segunda-feira, 31 de março de 2014

Um Amor do Passado: Capítulo 19



      
Inferno

 _Suria o que está fazendo?


_Levando comida para milady, é isso que eu estou fazendo oras!


_Mas lorde MacLeomhan disse que ninguém pode entrar lá no quarto sem a permissão dele!


_Angélica, tu podes temê-lo, mais eu troquei os panos daquele cabeça dura, eu ajudei a cria-lo e eu sei quando ele está passando dos limites. Ele pode ser o lorde mas não tem o direito de trancar a senhora no quarto.


Suria falou já subindo as escadas.


_Suria!


A mulher parou no terceiro degrau e se virou para o som da voz.


_Sim James?


_Alec disse que não era pra ninguém entrar lá, se você for eu mesmo vou lhe açoitar.


_Me açoite então! O que eu não posso é deixar que a senhora morra de fome. Ela está lá desde manhã nem comeu a refeição do meio dia a coitadinha.


_Não me desobedeças velha. Vá já pra cozinha!


_Mande preparar os grilhões já, já eu desço e milorde poderá me açoitar até arrancar o meu couro lorde James. Mas antes não.





Suria se virou e continuou a subir as escadas e James ficou com a boca aberta de espanto pelo atrevimento da serva. Saiu do salão empurrando todos que atravessassem seu caminho. Diria a Alec e ele lhe agradeceria. Saiu a procura do irmão as pressas.


Suria chegou no quarto e bateu na porta mas Becca não respondeu. Então ela pegou as chaves e destrancou a pesada porta empurrando com o quadril para poder entrar. Estava tudo escuro somente a parca claridade do por do sol iluminava o ambiente se infiltrando por uma janela.





_Senhora?





Ela buscou sua milady no quarto, seus olhos não deixando passar nada. Um grito ficou preso em sua garganta quando a avistou no chão dentro de uma poça de sangue. Suria derrubou a bandeja e correu para sua lady. Buscou os pulsos, não havia cortes graças a Deus, ela não tinha se suicidado. Percebeu que a mancha de sangue era mais forte nas pernas e levantou o vestido de Becca. Só precisou disso para saber o que tinha acontecido. Agarrou-se com sua senhora e chorou desesperada. Gritou por ajuda. Angélica chegou correndo no quarto como um raio, viu a cena e correu pra cima sem saber o que fazer.





_Vá chamar Morag! Rápido menina! Ou nossa lady vai morrer!


_O que é que ela tem Suria?


_Está perdendo sangue. É um aborto. Corre menina! DEPRESSA, VAI!





Assim que Angélica saiu do quarto Suria levantou Becca e a levou com dificuldades para a cama, tirou o seu vestido e começou a limpar o sangue enquanto chorava.





_ Meu Deus, Alec vai enlouquecer quando souber. Bem feito pra ele, menino temperamental e ciumento! Ele ainda vai matá-la com esse ciúme doentio. – Olhou o rosto pálido e inconsciente de sua senhora e contemplou os traços suaves _Ó milady, por favor, aguente só mais um pouquinho sim. A senhora já passou por coisa pior eu sei, ouvi histórias, Por favor, por favor, fique boa, está me escutando milady? Por favor, acorde. Acorde!


_Suria! O que é que aconteceu com Becca...





Camerom e Phellan pararam de falar assim que viram o corpo da cunhada lavado de sangue da cintura pra baixo. Estava branca como o lençol que estava deitada em cima.





_é um aborto milordes, a encontrei caída no chão dentro de uma poça de sangue, suspeito que ela estava ali desde que milorde saiu do quarto, ela não tem marcas então ele não a espancou, graças a Deus, mas ele a trouxe nos ombros rudemente e ela se debatia tentando se soltar dele, eu... Eu acho que foi esse movimento e o aperto no ventre quando ela estava no ombro dele que a fez sofrer um aborto e a discussão também, mulheres grávidas não podem se alterar, de jeito nenhum!





Suria falava nervosa enquanto corria pelo quarto pegando lençóis e limpando o corpo de Becca.





_Camerom, Phellan saiam. Agora.





Morag falou assim que entrou no quarto com sua cesta de ervas.


