Capítulo 21
Pagando pelos erros cometidos
Becca
se debruçou na janela olhando para o campo de treino, seu marido estava lá em
uma luta feroz de espadas contra Kieran. Já tinha se passado três dias e ele
ainda estava irritado, não com ela e sim com Morag por tê-lo enganado, quando
ele voltou do banho ela já tinha terminado com o exame e trocado os enxertos
internos.
“Você acha que ele ficará irritado
quando descobrir que fizemos tudo sem o esperar?”
Becca tinha perguntado a curandeira
e ela apenas tinha dado de ombros balbuciando que isso não eracoisa de homens
verem, não eram fortes para presenciarem o procedimento. Becca achou que ele
ficaria muito irritado.
Irritado foi um eufemismo.
Ele ficou possesso com Morag
e magoado com ela. Depois que a curandeira saiu eles conversaram brevemente,
nas palavras dele “Ela não confiava mais em sua pessoa para protegê-la, nem ao menos
segurar sua mão” Tinha saído do quarto triste e assim estava até o dia de hoje.
_Conversaram? – Morag falou lhe
puxando de seus pensamentos
_Sim.
_Se entenderam?
_Chegamos a um acordo que não
ferisse muito a nenhum dos dois.
Beca falou e se virou indo para cama, olhou para porta do quarto que
agora era do seu marido.
_Você o perdoou meu bem?
_Sim.
_E porque então ele está dormindo
longe de ti?
_Estou de resguardo.
_Por que tenho a impressão de que
não é só isso? – Becca suspirou.
_Ele está triste comigo por não
tê-lo esperado para o exame.
Morag riu.
_Ele entenderá quando vocês
conversarem de fato. Milorde a ama, naturalmente milady sabe, não sabe?
_Eu sei, mas é que sempre que fecho
os olhos eu vejo a cena dele entrando na cabana de Isla.
_Ele não lhe traiu menina.
_Eu sei.
_Amoleça o seu coração, você não
pode tê-lo perdoado se ainda se recente do ocorrido. Velhos costumes não morrem
facilmente.
_O que você quer dizer com isso? –
Becca aceitou a caneca com chá das mãos da mulher e bebeu um gole.
_Alec e Isla sempre foram amigos, é
verdade que Isla sempre nutriu sentimentos por milorde, mas ele nunca os
correspondeu e agora depois de casado eu duvido muito que ele vá dar mais que
um primeiro olhar nela ou em qualquer outra mulher que seja.
_Eu não sei, eu estou tão
confusa...
_Perdoe-o o que seu livro preto
diz? Não é apenas Deus que tem que perdoar nossas faltas, nós devemos perdoar
uns aos outros, principalmente nosso cônjuge.
_Como você sabe sobre o meu
livro...
A porta abriu de repente e Alec
estancou no batente olhando para ela sentada na cama, fez uma carranca para
Morag que recolheu calmamente suas coisas e fez uma reverência para ele, piscou
um olho para Becca e saiu do quarto com sua cesta de ervas.
Assim que a porta se fechou Alec olhou para
ela, Becca sorriu, mas ele não retribuiu o sorriso.
_Deveria está de pé senhora minha?
_Estou melhor hoje.
Ele assentiu e caminhou para a
bacia do seu lado do quarto se lavando o melhor que pode pegou uma toalha de
linho e se enxugou antes de ir para ela e colocar uma cadeira ao lado da cama
se sentou perto de Becca ficou com a cabeça baixa e as mãos juntas batendo o pé
no chão constantemente. Becca reconhecia esse tique dele. Ergueu a mão e alisou
os cabelos molhados do seu marido esperando ele começar. Ele suspirou e por fim
colocou pra fora todo o seu desagrado. Mais uma vez.
_Não é justo Becca, eu queria está
aqui contigo, não é justo que me tires esses momentos. Eu sei que meus atos lhe
fizeram mal, já te pedi perdão e lhe prometi que não faria novamente. Não
merecia ser enganado desse jeito. Não é justo comigo.
