa. Levou tudo de si para não agarrá-la e levá-la embora, com ele para bem longe, onde ele fingiria que aquela noite a qual ela o rejeitou e esses dias infernais longe dela nunca aconteceram. Ele morreu a cada dia que esteve longe, se consumindo em sua miséria.





Ela se afastou eventualmente, mas, antes, lhe olhou nos olhos. Estava com um semblante tão abatido que o preocupou. Os olhos dela brilharam com lágrimas que se juntaram e ela piscou para longe, se afastando, indo embora, saindo de sua presença. Ele fez menção de se erguer e ir atrás dela. Seu pai o prendeu na cadeira.





_Algum problema filho?




_Não... Nenhum.




_Podemos continuar então?





_Sim, podemos.





No final do expediente, enquanto ele conduzia para o apartamento dos seus pais, com sua irmã tagarelando ao seu lado, ele pensava nela. Seus olhos tristes, suas lágrimas não derramadas lhe perturbaram todo o dia. Ela estava com dificuldades financeiras? Será que tinha sido despejada? Tinha brigado com alguém? Um namorado? Era esse o motivo dela o ter dispensado?






_... O que você acha, Alê?





_Oi? – ele piscou de volta à realidade, quando a voz de sua irmã lhe alcançou.






_Não me ouviu, não é?






_Desculpe-me, Nessie, estava... Pensando.






_Tudo bem, eu estava dizendo que quero fazer o chá de panelas domingo, no jardim da casa do vovô Charlie.






_Será bom.






_Você irá?






_Isso não é coisa de mulher, não? – ele fez uma careta e ela riu feliz.





_Deveria ser, mas, eu quero todos os meus queridos perto.




_Nessie, é apenas um chá de panelas, não seu casamento e, além do mais, nem sei para que fazer isso, não é como se nós não tivéssemos dinheiro para comprar suas panelas, copos e afins.





_Tanto faz, mas eu quero você lá. E não vai ser um chá de panelas comum, não senhor.





_Por quê eu? E o que vai ser, afinal?





_Um chá íntimo.





_Traduza, por favor.






_Um chá de lingeries.






_E por que continuar chamando de chá de panelas?






_Por que eu não quero que o Jack surte.






_E você espera que eu me meta no meio disso? Está louca?






_Primeiro, por que você é meu irmão e sim, eu espero que você me apoie.






_E segundo? – ele perguntou, a olhando com os olhos estreitados.






_Segundo, por que eu quero e você não vai me negar. Além do que o Jacob precisará de companhia e apoio moral e você é o cunhado dele.





Alex bufou irritado com isso, tinha coisas demais para fazer, para poder bancar o babá domingo.





Ao chegar ao apartamento dos seus pais, Alex subiu na frente, com sua mala. Estava cansando e queria apenas tomar um banho, se trancar no seu quarto e vegetar para o resto de sua existência. Amar era uma merda!


Sua mãe tinha outros planos, pelo que podia ver. Ela o acouçou pelo apartamento todo, lhe ralhando por ele ter sumido sem deixar nem um bilhete avisando. Ela tinha ficado preocupada e agora estava irritada. Ele pediu desculpas e ela lhe avisou que, se ele fizesse isso novamente, ele levaria uma surra que nunca na sua vida iria esquecer. Eventualmente, ele concordou e ela o deixou sozinho. Ele não jantou, ele não saiu do quarto e sabia que estava deixando sua mãe preocupada, mas não podia fazer nada. Em alguma hora da noite, antes de todos se recolherem para dormir, ele sentiu a maçaneta girar e sua porta se abrir alguns centímetros, mas ninguém entrou. Ele ouviu seu pai sussurrar para sua mãe que ele devia estar dormindo e que sumiu todos esses dias por que estava procurando por Allison. Sua mãe aceitou esse argumento e, pouco tempo depois, tudo voltou a ficar silencioso.




{***}






Caroline virou-se, pelo que podia ser a trigésima vez, na cama, não conseguia dormir. Os olhos dele a estavam perturbando, seu olhar frio e indiferente a machucou mais do que as palavras cruéis que sua avó lhe dizia sempre que tinha uma oportunidade. Ele tinha sumido por quinze dias. Onde ele esteve todo esse tempo? Provavelmente, na cama de alguma loira escultural e milionária como ele. Estava com ciúmes. Ela admitia isso para si mesma, não adiantava negar. Chutou os lençóis e saiu da cama, indo até o batente da janela, a lua estava linda hoje. Ela sentou lá e ficou observando o céu. Seus pensamentos, evidentemente, a levaram para ele. O que estaria fazendo agora? Provavelmente, dormindo e não suspirando por ela. Ela tinha acabado com qualquer chance com ele, tudo isso por que tinha medo de se comprometer. Tinha passado a vida inteira sob o julgo de sua avó e agora que sentia a liberdade, o medo de se relacionar com ele e perder sua tão sonhada e tão sofrida liberdade a deixou paralisada de terror. Mas, admitia que tivesse sido um pouco exagerada com ele. Agora sua oportunidade tinha passado. O que faria com esse sentimento que crescia dentro do seu peito ao ponto de lhe sufocar? Ele não mais a queria e a culpa era dela.