_Vão atrás do irmão de vocês e contem a ele o que está acontecendo. Depressa!


_Eu vou fazer mais do que contar a ele pode apostar.


Camerom disse enquanto saia do quarto acompanhado de Phellan.


_Suria, como ela está?


_Não sei, ainda não fiz o toque. Estava esperando-te.





Morag assentiu com a cabeça, foi para abacia que estava no canto e lavou as mãos, passou um óleo nos braços até o cotovelo para não causar nenhuma infecção em sua senhora e se sentou aos pés da cama.





_ Sue pegue os dois banquinhos e coloque travesseiros neles para não machucar as pernas de milady.





Sue fez como Morag a tinha mandado. Assim que terminou de prender os travesseiros a porta se abriu e uma menina de cabelos negros como as asas de um corvo entrou trazendo um caldeirão com água fervente.





_Mamãe onde ponho?





_Na lareira filha. Corte pequenos pedaços de pano e os mergulhe no caldeirão em seguida os tire e traga aqui pra mim.





A moça aquiesceu e eficazmente começou a trabalhar sem mais uma palavra.





_Sue me ajude aqui. Levante a perna de milady para que eu possa colocar o banco embaixo do joelho dela.





Assim fizeram e Becca ficou deitada com as pernas totalmente abertas. Morag introduziu dois dedos dentro do corpo de sua senhora, estava um pouco dilatado e ela estava perdendo muito sangue. Morag lavou as mãos na água quente e voltou para Becca começando o trabalho tinha que fazer com que o sangramento parasse.





_ Alicia, vá no solário e pega as ervas que precisaremos aqui.





Ela assentiu e se foi.








{***}





Alec estava sentado enfrente a lareira da cabana de Isla. Eles nunca tinham dormido juntos mais tinham uma cumplicidade que só perdia para a sua com a sua esposa.





Rebecca.





Fechou os olhos e relembrou o horror que viu em seus olhos quando a acusou de traição. A verdade é que tinha um medo mortal dela se desafeiçoar dele. Ele a procurava com desespero, sempre queria tê-la junto de si, não ficava tranquilo quando estava longe dela. Estavam tão atarefados e ela era tão frágil e se esforçava tanto para acompanhar a labuta do clã. Só para se sentir parte da família. Ele a tinha julgado erroneamente sabia disso e quando ela lhe deu aquele tapa, bem merecido, diga-se de passagem, foi como se tirasse as escamas dos olhos. Ela não o trairia. Nunca. Mas não gostava de se sentir rejeitado quando a procurava no leito. Estava cego pelo ciúme e sempre que pegava algum homem a contemplando ele via vermelho, não queria que ninguém a olhasse, não queria que ela dirigisse seus sorrisos pra ninguém só pra ele. Ele era quão único queria ser merecedor de toda a sua atenção, de tudo que vinha dela. Quando disse que não queria vê-la por um bom tempo estava mentindo e quando disse que quando voltasse queria vela no quarto na verdade era uma desesperada maneira de pedir para que ela não o abandonasse. Sabia que merecia que ela o deixasse. Só restava pedir a Deus que ela o perdoasse.





_Alec? Dormiu sentado querido?


Ele sorriu e abriu os olhos.


_Não Isla, não dormi, mas agradeceria se o chão se abrisse e me engolisse. Seria mais fácil do que ter que voltar para o castelo e falar com minha esposa.


_ Ela não me pareceu tão brava assim para que tenhas medo ela.


_Não é a raiva de sua parte que temo, e sim a tristeza estampada em seu rosto. Acusei-a de coisas terríveis.





_que tipo de coisas milorde?





_acusei-a de traição, ela não quer que eu a toque... Achei que era por que tinha um amante.


_Ela está doente?


_disse-me que sim.


_E porque não acreditou nela? Acaso milady já deu alguma prova de que era mentirosa?


_Nay. Só que toda vez que a buscava e ela se negava a mim ficava furioso e cada dia que passava e ela continuava se negando eu ia ficando com mais raiva e com mais ciúmes e com mais certeza de que tinha tomado para si um amante.