Ele falou com a cabeça baixa. Becca
sorriu e alisou mais ainda a cabeça dele.
_Meu querido... Alec olhe pra mim
sim?
Ele não olhou e continuou a bater o
pé no chão.
_Está bem então não olhe, mas vou
falar assim mesmo. Eu não queria que você visse o procedimento por que... Alec
alguma vez na vida você viu um procedimento desses?
Ele fez que não com a cabeça.
_Bem, consiste em basicamente que
Morag prepara um... Um enxerto de ervas e poção que ela enrola em linho e... E
coloca dentro de mim.
_Só isso?
_Não. Eu... Também tem a parte do
banho de acento que é horrível, mas necessário, eu fico abaixada dentro da
bacia e... Bom, você entendeu!
Ela falou roxa de vergonha e sentiu que os
ombros dele balançavam. Estava chorando?
_Alec? Está chorando?
_De certa forma creio que sim.
Ele ergueu a cabeça e estava com os
olhos cheios d’água. E estava rindo o meliante.
_Alec! Eu aqui me esbagaçando para
lhe contar o procedimento e você rindo?
_calma, amor, não fique nervosa não
vai fazer bem ao bebê. Eu rir pelo seu nervosismo e pela minha magoa sem
sentido. E eu gostaria mesmo de ter estado contigo.
_Pra quê?
_Segurar tua mão, mostrar-te que
sempre podes contar comigo.
_eu sei disso.
Ele sorriu e as covinhas apareceram
em suas bochechas. Becca amava essas covinhas. Ficaram um bom tempo conversando
e ela adormeceu. Alec ficou observando como sua esposa dormia calidamente. Amava-a
e sabia que estava colhendo o que plantou. Só pedia a Deus que ela não
demorasse muito com esse castigo.
_ *Beidh mo
shaol grá agat go deo. (Minha vida
vou te amar para sempre)
Ele se ergueu, cobriu a, agitou as
brasas da lareira colocando mais turfa para esquentar o quarto e desceu para o
salão para a refeição do meio dia. À noite depois de que tinha feito à ronda
nos muros para se assegurar de que tudo corria bem ele voltou para o quarto se
aproximou dela que dormia com a mão em cima do ventre onde descansava seu
filho. Beijou-lhe suavemente os lábios e foi em direção a seu tormento. Dormir
longe dela sempre era um tormento. Despiu-se e se meteu na cama grande e fria.
(***)
Alec
abriu os olhos na escuridão do quarto, se espreguiçou, virou de lado, mas só
encontrou o vazio, sua esposa estava no outro quarto dormindo tranquilamente.
Hoje completava um mês desde aquele dia fatídico em que ele quase a fez perder o
bebê. Eles tinham começado uma rotina confortável da melhor maneira possível
para ambos, ele mudou-se para esse quarto e todos os dias levantava-se, vestia-se
a olhava um pouco enquanto ela dormia e saia para mais um dia de trabalho, ao
meio dia ele comia no salão e subia para vê-la, ficava uma hora conversando
sobre tudo, em seguida partia, a noite ele fazia as refeições com ela no
quarto, conversavam mais um pouco e ela adormecia, ele ficava sentado na
cadeira perto da cama onde sonhava diariamente poder ocupar o mais breve
possível, mas não forçaria sua pequena esposa a nada, nem a beija-lo ele exigia
que ela fizesse, ela estava magoada com ele, no começo era por causa dos lábios
machucados por ela morder tanto enquanto Morag cuidava dela, depois ela
simplesmente não queria que ele a beijasse, ela disse que não se sentia pronta
para ter qualquer intimidade com ele, nem que fosse um beijo, ele compreendeu e
aceitou,não tocaria nela sem sua permissão apesar de ser seu direito como
marido ele não imporia sua vontade sobre ela não suportaria ver mais dor e
magoa em seus lindos olhos se a forçasse a cumprir seus deveres de esposa, e
isso estava tomando o melhor de seu controle, mas as pequenas recompensas
chegavam para os que sabiam esperar. Ontem ela deixou que ele lhe desse um
beijo na testa e pra ele foi a melhor coisa que já tinha acontecido nos últimos
dias, ela o estava perdoando, aos poucos
mais estava, ele só pedia a Deus
que não demorasse muito.