Alex a observou do parque, encoberto pelas grossas árvores. Ele a viu olhar para o céu, sentada no batente de sua janela. Ela estaria pensando nele? Ou em outra pessoa? Quando ela suspirou fundo, ele também o fez e chegou a sorrir por isso. Tudo o que ela fazia, ele também fazia. Ele se pegava imitando cada pequeno gesto que ela fazia, seja passar a mão pelos cabelos, suspirar, sorrir para o nada, piscar demasiadamente rápido, como se tivesse um cisco no olho. Ele fazia de proposito, para ter algo dela ao qual se lembrar. Agora estava virando uma mania extremamente irritante. Ela saiu da janela e ele aguçou seus ouvidos, ela tinha voltado para a cama. Ele ficou mais alguns minutos lá, se certificando de que ela realmente dormiu. Quando teve certeza disso, foi embora. Cumprir o juramento que tinha feito de que se manteria longe dela seria muito difícil, assim como o juramento de que a esqueceria seria impossível. Ela o tinha preso em sua mão, seu coração era cativo dela. 



E, por incrível que pareça, ele não queria ser liberto.




Na manhã seguinte, enquanto se arrumava para o trabalho, sua mãe entrou no quarto, ficando à sua frente e dando o nó em sua gravata, como sempre fazia. Ela lhe sorriu, mas estava triste. Por ele. Ele detestava lhe causar preocupação. Beijou-lhe os cabelos demoradamente.





_Amo a senhora, mãe.





E saiu do quarto, indo direto para a garagem. Não tomou café, não falou com ninguém, apenas entrou em seu Maserati Gran Turismo, acelerou e foi embora.









Ela estava lá, ele sentia sua presença tão nitidamente como se ela estivesse ao seu lado. Ele evitou circular pelo prédio durante o dia, mas, evidentemente, uma hora ou outra ele teria que vê-la. Ele se preparou para isso. Quando o momento chegou, ele estava sentado na cabeceira da mesa de reuniões e ela entrou, carregando seu carrinho que parecia muito pesado para ela. Ele quis correr e ajudá-la, assim como também quis se levantar e fugir para bem longe dela. Ela merecia alguém menos complicado, com menos fantasmas e esqueletos em seu armário. Se ele se mantivesse longe ela, eventualmente, encontraria alguém e se apaixonaria, se casaria, teria filhos e seria feliz. E ele morreria por tê-la tão longe do seu alcance.


Ao termino do horário de trabalho, ele se arrastou para fora de sua sala, em direção ao estacionamento. Ele saiu com seu carro e a viu. Parada na calçada, tremendo de frio. Agarrada à sua bolsa, ela se escorrava na parede às suas costas. Ele freou bruscamente e rapidamente saiu do carro, amparando-a, antes que ela caísse. Estava branca e os lábios roxos. Não era apenas frio, mas fome o que ela sentia.





_Deixe-me em paz.




_Acredite-me querida, é o que eu venho tentando fazer há quinze dias.





_Então continue, você... Está fazendo um ótimo trabalho...





Ela sussurrou sem forças se quer para falar normalmente. Ele se preocupou muito com isso.





_Está doente?





_Gripada apenas. Ponha-me no chão, posso andar.





Ela resmungou, se agarrando mais a ele, seus dedos frágeis se fechando em sua camisa, como se tivesse medo que ele a ouvisse e fizesse o que tinha pedido. Ele sorriu, lhe cheirando os cabelos. Fechou os olhos, quando sentiu o perfume natural dela.





_Não. Vou levá-la para um hospital e, depois, lhe levar para comer.





_Não preciso de hospital. – ela disse, quando ele a colocou no banco do carona.





Ele se locomoveu para o lado do motorista e fechou a porta.





_Precisa sim.





_Não, não preciso, já fui medicada, só quero... Apenas... Descansar.





_Quem lhe medicou? Alguma vizinha maluca, dona de uma penca de gatos?





_Pare de insultar meus vizinhos e, para seu conhecimento, eu mesma me mediquei. Faço isso desde pequena.





_É irresponsável se automedicar. – ele falou, irritado por ela estar colocando sua vida em risco.





_Não sou irresponsável. E me deixe descer.





_Não e trate de descansar, está branca, quase transparente. 





_Mandão.






_Rabugenta.






_Não sou rabugenta.- ela resmungou e fungou, ele pegou seu lenço e deu a ela, para que caçoasse o nariz.






_Melhor?






_Sim. Obrigada.





O restante do percurso foi feito em silêncio. Alê não estava muito preocupado com isso, ela tinha adormecido e ele foi mais devagar para poder aproveitar o momento. Era linda... E estava faminta, pelo barulho que seu estômago tinha feito. Eles pararam em um restaurante e ele pediu sopa para viagem, ligou para seu tio-avô e Carlisle lhe receitou os remédios certos. Passaram na farmácia e Alex comprou tudo o que precisava para cuidar dela. Já dentro do seu apartamento, ele pôs mãos a obra. Acomodou-a em sua cama e fez uma careta para os finos lençóis que ela tinha. Saiu rápido e fez algumas compras de cobertores, travesseiros e toalhas macias e grossas. E um colchão. Quando voltou, a encontrou no banheiro, vomitando.