_ És seguro de si em tudo o que concerne ao clã e as batalhas menos no que diz respeito a tua esposa. Escute meu amigo. Ela te ama. Ninguém sabe de onde ela veio, mas todo o clã sabe que mulheres como ela só aparecem uma vez na vida. É sua chance de ser feliz Alec. Não a jogue fora.





Alec aquiesceu tomou a bebida e saiu da cabana com um pensamento em mente, iria pedir perdão a Becca e se ela nunca mais o quisesse receber no seu leito, não reclamaria, daria todo o tempo do mundo pra que ela o perdoasse.





{***}





Becca acordou de um profundo e doloroso sonho, sentiu suas entranhas se rasgando e afogou um grito tentando se controlar, era um pesadelo...





_Milady, Fique firme, estamos fazendo de tudo para salvar o bebê.





Becca piscou sem compreender o que diziam. Bebê? Mas que Bebê?


_Morag? O que acontece... Eu...





E uma dor lancinante lhe percorreu a espinha, sentia-se partir em duas.





_Calma milady, estás grávida e estas com hemorragia. Estamos cuidando de ti. – Suria falou lhe alisando os cabelos suados tirando-os de sua fronte. Fechou os olhos desejando dormir apesar das dores horríveis.





_Criança, - A voz de Morag lhe trousse de volta._ Eu preciso que faças algo agora, algo que requererá muita coragem de tua parte, podes fazê-lo moça?





Becca balançou a cabeça em concordância não conseguia falar, estava tonta de tanta dor.





_Por mais que as dores aumentem não empurre. Ouviste-me? Não empurre, teu corpo está tentando expulsar teu filho, mas estamos fazendo de tudo para que isso não aconteça.





Becca assentiu com a cabeça seus olhos arregalados de medo. _ Salve meu filho Morag. Salve-o... Oh meu Deus!





Becca se segurou nos panos em que tinham prendido seus braços. _Me dê alguma coisa para morder! Rápido, pelo amor de Deus!





Suria correu e lhe trouxe uma correia de couro cru e lhe colocou na boca. Becca mordeu com força bem na hora em que outra contração vinha chegando, se obrigou a não empurrar, se obrigou a não se mexer, se obrigou a relaxar, respirar calmamente, começou a orar.





{***}





_Alec montou em Fire e saiu em disparada na direção do castelo desejoso de vê-la, de falar-lhe, pedir-lhe seu perdão. Assim que chegou viu uma movimentação no pátio interno ao pé das escadas que dava para o salão. Desceu do cavalo antes mesmo que esse parasse o galope e correu o mais rápido que pôde, estava com um mau pressentimento.


“Becca, Deus, que ela esteja bem.”


Atravessou a multidão empurrando todos de seu caminho enquanto ouvia orações e pedidos de melhoras, seu sangue gelava a cada passo. Entrou no salão as pressas os MacLeomhan que conseguiram entrar quando o viram deram passagem. Eles estavam com medo nos olhos. Pavor se via refletido nos olhos de cada um deles e Alec temeu o pior. Avistou Phellan que estava encostado em uma mesa com os braços cruzados no peito e seu rosto se refletia preocupação e pesar. Querendo saber o que estava acontecendo foi em sua direção, mas antes de se aproximar do irmão mais novo um punho potente se chocou com seu maxilar quase o tirando do lugar, Alec não caiu, mas cambaleou. Virou para seu agressor que estava com os punhos fechados e em riste esperando ser desafiado.





_ Cameron mais...? – tocou o queixo e tremeu com a dor o olhou irritado. _Que história é essa de me esmurrar?





_Só não lhe quebro agora por que vou deixar esse prazer para a Becca. Ela vai ter o maior prazer de fazer isso caso seu filho morra por tua causa.





As palavras de Cameron saíram frias e Alec sentiu o mundo rodar a sua volta. Becca grávida? Filho morrendo? Mas do que era que ele estava falando?





_Explique-se. Agora.


_Becca está grávida irmão e tu com seu jeito especial de carrega-la como se ela fosse um saco de farinha fez com que ela tivesse uma hemorragia!





_Becca está grávida?





_Sim. E está lutando com todas as forças para salvar teu filho! _ Cameron avançou pra ele novamente e James o segurou.