Antes que o sol despontasse Alec
levantou-se, fez sua higiene matinal, vestiu se e foi vê sua esposa ela dormia
calidamente, a gravidez a deixava linda mais do que já era, não se percebia a
barriga ainda, mas os seios tinham crescido, ela se mexeu
e colocou a mão em cima do ventre um ato inconsciente como que protegendo o
bebê. Seu bebê. O bebê deles, que eles fizeram. Alec não via a hora dele ou
dela nascer, seria o pai mais orgulhoso e feliz do mundo inteiro e se Becca o
recebesse novamente no leito e desse a honra de tê-la em seus braços mais uma
vez seria de fato o homem mais feliz da face da terra.
_Alec...
_Estou aqui amor. Estou aqui. – ela sempre o chamava em sonho e
ele sempre respondia a mesma coisa “estou aqui” ela voltava a adormecer e
ficava calma em seu sono.
Alec retirou se do
quarto, tinha muito trabalho ainda a ser feito, o festival se aproximava e ele e
todo o clã tinham que correr com os preparativos na verdade sentia falta da sua
pequena algema tomando conta de tudo, dando ordens a torto e a direito, fazendo
o castelo trabalhar em ritmo acelerado e feliz. Alec tinha adiado a festa da
colheita para quando ela se sentisse melhor, tinha muita coisa pra fazer, só
esperava que ela estivesse em condições de receber os clãs junto com ele.
Desceu as escadas e se
dirigiu ao estrado. Seus irmãos estavam lá tomando o desjejum rindo e
brincando, James estava tão mudado que a Alec custava acreditar nessa mudança
repentina, em uma conversa informal nas torres de vigília James tinha revelado
que estava apaixonado por uma mulher comprometida, por isso andava raivoso com
tudo o com todos, Alec o inquiriu sobre o sumiço dele e sobre a ida até o clã
MacInnes, ele disse que não devia temer nada vindo dele e que quando estivesse
preparado pra falar ele falaria, pediu que Alec tivesse paciência, Alec
aquiesceu, deixaria ele mais a vontade, só não deixaria passar esse fato e o
fato dele odiar sua esposa também.
_Bom dia.
Alec falou enquanto sentava em sua cadeira e uma das moças o
servia mingau de aveia. A moça era nova no castelo, ela trouxe vinho, cerveja,
pão negro e bolo de frutas, colocou na frente dele uma vasilha com queijos. Fez
tudo isso com um sorriso na cara e sempre que lhe servia se debruçava em cima
dele fazendo com que seus seios quase saíssem pra fora do corpete. Alec se
sentiu incomodado com essa atenção toda.
_Como estão os preparativos para a festa da colheita?
_Perfeito. As tropas estão treinando, e se preparando para um
eventual ataque dos MacInnes.
Camerom falou enquanto tomava a cerveja e passava a mão no
traseiro da moça que estava servindo a mesa. Alec olhou pra ele com a cara
feia.
_Respeite meu salão irmão, se quiser fornicar, leve-a daqui, se
minha senhora descobre te arrancará o couro e eu mesmo lhe providenciarei a
faca para tal fim.
_Eita Alec! Só porque estás em celibato forçado, não quer dizer
que todos nós temos que está. Sou jovem e solteiro tenho que aproveitar a vida
não achas irmão?
_Sim aproveitas bem, pois já estou escrevendo para alguns lordes
sobre um possível casamento para ti.
_Estás de brincadeira irmão. – Camerom falou visivelmente
nervoso. James e Phellan sorriram.
_Não estou, estás com vinte e quatro anos, já está na hora de se
assentar, irmãozinho.