_Achei que já tinha se ido...




_Não posso deixar você assim, posso? Venha, eu comprei algumas coisas.





Ela estancou em seco, quando viu a quantidade de coisas que estava espalhada em seu quarto. Sua cama estava mais alta com cobertores tão grossos, que daria para sair na rua, no meio de uma tempestade de neve e não sentiria nenhuma lasquinha de frio. 





_O que...





_Você precisava.





Ele disse, dando de ombros e a escoltando para a cama.






_Oh, pelo amor de Deus, deite-se mulher, ele não vai lhe comer.





_Cadê o meu colchão?





_Joguei fora.






_Você fez o quê? Era o meu colchão, eu o comprei! É meu!





Ele revirou os olhos e a fez deitar na cama fofinha e quentinha.






_Ele está na sala, dona encrenca. Pare de tentar puxar briga comigo.





_Eu quero o meu colchão...






Ele a olhou com os olhos estreitos e negros, um grunhido veio dele e ela se calou na mesma hora, puxando as cobertas para cima, lhe tapando até o queixo. Ele sorriu e foi até a cozinha, voltando com uma tigela de sopa. Ambos ouviram como o estômago dela protestou de fome.





_Creio que rosnarei para você com mais frequência. Você obedece mais rapidamente quando faço isso.





_Não teve graça.






_Não fiz para ter. Coma. - ele apontou com o queixo para a tigela que repousava em seu colo. _ E, depois, vai tomar remédios e não essa água com açúcar que estava bebendo.





_É receita de minha avó. – ela falou emburrada, mas comeu obedientemente. Ele se acomodou na poltrona e lhe observou engolir várias colheradas, antes de lhe falar novamente. _ Por que você está aqui?




_Por que você está doente. Coma.



Ela obedeceu. Mastigou um pedaço de pão fresquinho.





_Cadê sua namorada?





_Eu levei um chute dela. – ele falou sério, lhe olhando nos olhos. Ela desviou primeiro.





_Caraca.





_ É, caraca.






_E quando foi isso? 






_ Há dezasseis dias. Fiquei deprimido. – ele falou, sarcasticamente.





_Alex, eu...





_Já terminou?






Ela suspirou e assentiu com a cabeça, lhe entregando a tigela. Ele pegou os remédios e ela os tomou, sem reclamar. Ele a cobriu e lhe beijou a testa. Respirando fundo, se afastou e colocou as mãos no bolso da calça.





_Alex...






_Durma, estarei aqui, na sala, no seu maravilhoso colchão. – ele falou depreciativamente e ela fez uma careta.






_Ele é um bom colchão.






_Boa noite, Carol. 






_Boa noite, Alex.





Ela sussurrou e ele sorriu, enquanto seguia para seu pesadelo. O colchão era horrível e dormir nele, sabendo que ela estava no outro cômodo, era muito para ele. Alex se sentia... Queimar por dentro e por fora. Seria uma longa noite.

***************

N/B: OMG, gente, que Alex mais fofo esse!! Quero um para mim, alhuém me arranja?? 

7 comentários:

  1. hoooo como ele foi um cavalheiro .. eu amei esse lado dele ..gente eu passei geral aqui a mulher que eles mataram é irmã da vó dela?? isso vai dar mer** viu minha nossa!!!

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  2. Oi Mii S.!!! :)

    Sim, isso vai dar mer**, com certeza.


    MAS, No final tudo se resolverá. Afinal... Ela o ama. Não?

    Beijos amore!!!

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  3. Eu ri imaginando o poderoso rei de alcoviteiro com a filha. Pobre Alex, eu sei que a Caroline tem as razões dela e tudo mais, mas eu já estou com vontade de chutar o traseiro dela. Eu não sei se vai acontecer, mas é capaz de Edward se ferrar quando Bella descobrir o que ele anda escondendo dela.

    Estou com saudades das "maldades" de Edward e seria ótimo pai e filho juntos em ação. Ah, mudei de ideia, em relação a Alex, Edward é mais protetor que Bella.

    Beijos filhota.

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  4. Ai Milly estou doida para os dois se acertarem logo, eles são tão fofos, adorei esse lado super protetor do Alex. Amando cada vez mais essa estória, bem que poderia virar um livro, pode ter certeza que eu vou comprar. Bjs.

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  5. Amando demais.. e amando esse lado protetor do Alex ta parecendo uma copia do gostoso do pai..rsss....tudo bem contigo minha linda..bjos..

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  6. Amei o capitulo, e o Alex todo super protetor com ela.
    Espero que quando descobrirem sobre a tia dela não se separem.

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  7. Muito lindo o Alex, lembra bastante o Edward, tal pai tal filho

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