_Cam, já chega, pelo amor de Deus calma, não podemos ficar brigando, lembra-te do que nos instruiu Morag, ela precisa de toda a paz e calma e silêncio que possamos fazer aqui embaixo.





Cameron sem querer ouvir tentou se soltar de James, mas Phellan correu ao auxílio, se Cameron se soltasse ele e Alec iriam brigar feio e ninguém queria isso.





_Larguem-me seus bastardos, infelizes! É culpa tua Alec! Ela está morrendo por tua maldita culpa! Tua e de teu ciúme infundado!





_Todos no castelo ouviram a briga de vocês Alec – Phellan falou com reprovação em cada sílaba.





– Eu lhe entendo irmão. Esse sentimento corrói por dentro. Eu sei, passo por isso todo dia. – James falou sem coseguir encará-lo nos olhos e Alec não soube o Porquê. Ou talvez soubesse apenas não queria crer em boatos maldosos.


_Soltem-me. – Cameron falou calmo e seus irmãos o soltaram, pois perceberam que ele não faria nada, estava controlado.





_Quando isso começou? E por que não foram me avisar?





_Estavas ocupado irmão, entretido entre as pernas de Isla. Lembra-te? – Cameron falou escarnecendo de sua preocupação.





Alec o olhou sério seu maxilar tremeu com o tique nervoso que sempre tinha quando alguém o acusava injustamente.





_Não me deitei com Isla. Sou fiel a minha esposa, por mais que não acreditem na minha palavra.





Todos olharam no por um bom tempo. Assentiram em concordância. Seu lorde não quebraria seus votos. Nunca.





_ Quando isso começou? – ele perguntou novamente.


_Morag nos disse que ela está perdendo sangue desde que tu deixastes o quarto.





Alec se sentiu morrer com essas palavras.





_Eu não sabia que ela...





Um grito horrendo foi ouvido assim como seu nome. Ela estava sofrendo. Seu sangue gelou nas veias quando ouviu o grito de dor de sua amada e seu nome sendo chamado por ela, se precipitou para as escadas e foi segurado por seis homens que foram lançados pro alto tamanho a força que Alec usou para se livrar deles. Cameron, James e Phellan também correram ao seu encontro. Cameron imprensou suas costas na parede tentando segurá-lo no lugar. Alec lhe desferiu um soco que seu irmão se desequilibrou e caiu em cima de alguns soldados que estava atrás dele.





_Se quiser me bater irmão. Terá toda a oportunidade que quiser; depois que eu ver minha mulher.


Assim dizendo ele subiu as escadas correndo com desespero.





{***}





_Isso criança muito bem. Segure, estou quase acabando. Segure não empurre, por favor, não empurre.





Becca mordeu a tira de couro o mais forte que pode mas ela escapou da sua boca e o grito foi alto e desesperado. Becca clamou entre soluços agoniados por ajuda, qualquer ajuda Morag e Suria choraram por ela enquanto faziam o que podiam por sua senhora.








_Suria! Morag! Meu filho! Por favor, salve o meu pequeno! Não deixe que morra, por favor, não deixe que... seu grito foi muito alto a dor lhe rasgando ao meio muito sangue Becca sentia saindo do seu corpo, nessa hora apenas uma frase lhe veio a boca.





_ Eu quero o Alec aqui!





_Calma milady ele aqui só atrapalharia. Estou quase acabando quase... Ó meu Deus não!





Becca virou a cabeça e mordeu a tira de pano que atava seu braço quando uma pontada forte o bastante para lhe deixar inconsciente lhe pegou desprevenida. Ela não empurrou mais sentiu que alguma coisa deslizava de dentro dela.





_RÁPIDO SURIA! RÁPIDO, ME DÊ OS PANOS E O UNGUENTO! MILADY, MILADY! FIQUE ACORDADA! SURIA! MAIS! PRECISO DE MAIS, CHAME MINHA FILHA, PRECISO DELA AQUI! ANGELICA DEPREÇA PASSE ISSO NO NARIZ DELA, DEPRESSA!





Becca acordou como se estivessem lhe estripando. Mordeu o lábio e se lembrou do que Morag disse. Não empurre. Era seu filho que estava lutando para sobreviver. Faria isso por ele, faria sim.