_E pode-se saber quem será minha futura morte?
_Morte? Por que morte? – Phelan perguntou se deleitando com a
desgraça do irmão.
_Alec se casou e não morreu. Pra mim está mais vivo do que
nunca. – James falou descascando uma maçã.
_Pois pra mim será a morte! Não me casarei, não sou o
responsável por gerar herdeiros, tu o és e já está casado e tua mulher
emprenhada, esquece o assunto!
_Vai sim se casar. É o meu desejo.
_Me diga o porquê disso tudo? O que eu fiz de tão grave pra que
me imputes um castigo tão grande assim?
_Vejamos...
Alec falou se encostando
na cadeira e ficando de lado para melhor ver a cara de desespero do irmão.
_ Me desobedeces, chamas a minha esposa de nomes que somente eu posso,
apostas com Phelan o tempo todo e és um péssimo perdedor irmão, ficas de
gracinhas com minha senhora, é brigão, ficas comendo tudo o que Becca faz pra mim,
ficas no pé da MINHA mulher quando ela quer descansar, fazes pouco caso das minhas
ordens quando mando-te que fiques longe dela, o que mais... Ah! Abraçou e
beijou MINHA mulher fazendo-me ter um ataque de raiva e quebrar o cálice que
ela tinha me presenteado.
_E isso é lá motivo pra casar alguém! – Camerom falou irritado.
_Talvez quando tiverdes sua esposa e Phelan e James ficaram de gracejos
para com ela tu entendas o que tenho aguentado. Irmão.
Camerom bufou irritado e se virou as costas pra ele em uma atitude
totalmente infantil. Alec balançou a cabeça em descrença sobre o modo como seu
irmão estava levando a situação. Phelan e James por outro lado se acabavam de
rir da cara de Camerom que estava cada vez mais irritado e quase chorando só de
pensar em contrair matrimônio.
_Tenho uma ideia Alec. – Phelan falou enquanto bebia vinho para
acalmar a crise de riso que se apoderou dele.
_Fale.
_Que tal se Camerom e tu resolvessem essa pequena discordância numa
luta? Estamos sentindo falta de ver uma boa luta e não só esses treinos sem
graça do qual os homens participam.
_ Eu estou treinando os homens, os treinos não são sem graça!
James falou irritado e Alec revirou os olhos.
_Creio que será bom um pouco de exercício logo cedo de manhã,
estou mesmo precisando extravasar as energias. Venha Cam, o primeiro que cair
perde.
_Feito irmãozinho, pode mandar Becca preparar as ataduras e o
unguento, pois vais levar uma surra daquelas.
_Sei não Cam, o Alec está com muita energia acumulada. – Phelan
falou e sorriu safado para o irmão.
_Depois que conseguir uma esposa para Camerom, tu serás o
próximo Phelan.
Phelan fechou a cara e James começou a rir.
_Não te alegres tanto assim não Jamie, podes ter vindo primeiro,
mas eu sou o lorde e tu também vais entrar na roda.
_Tu e sua boca grande Camerom – James resmungou – Custava não
atrair a ira do Alec pra cima de nós?
Saíram do salão, Alec na frente e os três bufando de raiva
atrás.
(***)
Becca acordou e se espreguiçou na cama ficou
olhando para o teto, sentiu um desconforto no estômago e só deu tempo de virar
a cabeça, ainda bem que o balde estava ao lado da cama se não já era tapete
novo. Depois que vomitou até as tripas, levantou se e foi fazer sua higiene
matinal, sentiu falta de Alec nessa hora, ele sempre estava com ela quando ela
acordava e segurava seus cabelos para não cair no balde enquanto seu filho a
fazia colocar os bofes pra fora pela boca. Depois que ela vomitava, ele a
colocava na cama e ficava alisando seu rosto dizendo que isso ia passar e que
nunca mais ela passaria por isso. Pois sim, ela passaria por isso sempre que
quisesse e ele não faria nada pra impedir. Olhou para a janela e a claridade
quase a cegou pela altura do sol a muito que ele já tinha se ido cuidar das tarefas.
Foi ao quarto que ele ocupava e se deitou na cama, cheirou os lençóis, o
travesseiro, abriu o baú e retirou uma camisa dele e abraçou, sentia falta do
marido, já fazia um mês que ele estava dormindo longe dela, mas ainda era cedo
para recebê-lo na cama, pro bem dela era bom que não fraquejasse, já estava
deixando ele lhe beijar a testa, não queria nenhuma intimidade com ele, na
verdade queria e muito, mas estava magoada ainda com ele e por mais que ele se
esforçasse, ainda estava com raiva por ele ter ido a cabana daquela lá. “Ele
não a traiu” falou uma vozinha dentro da sua cabeça. Becca suspirou e fechou os
olhos enquanto deitava na cama dele. Perdeu a noção do tempo.
_Milady? Milady acorde?
_Ela está dormindo mesmo?
_Claro que está Theo.
_Está bem Angélica, mas se o lorde me pega no
quarto dele, me arranca o couro, você sabe como ele é ciumento.
_Ele não vai ter ciúme de um menino de doze
anos.
_Se você diz...
_Sim eu digo. Milady?
Becca abriu os olhos. Deparou-se com Angélica
e o pequeno Theo lhe observando. Percebeu que estava na cama do seu marido
agarrada a camisa dele e corou de vergonha.
_Bom dia milady.
_Bom...Bom dia. Que horas são?
_ Já passa do meio da manhã, milady.
_Ah, obrigada. Theo você poderia ir pedir a
Suria que me mande o desjejum, mas algo leve estou muito enjoada hoje.
_Sim milady. Fico feliz de que a senhora e o
lorde já fizeram as pazes.
Theo disse isso e saiu como um foguete para
fazer o que ela tinha pedido.
_Quem disse a ele que eu tinha feito as pazes
com o lorde?
_A senhora está dormindo na cama dele.
_A tá... Ajude-me a me vestir Angélica. Vou
sair do quarto hoje.
_Não seria melhor a senhora esperar Morag
chegar e ver se a senhora já está em condições de sair?
_Não, hoje não é o dia das audiências?
_É sim, mas milady...
_Sem, mas, o Bryan vai está lá hoje.
Os olhos de Angélica brilharam.
_A senhora falou com o lorde sobre minha
causa?
_Falei no mesmo dia, mas tudo aconteceu tão
depressa que não tivemos tempo para as audiências, hoje teremos uma e o seu
caso eu quero que seja o primeiro a ser resolvido.
_Obrigada milady.
_Não me agradeça.
Becca
tirou a camisola e se olhou no espelho, seu corpo ainda não tinha mudado nada,
mas dava pra vestir um vestido tipo bata de grávida, aparentaria que sua
barriga estava aparecendo, não via a hora de ficar tão grandona quanto a da...
Becca
se virou e ficou olhando a barriga de Angélica, ela estava com seis meses e meio,
a barriga estava linda, Becca tinha feito alguns vestidos pra ela de grávida, e
que daria pra usar no dia a dia depois que a criança nascesse.
Assim que se vestiu Suria entrou no quarto
com a bandeja e uma moça que a acompanhava.
_Bom
dia milady, espero que estejas sentindo-se bem, oh, que vestido mais lindo
minha senhora está usando!
_Não é lindo? Terminei-o ontem. É
todo de seda e renda e o melhor de tudo é que eu encontrei um verde da cor do
nosso tartan.
_É meio revelador nos ombros e nas
mangas, não achas, minha senhora? – a moça falou toda cheia de si.
_Minha senhora não acha não. Foi
ela mesma quem fez. – Angélica falou tomando a frente de Becca automaticamente.
Becca sorriu e colocou a mão no ombro da sua amiga para tranquiliza-la.
_Quem é você meu bem?