{***}











Alec entrou no quarto no momento em que Becca desmaiava e Morag gritava desesperada. A cena era grotesca. Sua esposa estava amarrada na cama com os braços abertos e as pernas estavam abertas ao máximo, os lençóis, ela e Morag estavam vermelhos, era muito sangue.


“Ó meu Deus o que eu fiz. Ó Becca me perdoe! Por favor, me perdoe.”





_... Ó meu Deus não! RÁPIDO SURIA! RÁPIDO, ME DÊ OS PANOS E O UNGUENTO! MILADY, MILADY! FIQUE ACORDADA!





Alec se precipitou para cama mais foi preso por braços fortes; seus irmãos estavam no quarto vendo a mesma cena que ele. Sua esposa estava se esvaindo em sangue. Pela segunda vez. E tudo era culpa dele. Era ele quem deveria esta sangrando até a morte, não ela, ela não, ELA NÃO!!!





_Alec, venha! Não podes fazer nada! Só atrapalharia o que elas estão fazendo.





_Eu não vivo sem ela Phellan. Sem ela eu não vivo. Morag salve-a, eu não ligo pra criança, mas, por favor, salve ela, salve minha Becca, salve minha vida.


_ Se quiseres poder suportar a vida milord, fica pronto para aceitar a morte.


Alec ouviu uma pequenina mulher que passou ao seu lado e foi se sentar atrás de sua esposa servindo de suporte.





_O que disse?





_Sua esposa e seu filho vão viver. Tenha fé.





_Se minha mulher e meu filho morrer de que me adiantará a fé?





_A morte do homem começa no instante em que ele desiste da sua fé. Agora saia e deixe-nos trabalhar. – Ela falou calmamente, em seus olhos refletiam a compreensão e a esperança.





Becca tornou do desmaio abrindo os olhos no momento em que ele começava a sair sendo levado por seus irmãos.





_Alec...





Foi só um sussurro. Mais foi o suficiente para ele se soltar dos seus irmãos e correr pra ela.





_Estou aqui amor. Estou aqui.


_Eu vou...





Becca se contorceu na cama e mordeu o lábio inferior para não gritar. Ela respirou fundo e lhe sorriu. Sua pequena guerreira lhe sorriu, ela estava aponto de se romper de dor e ainda encontrou forças para lhe sorrir. Ele lhe beijou e sentiu ela estremecer quando Morag colocou alguma coisa dentro dela.


_Meu amor me desculpe. Perdoe-me Becca. Eu te amo. Você não vai me deixar não é? Por favor, diga que não. Por favor, fica carinho. Fica. Preciso de você amor. Eu sei que eu fui grosso e te acusei de coisas horríveis, mas eu te amo e disse aquilo por que estava com ciúmes. Becca? Becca olhe pra mim, carinho, olhe pra mim eu te amo, abre os olhos eu te amo, não me deixa meu amor. Por favor, eu não vou conseguir sem você. Por favor, abra os olhos.


Ela fez força e lágrimas caíram por seus olhos quando ela os abriu, ele sorriu e chorou ao mesmo tempo enquanto olhava-a.





_Eu... Amo-te... Agora... Por favor, meu coração sai... Não quero que você me veja assim... Eu... Estou bem.


Ela mordeu o pando que estava amarrando sua mão. Respirou fundo e virou o rosto pra ele novamente.


_Saia carinho. Por favor, saia.


_Não vais me deixar?


_Não vamos te deixar. Eu prometo.


_Eu queria ficar. Por favor, me deixes ficar, carinho.


– ela lhe sorriu fazendo que não com a cabeça.


_Não é coisa que homens possam fazer parte, só atrapalharia meu querido...


_Eu não vou atrapalhar. Só quero segurar sua mão.


_Milorde, por favor, saia, é vergonhoso para milady que o senhor a veja assim. Quando terminarmos o avisaremos.


A mulher que estava por trás de Becca falou compreensivamente. Alec aquiesceu se rendendo.


_Salve eles Morag. Por favor. – Morag assentiu sem se desviar do seu trabalho.