_Maby, Senhora, sou nova no clã,
venho das terras baixas, não tenho família e teu marido recebeu-me aqui.
_Está bem, seja bem vinda Maby. Já
tem função no castelo?
_Milorde ainda não me designou
nada. Milady.
_Angélica, por favor, leve Maby
daqui e mostre onde lavamos a roupa, essa será a função dela.
Maby olhou pra ela horrorizada.
Becca desconfiou dessa moça.
_O que foi Maby? Está branca como
cera.
_É que... Eu era acostumada a
servir as mesas de onde eu vim então...
_Mas você me disse que não tem clã.
_Eu não tenho, mas é que trabalhei
em tabernas e sempre servi as mesas, milady.
_Oras. Então se considere com sorte
de não ter que desempenhar esse trabalho novamente, não é mesmo? Claro que o
MEU salão não é uma taberna, mas para quem já trabalhou muito nesses lugares,
tomar um descanso é muito bom, não achas?
_Sim milady.
_Perfeito. Angélica minha amiga,
leve-a lá e mostre tudo.
_Sim milady, aproveitarei que
estamos indo a lavanderia e pegarei os lençóis de milady pra lavar.
_Não, podes deixar que Suria tomará
conta, você vai mostrar a ela e vai se arrumar, teremos audiência hoje
esqueceu? Ponha seu vestido mais bonito. Estarei lhe esperando no salão daqui à
uma hora.
_Sim milady - Angélica fez uma
reverência e saiu do quarto com um sorriso que não cabia na cara de tão grande
que era. Tinha sido chamada de amiga pela lady e tinha sido dispensada dos
afazeres para assistir as audiências e o melhor de tudo, talvez finalizaria
esse dia casada.
Assim que a porta se fechou Becca
foi para a mesa e tomou seu desjejum.
_Milady?
_Eu
percebi Suria. Fique tranquila, não tenho a intenção de perder meu marido para
ninguém. – Becca falou enquanto comia um pedaço de maçã, já tinha decidido
receber seu marido de volta na cama e com essa zinha andando pelo castelo Becca
não daria chance dela arrastar Alec para sua esteira.
(***)
Alec
enxugou o suor da testa enquanto ria da cara de James que estava resfolegando,
de Phelan que estava estirado no chão e de Camerom. Principalmente de Camerom
que estava aponto de chorar por ter perdido na luta.
_Quero
uma revanche Alec.
_Não.
_Quero
sim!
_Pra
quê? Já levastes a maior surra, irmãozinho. Pra que aumentar mais teu martírio?
Conforme-se.
_Eu
não quero me casar! Falarei com Becca, tu verá, ela não deixarás que arranje
casamento pra mim!
_Deixa
de ser criança Camerom. Para com a choradeira.
_Com
quem vai casar ele? – James perguntou enquanto pegava uma cumbuca enchia de
água e derramava a cabeça.
_Pensei
na filha de MacNub.
_FELÍCITAH?
– gritaram os três ao mesmo tempo.
_Por
que não? É uma mulher como qualquer outra.
_Só se eu quiser ser esmagado toda
a noite. A mulher pesa mais que eu Alec!
_Não a deixes por cima então. Tome
as rédeas da situação irmão. Felícitah precisa de um homem que a coloque nos
eixos.
_Não existe eixo pra aquela porca
Alec! Não me vou casar. Não com ela, nem com ninguém que não seja do meu gosto.
_Vai por que sou seu lorde e estou
ordenando-te isso.
_Alec. – James falou colocando o
braço no ombro do seu irmão. _ Eu concordo que o Cam precisa assentar-se, mas
com a filha do MacNub? Por favor, irmão Será morte na certa, se o Camerom não
esganá-la, ela o mata na noite de núpcias com o peso, tenha misericórdia irmão,
o papai nunca teria sido tão perverso dessa forma.
Alec suspirou pesaroso e Camerom
relaxou visivelmente.
_Está bem, o que tu achas Camerom
de Coraline?