Ele beijou sua amada, se ergueu e saiu do quarto sendo escoltado por seus irmãos. Não desceu ao salão. Ficou no lado de fora do quarto sentado no chão com a cabeça sobre os joelhos. A cada gemido dela ele se condenava por tudo o que fez.


James lhe trouxe cerveja, ele não quis. Phellan lhe Trouxe vinho, ele não aceitou, não queria entorpecer seus sentidos. Queria está alerta para qualquer coisa que sua amada precisasse.


Cameron veio e se sentou ao seu lado. Ficaram calados. No seu silêncio Cameron dava apoio ao irmão mais velho que, nesse momento parecia que tinha envelhecido cem anos. Pouco tempo depois Phellan e James vieram e sentaram ao lado dos irmãos. Os quatro lordes leões era assim que seu pai os chamava quando os via cavalgando juntos. Carlton tinha orgulho dos filhos.


_Queria que o pai e a mãe estivessem aqui. – Cameron susurrou. Todos concordaram balançando as cabeças.


_Hei! – James falou – Lembram-se quando fomos na nossa primeira caça juntos? Phellan tinha o quê? Dez anos?


_Onze, eu tinha onze e era bom no arco e flecha, melhor do que qualquer um de vocês. Nosso pai disse isso.


_Você era o caçula Phel, ele sempre dizia o que você queria ouvir. Na minha opinião você sempre foi o mais mimado. - Cameron falou.


_Nunca fui mimado e o pai nunca diria nada para engrandecer meu ego.


_Claro que não. Se ele inflasse seu ego mais do que já estava você provavelmente iria explodir como uma bexiga de carneiro cheia de água.


_Mas, ele fazia isso, Phel- James falou e encostou a cabeça na parede colocando os braços em volta dos joelhos – Lembra-se de quando estávamos treinando com a lançadeira e você mirou no boneco e acertou no padeiro. Do outro lado do pátio? A lançadeira enrolou nas pernas do pobre coitado e ele caiu de cara no bolo. Mam... Elizabeth perdeu seu bolo preferido naquele dia. E o pai disse que você foi muito bem.


_Mas foi só esse incidente. – Phellan falou como um menino mimado que não gostava que ficassem tirando sarro de sua cara.


_Eu posso citar uma dúzia de trabalhos bem sucedidos seus Phel. Bem sucedidos no sentido de machucar, esfolar, cortar, queimar qualquer coisa que estivesse em seu caminho sempre que treinávamos. Hei! Lembram aquela vez que o Phellan tentou fazer a corte a nossa prima Catharina Louddon? Ele levou flores pra ela e tinha abelhas dentro. A cara da coitada ficou inchada por dois meses inteiros. – Cameron falou rindo quase sem fôlego.


_Eu me lembro – James disse sorrindo lembrando-se do ocorrido. – Até hoje ela não pisa os pés aqui. E sempre que Phellan vai para Inglaterra, ela inventa uma desculpa para ficar trancada no quarto. Da última vez foi quanto tempo, um mês?


_Vão à merda vocês dois. – ele falou e os outros riram.


Alec ficou o tempo todo calado só observando seus irmãos falarem e rirem. Ele sabia o estavam fazendo, estavam tentando distraí-lo, mas nada poderia tirar do peito a angustia que estava sentido. Nada, só sua esposa, sua esposa e seu filho. Se eles sobrevivessem aí sim a angustia se dissiparia. Antes não.





Duas horas depois Morag, Suria, a menina Angélica e a filha de Morag, saíram do quarto carregando baldes com lençóis vermelhos de sangue.


Alec se ergueu de um salto.


_Morag? Eles...


_Eles estão bem criança. Sua esposa e seu filho. Estão vivos. Entre e seja cuidadoso. Ela está dormindo.





_E como foi?


_Ela perdeu muito sangue, mas, vai se recuperar. Agora entre, ela não vai comer nada hoje, mas, tu bem que poderia se alimentar, precisas de forças para enfrentar os dias que virão.


_já tentamos, mas ele se recusa. – Cameron falou.


_Vamos mandar algo para milorde...


_Não obrigado Suria. Estou sem fome, só quero vê-la. Só isso.


_Então entre criança.


E assim ele fez.




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