_Ah pelo amor de Deus! Por que só me arruma dragão?
_E ainda por cima um dragão com uma
penca de filhos que mais parecem pequenos demônios. – Phelan falou enquanto
tomava cerveja encostado à cerca que separava o campo de treino.
_Ela não é um dragão e Phelan, não
te metas ou arrumo uma pra ti também.
_Não está mais aqui quem falou. –
Phelan disse erguendo as mãos em sinal de rendição.
_É bom que estejas brincando irmão.
Por que eu não vou contrair matrimônio com a cria do demônio de jeito nenhum!
_O que é que a pobre mulher tem de
mais? O que tu mais aprecia nas mulheres ela tem e muito.
_O quê? Por que a única coisa que
aquela criatura tem mais do que qualquer outra mulher é cabelo. A mulher parece
um macaco de tão peluda.
_Ela não é tão peluda assim.
_Alec. Ela tem mais pelo nos braços
e pernas do que o velho Ian. – Camerom falou com a voz carrancuda.
_E não se esqueçam do bigode dela
que é maior do que o do pai. – Phelan falou bebendo cerveja.
_E ainda por cima tem bigodes! Como
em nome de Deus me casarei com uma mulher que tem bigodes! Nem eu tenho bigodes
Alec!
_Tu se acostumarás. Além do que, é
só raspar os pelos dela com o teu punhal. – Alec falou e saiu andando
despreocupadamente.
_Não me casarei. Nem com a baleia,
nem com a mulher barbada.
_Ele está irredutível. – James
falou olhando para uma moça que passava com um pote na cabeça._Bem com licença
cavalheiros, mas a vida é curta e eu tenho pressa. Ele se aproximou da moça
tirou o pote da cabeça dela falou meia dúzia de palavras em seu ouvido virou a cara
pros irmãos deu uma piscadela e saiu abraçado com a moça e levando o pote
debaixo do braço.
_Ele é que está certo Cam, se fosses
tu, irias atrás de um alívio, por que seus dias de solteiro estão contados. –
Phelan saiu e foi na direção da cabana de Isla enquanto Camerom resmungando foi
ao estábulo e depois de selar o cavalo saiu em disparada pelos portões.
(***)
Inverness
– 2011
_ Elizabeth?
_Aqui querido. O que encontrou nas ruínas
de Creag Morh?
_Aqui aonde mulher?
_No banheiro.
Carlton se dirigiu pra lá com um pacote embaixo do braço.
_Oi amor, e então, o que encontrou?
_Encontrei os diários. Estão em
perfeito estado querida. Nossa menina foi esperta, e olha – ele mostrou o anel
de formatura de Becca dentro das coisas que ele tinha encontrado. – É dela, são
os diários dela meu bem.
_Vamos ler então, talvez eles nos
digam algo sobre eles, será que a receberam bem?
_Meu amor, os diários estavam na
torre. Se Alec não estivesse com ela, se ela não estivesse em segurança, se
eles não estivessem juntos, ela não guardaria eles lá no quarto do lorde.
_espero que pro bem dele, ele tenha
se casado com ela Carlton. Por que se ele a transformou em sua amante, ele vai
levar umas palmadas. Ah se vai.
_Se acalme minha preciosa, criamos
bem nosso menino e ensinamos bem nossa menina.
_Será que ela contou sobre nós? –
Elizabeth falou e saiu da banheira. Carlton ficou apreciando o corpo da sua
esposa, ela tinha envelhecido muito bem, não tinha mudado nada.
_Carlton? Está me ouvindo?
_Não, venha cá minha preciosa.
_Carlton! Estamos falando dos
nossos filhos!
_Que estão bem longe daqui, talvez
fazendo o que nos não estamos por que você não quer se aproximar de mim. Tá com
medo de quê mulher? Eu não mordo não. – ele falou rindo safadamente e Elizabeth
revirou os olhos, ele sempre foi assim e nunca ia mudar.
Como sempre muito bom!
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